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COMING UP | Emily In Paris

Demorou mas chegou, Emily regressou à Netflix, com Paris como pano de fundo, de novo, numa segunda temporada que tal como a primeira tem o condão de nos fazer felizes. Emily In Paris é um daqueles casos raros em que uma serie sem um grande densidade dramática nos consegue absorver para dentro da sua história num abrir e fechar de olhos e nos fazer sorrir a cada trapalhada dos seus personagens. Com humor, diversão e sem cair no ridículo, a segunda leva mantém a coerência da primeira e abre espaço a um olhar mais atento sobre a vida profissional da nossa protagonista deixando o plot dos amores e desamores para segundo plano. É bom, sem malabarismos, é maratonável, e sobretudo uma série que nos anima sem grande esforço. Falamos disto e de muito mais nesta nova edição do Coming Up, vamos até Paris continuar a espalhar amor. 

Começamos esta temporada com o mesmo espírito da primeira acompanhando Emily na sua aventura pela capital francesa, contudo, mesmo que a fórmula seja a mesma, o argumento é suficientemente inteligente para não cair no vazio e não nos deixar com uma sensação de que estamos a ver uma repetição. 

Emily cresceu muito com todos os dramas pelos quais passou e finalmente temos uma Emily mais envolta no trabalho, algo que fez falta na primeira temporada. 

Mas aqui o grande truque que faz de Emily In Paris um caso de sucesso é ter esse background de crescimento explicado de forma leve e descontraída envolta na boa disposição que caracteriza as tramas assinadas por Darren Star.

Do geral vamos para o particular, com Emily a largar logo à partida o clichê das relações amorosas, abrindo espaço para que os outros núcleos se desenvolvam. 


Mindy foi a personagem que mais lucrou com esta ligeira curva na direção da série, colocando-lhe, finalmente, um holofote apontado a ela, como bem merece e como já vinha a ser pedido pelos fãs. Por mais que o seu arco seja ligeiro e até previsível o talento de Ashley Park faz-nos rir até da situação mais óbvia. 


A música toma uma parte ativa na história e passa a ser um elemento que move o argumento e não, como até então, um ponto que servia apenas para preencher espaços em branco. Bebemos outra vez da cultura francesa, usando algo tão característico como a Dame Pipi para construir a história ao passo que mais uma vez brinca com alguns dos estereótipos desta tradição num cartão de visita que quase nos força a comprar um bilhete para Paris a cada final de episódio. 


Aliás, se na primeira temporada vimos muito do que é bonito em Paris, nesta segunda temporada a sensação não é diferente. Por mais que não tenhamos tantos momentos ao ar livre que nos mostrem essa beleza exterior, a série consegue colmatar isso mostrando a amabilidade do povo, as suas características, costumes ímpares que só quem já passou por lá consegue identificar e esboçar um sorriso de compreensão perante o que vê. 



Emily In Paris sempre foi uma série com um orçamento acima da média, mas nesta temporada supera-se utilizando marcas que credibilizam a história e tornam tudo mais próximo e real levando-nos a valorizar ainda mais a dimensão que a Savoir tem. 


Era o impacto necessário para não parecer que esta decisão arriscada de Emily em mudar de vida era algo oco. Se na primeira temporada tivemos um vislumbre da importância da empresa, nesta temos a certeza absoluta de que ela está a ter a oportunidade de uma vida. 


Sylvie voltou a roubar a cena, com verdadeiros shows de interpretação que só melhoraram com o passar dos episódios e que ganharam o merecido destaque quando Madeleine regressa à história para movimentar águas e, também, para acabar com a realidade quase sonhada que por ali se vive. Por mais bonito que seja acompanhar os desaires e acertos daquela empresa, a verdade é que em alguns momentos a forma como o amor ou as ligações sexuais contaminam tudo o que por ali se faz parece quase irreal. 


Chegamos em alguns momentos desta temporada a questionar se tudo aquilo não poderá ser um longo sonho de Emily, porque em alguns casos as coisas acontecem com uma conveniência brutal, até que Madeleine aparece para ser o choque de verdade e colocar em cima da mesa todas as questões que fizemos durante todos estes episódios. 


Kate Walsh volta a ter o ingrato papel de vilã mas neste caso é a personagem que vem colocar as cartas em cima da mesa e nos faz acreditar que tudo o que vemos é, de facto, real.


Paris é a cidade do amor e a dada altura desta temporada, sobretudo depois de Sylvie ter prometido uma campanha gigante ao seu amante, parece-nos que o argumento se estava a deixar inebriar, demasiado, por esse chavão popular. 


Até que chega Madeleine para nos dar alguns momentos de tensão necessária para a temporada avançar. Porque no fundo tudo se trata de um negócio, Savoir foi o palco de uma das discussões mais antigas dentro deste universo de negócios: O que é mais importante trazer a emoção para dentro do que fazemos ou deixar que os números falem mais alto? Por mais que no mundo real não possamos ter a mesma resposta que a série nos oferece não deixa de ser interessante a moral que a história mostrando que no fundo os números nem sempre são sinónimo de tudo e que o respeito para com o outro é algo fundamental. 


No fundo, todo esse arco serve o propósito de nos vender um cenário idílico em que prazer e negócios se podem misturar. E mesmo que não seja, de todo, algo que case com o mundo real, para a narrativa da série serve de motor perfeito para nos fazer acreditar nos nossos sonhos e nos fazer lutar pelos nossos objetivos, mesmo quando eles parecem demasiado difíceis para se tornarem reais. 


Ou seja, mesmo que não nos convença totalmente, foi um desfecho bonito que justifica bem a renovação da série e que realmente vira toda a narrativa ao contrário. 



Mas e o elenco? Nunca é demais elogiar o elenco de Emily In Paris que tem em mãos a difícil tarefa de fazer humor sem se guiar pelas linhas básicas e lutando com todas as forças para que mesmo a situação mais ridícula não se torne num clichê barato. E tal como na primeira temporada, aqui a missão é bem sucedida. 


Lily Collins volta a passar com distinção na defesa da sua Emily que, mais uma vez, nos volta a trazer à memória as protagonistas das grandes séries cómicas dos anos 90. Na sua interpretação, por mais singela que seja, ela faz-nos viajar rapidamente a um lugar feliz sem cair no básico e com carisma suficiente para nos fazer apaixonar por ela a cada frame


É um casamento perfeito de uma protagonista que sabe conduzir os holofotes até si sem, com isso, apagar as luzes dos que a rodeiam, porque continuamos a ver todos os outros elementos deste casting brilharem em determinados momentos. 


Nestes novos capítulos todas as relações amadureceram a ritmo alucinante, mas um ritmo que nas retira verdade porque tudo nesta série acontece de forma rápida e intensa, ou não estivéssemos a falar de uma história que tem como cenário uma cidade que não pára. 


O Gabriel de Lucas Bravo talvez tenha perdido o impacto que vimos antes, mas soube aproveitar bem o espaço de narrativa que lhe foi dado para mostrar a personalidade intempestiva que nos fez apaixonar por ele e ainda rendeu cenas bem interessantes na contracena puramente cómica com Alfie, a melhor adição a este elenco e que merecia continuar por mais uma temporada, mesmo que de acordo com o final seja praticamente impossível. 


Leve, bem disposta, e sobretudo maratonável, Emily In Paris é um retorno às comédias que nos prendem ao ecrã com o bom gosto necessário para serem levadas a sério. 


É um argumento inteligente e paradoxal que se vai construindo levemente e sem pressas num ritmo frenético em que tudo acontece ao mesmo tempo e nos deixa a torcer pelos seus personagens. É complexa dentro do seu estilo leve e deixa boas mensagens num positivismo que nos envolve e nos apaixona. 


O caminho é seguro, e Emily In Paris tem tudo para se tornar num clássico enquanto se deixa influenciar pelo estilo dos anos 90 e avança sobre temáticas muito atuais como o poliamor, as relações abertas e outros temas mais corriqueiros do século XXI que precisam de encontrar representatividade no ecrã. 


Mas qual é o caminho? Renovada para a terceira e quarta temporada e com um final completamente em aberto, Emily tem em mãos um escolha suspensa que pode melindrar os fãs mais otimistas. O percurso mais provável, tendo em conta a dupla renovação, é que na próxima sequência de episódios vejamos Emily regressar a Chicago por uma temporada para que possamos ver o quão parisiense se tornou nos últimos tempos ao ponto de a fazer entender que o seu caminho não é por aí. 


Certamente não teremos Emily a optar pela escolha óbvia de se aliar a Sylvie, porque essa não é a Emily que conhecemos e se há algo que podemos gabar a esta protagonista é que as suas decisões são, na larga maioria das vezes, coerentes com o que ela sente. 


Sentimental e divertida, que Emily In Paris regresse rápido porque precisamos de algo para nos entreter no meio das notícias menos boas do dia-a-dia.