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Segunda Opinião | "Santa Bárbara: a milagreira da TVI"

 
A adaptação da novela mexicana La Patrona estreou no canal de Queluz de Baixo a 28 de setembro de 2015 pelas mãos de Artur Ribeiro, sucedendo Jardins Proibidos na faixa das 23h que, apesar de tudo, terminou com boas audiências. Santa Bárbara tinha como objetivo continuar os bons números deixados pela história de Vasco e Teresa. A tarefa era difícil mas tudo apontava para o sucesso da trama.

A história da mineira Gabriela (Benedita Pereira) teve algumas  dificuldades em chegar perto dos espectadores na sua primeira fase. Apesar da qualidade dos atores, das opções técnicas e do texto, a novela tinha pouca ação. As personagens e os núcleos, de uma maneira geral, não conseguiu conquistar os telespetadores.

Os resultados audimétricos desceram e Santa Bárbara seguia abaixo do milhão de espectadores. Tudo indicava para que este produto de enorme qualidade fosse renegado, visto que não tinha prendido espetadores suficientes. Contudo, a partir da segunda fase, que se passa seis anos depois, Santa Bárbara viu as suas audiências subirem e o sucesso rapidamente chegou a esta novela.

No final da primeira fase, pudemos assistir a várias mortes na trama, tais como as de Tomás (Almeno Gonçalves), Júlia (Catarina Wallenstein), Fernando (Carlotto Cotta), Felismina (Manuela Maria) e Vitó (Carlos Oliveira). Todas elas trouxeram uma reviravolta e foram boas ideias para dar ação à trama. A segunda fase inicia-se com o rescaldo destas mortes e o regresso de Gabriela e Constança, tornaram ricas, à agora cidade de Santa Bárbara.

Entretanto, as restantes personagens sofrem alterações psicológicas, como o André (David Carreira), que deixou de ser o típico sonhador; o Manuel (Tiago Felizardo) que começou a acreditar que a felicidade se consegue através da dor; a Irene (Diana Costa e Silva), que se torna numa mulher arrogante ou a Rute (Anna Eremin), que agora é uma mulher fria e reservada. Estes foram os ingredientes que a TVI usou para prender o espectador. A ideia foi bastante boa, e apesar do avanço na história, que pode trazer confusão ao espectador, a novela melhorou imenso a sua qualidade.

Com esta nova fase vieram também novos personagens, como o Daniel (Afonso Pimentel), a Jéssica (Sofia Ribeiro), Olivier (Jean- Pierre Martins), a Sara (Bruna Quintas), o Luís (José Condessa), a Sónia (Helena Costa), o João (Duarte Gomes) e a pequena Rita (Margarida Serrano). Todos eles são de uma classe social mais elevada e vieram dar equilíbrio à novela, visto que os restantes pertencem quase na totalidade a uma classe baixa. Contudo, estes novos personagens mostram-se um pouco fora de contexto e sem uma história que prenda. Servem apenas para completar o elenco. Esperemos que daqui para a frente ganhem algum espaço na história e alguma ação.

O principal cenário da novela, a mina, com esta segunda fase perdeu alguma importância, dando lugar às vinhas. A TVI deverá procurar o equilíbrio entre estes dois planos para que a mina ganhe mais relevância, visto que é um cenário pouco provável para uma novela e foi lá que a história teve o seu inicio. A segunda fase da trama foi assim uma mais valia para a novela, visto que lhe trouxe ação e os resultados estão à vista, com Santa Bárbara a liderar destacadamente face a Poderosas da SIC. Se anteriormente pusemos em causa a capacidade desta "Santa" fazer a diferença, podemos agora afirmar que os milagres realmente acontecem.

Segunda Opinião - Edição 57
Diário da TV
Uma rubrica em parceria com o Fantastic Televisão