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Cinema em Doses Curtas | Break


Break é a sugestão que o Fantastic apresenta em mais um Cinema em Doses Curtas. Este filme marcou a estreia de Diogo Morgado como realizador e conta a história de André (Rui Unas), um homem com a necessidade de uma pausa.

Vê a curta-metragem na íntegra:



Break: Análise do Filme

Escrito e realizado por Diogo Morgado, o filme conta com Rui Unas e Lúcia Moniz no elenco. Break mostra-nos um mundo "onde a vida é tão fútil e frágil" e em que a personagem principal, interpretada por Unas, só precisa de um tempo. "Mas o que é a realidade, quando esse tempo se torna demasiado grande?"

Break é, mais do que um filme, um verdadeiro exercício de realização. Na sua estreia como realizador, o também ator Diogo Morgado mostra-nos um universo "quase" paralelo e envolve-nos na história de André. Os planos são arriscados e os movimentos de câmara são um dos pontos-chave em termos de realização. O uso do foque e desfoque é também uma constante, algo que poderá cansar em certos momentos da trama.

Destaque ainda para o bom trabalho de direção de som de Marcus Filipe, responsável por muitos dos momentos tensos da história. Abel Rosa assina a direção de fotografia, que surge de forma competente, ainda que por vezes os tons alaranjados surjam em demasia.

Quanto ao elenco, Break traz-nos dois atores bastante distintos, mas que justificam a escolha feita por Diogo Morgado. Rui Unas não será o maior ator dramático em Portugal, mas mostra que consegue ir além dos papéis de comédia a que estamos habituados. E Lúcia Moniz, com o seu registo calmo e sereno, revela-se, mais uma vez, uma das melhores atrizes da sua geração, no nosso país.

Misteriosa, envolvente e tensa. A história de Break deixa-nos, desde o primeiro minuto, intrigados o que estamos a ver. Um homem fechado num espaço? O que está ele ali a fazer? Uma pausa? Mas porquê? É com a entrada em cena de Lúcia Moniz, a mulher de André, que ficamos a perceber as verdadeiras intenções do argumentista e realizador do filme. 

A confrontação entre André e o seu mundo real, personificada pela presença da mulher,  faz-nos perceber que a história vai para além do óbvio. E, tal como André, todos nós gostaríamos de ter o nosso momento de pausa, num mundo à parte, no nosso canto. O momento perfeito. Mas será que é isso que realmente importa? Diogo Morgado deixa a questão por responder.

No fundo, Break acaba por ser uma grande metáfora das nossas vidas e este facto faz com que possamos ter várias interpretações do mesmo. Com um diálogo interessante, enigmático, mas um pouco disperso, esta intenção de deixar tudo por "descobrir" acaba por ficar bem patente no final do filme.

Por André Pereira