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Duplo Clique | "Globos sem Brilho"


A XXII Gala dos Globos de Ouro da SIC/CARAS subiu o número de audiência das edições anteriores, atingindo cerca de 954 mil telespetadores, mas esteve longe de ser inesquecível.

A cerimónia dos Globos de Ouro da SIC/CARAS voltou ao que era: uma gala televisiva sem espetáculo, numa noite pouco emocionante de uma atribuição de prémios virados para si mesmos. A noite de domingo, exageradamente anunciada como “a gala do ano”, não passou disso, e nem a novidade de João Manzarra na apresentação nem o stand-up comedy de Luís Franco Bastos surtiram grande efeito.

A cobertura em direto da passadeira vermelha de 60 metros na rua das Portas de Santo Antão, frente ao Coliseu dos Recreios, cumpriu os mínimos. Sem poder fugir das menções aos estilistas e marcas que vestiam os famosos, os repórteres da SIC mostraram-se competentes e discretos, longe de criar diálogos especialmente empáticos (também com o espetador) ou situações divertidas. Exceção feita a João Paulo Sousa, que no salão de jantar dos nomeados conseguiu estabelecer conversas com substância.

Foto: António Bernardo
Findo o desfile, a entrada na emissão da gala fez-se com uma VT musical ao estilo de La La Land, colocando atores, apresentadores e jornalistas da SIC numa coreografia com bailarinos (alguém reparou nos ex-concorrentes de Let’s Dance da TVI?). A solução, visualmente engraçada, foi ainda assim pouco espetacular e esteve longe de resultar tão bem quanto a entrada da gala do ano passado, uma das melhores dos últimos anos.

João Manzarra vestiu a pele de um apresentador em “apuros” perante o enorme desafio de suceder a Bárbara Guimarães na apresentação, e contra as expetativas eventualmente criadas, estreou-se no coliseu discretamente, refém de um texto pouco inspirado e a conseguir apenas algumas piadas bem sucedidas. À medida que Manzarra ia cortando o cabelo em resposta às piadas de Luís Franco Bastos, também a gala foi perdendo vitalidade.

Foto: António Bernardo

O palco da festa recebeu bons artistas portugueses, mas as atuações foram pouco exuberantes - ou por O Amor é Assim estar mais que batida na RFM, ou por Amor Maior ser um tema demasiado morno, ou ainda pelo facto de os Amor Electro terem cantado a canção do genérico da nova novela da SIC, Espelho d’Água, sem que se tivesse percebido a ligação da letra à história. Mais uma vez, saudades da gala do ano passado, em que Agir arrancou a plateia das cadeiras ao som de Tempo é Dinheiro, por exemplo.

O primeiro - e único - momento emocionante da noite protagonizou-o Rodrigo Guedes de Carvalho. De mão apertada à de Bárbara Guimarães, o jornalista interveio de rompante com o tema da violência contra as mulheres e mereceu aplausos de sala cheia. No extremo oposto, o humor de Luís Franco Bastos, que procurou gargalhadas e conseguiu algumas, mas soube muito a pouco face à prestação do ano passado - talvez por terem tentado repetir a fórmula, mas desta vez com piadas mais politicamente corretas.

Foto: Tiago Caramujo 
Os globos atribuídos foram pouco marcantes, não tendo havido sequer discursos mais disruptivos com aquilo que são os agradecimentos habituais de quem sobe ao palco para agradecer um prémio ou reivindicar mais orçamento público para o setor das artes. No alinhamento da gala, nem a atribuição dos globos nem os momentos de música se articularam de forma a criar espetáculo para o público que estava em casa.

A XXII Gala dos Globos de Ouro da SIC/CARAS subiu o número de audiência das edições anteriores, atingindo cerca de 954 mil telespetadores, mas esteve longe de ser inesquecível.

Vale o facto de o talento nacional na área artística e desportiva ser premiado publicamente. Para o ano há mais.

Duplo Clique - 94ª Edição
Por André Rosa

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