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Segunda Opinião | "DDT: Os donos de sábado à noite"


Os Donos Disto Tudo chegaram à RTP1 para ocupar as noites de sábado. Depois de vários meses com programas muito semelhantes a ocuparem o horário (como Sabe ou Não Sabe, O Homem do Saco ou Tem um Minuto?), a estação pública decidiu mudar a sua estratégia e apostar num formato de humor com alguns dos melhores profissionais portugueses da área.

Contudo, os portugueses parecem ser indiferentes a esta novidade. Donos Disto Tudo não se impôs nas audiências e, até agora, ainda não conseguiu passar os 10% de share. Mas isso não é o mais importante, neste caso. O principal é que a estação pública trouxe de novo o humor ao horário nobre - assim como o faz com Nelo e Idália.

Em Donos Disto Tudo, Ana Bola, Manuel Marques, Eduardo Madeira e Joaquim Monchique regressam a um formato próximo de Estado de Graça. Mas agora, com mais classe. O cenário é mais contido, mas mais elegante, a banda residente mantém-se - o 'Três Tristes Trio' - e a qualidade técnica é também superior a Estado de Graça - e isso vê-se sobretudo nos sketches que recorrem ao chroma key, muito bem conseguidos neste formato.

O humor é pertinente e as interpretações são iguais ao que já nos habituaram. Pelo menos ao que estes quatro já nos tinham habituado. É que Donos Disto Tudo traz uma grande novidade: Joana Pais de Brito. A humorista vem ocupar, de uma forma natural, o lugar deixado vago por Maria Rueff. E fá-lo de uma forma brilhante. É incrível como em poucos programas, Joana Pais de Brito já nos brindou com imitações quase perfeitas de Catarina Martins, Ana Malhoa ou Cristina Ferreira. A atriz que já tinha dado cartas no humor, sobretudo no Canal Q, mas também na RTP1, em Agora Escolha, mostra agora que é realmente uma das grandes revelações da sua geração.

O formato remete-nos, em parte, para o extinto Docas, que a RTP1 transmitiu nos anos 90. E conta com um convidado semanal, que torna cada emissão mais dinâmica e um pouco surpreendente. Afinal, já passaram pelo palco do DDT nomes como Maria João Abreu, Rita Lello ou José Pedro Gomes. Neste aspeto, um ponto que, por vezes, é menos bem conseguido, é a pouca naturalidade com que alguns textos são lidos no teleponto. E isso nota-se, porque os atores não são apresentadores.

Enquanto isso, neste horário, a SIC e a TVI emitem novelas, fórmulas vencedoras mas que não se destacam pela diferenciação. A RTP1 está a cumprir o seu dever enquanto canal público, ao apostar em Donos Disto Tudo, e apesar não ser compensada nas audiências, sai a ganhar por isso.

Posto isto, o balanço que se faz de DDT é francamente positivo. Um formato que se aproxima daquilo que vemos, por exemplo, numa Revista à Portuguesa, mas com um toque de elegância e, obviamente, adaptado ao universo televisivo. Sem grandes pretensões, bem conseguido e a cumprir o seu dever: entreter. Espera-se que o público descubra o programa e que vá acompanhando, seja na televisão ou na internet.  

Segunda Opinião - Edição 48
André Oliveira (Fantastic Televisão)
Uma rubrica em parceria com o Diário da TV