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Especial "Uma Aventura" | Entrevista a Mafalda Mendes


A 14 de outubro de 2000 a série Uma Aventura chegava à SIC. Aquele que viria a ser um dos maiores sucessos de sempre da televisão portuguesa mantém-se no ar, com várias reposições, todas elas com bons resultados de audiência. 

Ao longo de uma série de especiais, apresentamos entrevistas exclusivas a caras que marcaram esta grande aventura da televisão portuguesa. Hoje, falamos com Mafalda Mendes, a Teresa das duas primeiras temporadas da série, uma das gémeas da trama da SIC.
 
Como é olhar para trás e recordar "Uma Aventura"?
Volvidos estes anos sobre uma experiência totalmente diferente daquilo a que estava habituada, olho para trás com a ideia de que tudo pareceu um verdadeiro sonho! Mas um sonho bom. Daqueles que não gostamos que terminem e que desejamos efusivamente que se voltem a repetir. 

Como recorda os tempos de gravações da série?
São óptimas as recordações: desde a equipa maravilhosa que tivemos sempre por trás de nós e que tanto apoio nos dava, aos atores e artistas em geral com quem tivemos a oportunidade única de contracenar, a responsabilidade que sentimos sobre nós e que tanto nos fez crescer, rir e chorar, mas sobretudo a cumplicidade que todos pudemos partilhar de uma forma muito saudável e divertida. Foi sem duvida uma experiência que nunca mais vou esquecer e que a trago no coração. 


A série está há vários anos no ar e o sucesso continua. A que acha que se deve este facto?
Os livros de "Uma Aventura" são livros que têm passado por inúmeras gerações. Como tal, são livros que sempre foram falados, colecionados, lidos, e que fazem parte do percurso e imaginário de qualquer criança. Quem nunca leu o livro "Uma Aventura"? Quem não fez coleções inteiras? As próprias personagens davam que falar: as diferenças entre as gémeas, as bravuras do Chico, a intelectualidade do Pedro e o pequeno João! A ideia de passar as histórias dos livros para a Televisão na minha opinião, foi visionária. 

Então parte do sucesso deve-se aos livros?
Se os livros têm tido sucesso geracional, é natural que isso se viesse a refletir se fosse para o ar uma série inspirada naqueles livros. E isso afinal tem-se mesmo confirmado. Sem desfazer o importante papel dos atores, produtores, realizadores, etc, que sim, foi fundamental, penso que o grande sucesso se deve em larga medida ao mérito das autoras.

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Ainda hoje a associam à sua personagem na série?
Hoje em dia raramente fazem qualquer associação. Quando a fazem, é imediata e primeiro pela voz, que segundo dizem, é inconfundível. Só depois vem o resto, mas sempre com a afirmação/exclamação: "Estão tão diferentes!".

Hoje, o que siginfica para si esta grande aventura?
Hoje, acordada do "sonho", tudo isto significa uma grande aprendizagem com proveitos tanto a nível pessoal como profissional. A nível profissional posso dizer que esta experiência trouxe-me a teatrealidade e capacidade de improvisação que tantas vezes são imprescindíveis ao exercicio da minha profissão: a advocacia. Qualquer advogado que se preze é um verdadeiro ator. Os advogados têm de preparar argumentos sólidos nos tribunais, seja em ações criminais ou civis. E tem de apresentar esses argumentos de uma maneira persuasiva. Esta série ajudou-me muito nisso, mas também em trabalhar em equipa. As gravações para mim, não passavam de uma brincadeira. Para a restante equipa tratava-se das suas profissões. Saber que o sucesso e trabalho dos outros poderia estar condicionado pelo meu mau desempenho, levou-me a perceber o sentido da responsabilidade e a ver facilmente problemas de várias perspetivas. A nível pessoal, milhares, mas se fosse começar nunca mais daqui sairia...