Rodrigo Guedes de Carvalho lança critica à RTP e TVI
Desde o primeiro minuto que a televisão pública tem dedicado muito espaço de antena a questionar a veracidade das audiências do novo medidor, a GFK. Recentemente, e ainda antes de se completar um mês, a estação de Queluz de Baixo decidiu não considerar mais os resultados apresentados por esta empresa. É neste contexto de o pivot da SIC, lança duras criticas à concorrência, num grande entrevista à edição desta semana da revista TV Guia.
“Eu nunca faria, nem como diretor nem como pivô, as peças e as reportagens que a RTP e a TVI fizeram. Porque sem qualquer argumentação, que não seja ‘este sistema dá para desconfiar’, dizem que ele está viciado”, começa por dizer o subdirector de informação da SIC, comentando em seguida a atitude de José Rodrigues dos Santos no Telejornal: “O José Rodrigues dos Santos gosta muito de frases bombásticas. Ele deve ter conhecimentos técnicos extraordinários na área da electrónica para dizer isso (que o sistema foi comprado na feira da ladra). Eu não me atreveria a comentar com essa certeza um sistema que não conheço tecnicamente”.

E as acusações não se ficam por aqui. Confrontado se esta revolta se prende com o facto de a RTP ser uma televisão pública, o jornalista admite que sim “eventualente mas a questão de ser estação pública é o melhor guarda-chuva que a RTP inventou nos últimos anos. Não trabalham para as audiências quando perdem, não é? Mas quando ganham ficam todos contentes. É um discurso político facilmente desmontável. Se a RTP ganha, diz: ‘A RTP prova assim que tem a preferência dos portugueses e que cumpre o serviço público’. Se a RTP perde, diz: ‘Nós não estamos na luta das audiências.’ São as duas respostas-tipo. Ou estão ou não estão. Têm de definir as coisas, de uma vez por todas. Achei a forma como aquilo foi cavalgado completamente espúrio. Tive pessoas de um nível intelectual médio-alto a perguntarem-me o que era aquilo da GfK e da Marktest, que não estavam a perceber nada. Montaram uma campanha sem provas”. E vai mais longe: “Dizer que o sistema foi comprado numa feira da ladra, como o José Rodrigues dos Santos, não me parece uma prova concreta. Dizer que se achava estranho que o presidente da CAEM fosse o Luís Marques, como o Jorge Gabriel, roça a ofensa e prova desconhecimento porque a presidência é rotativa. É o maior descrédito que se pode lançar. Isso é dizer que o sistema é corrupto ou corrompível. É a implusão de toda a Indústria. A medição de audiências não está isenta de suspeitas, mas também posso ter a suspeita de que na Marktest, de vez em quando, pagavam a um gajo para martelar as audiências. Foi nesse jogo que eu vi entrar pessoas da RTP e da TVI.”
Prestes a finalizar, um comentário ao que disse José Alberto Carvalho, quando o canal de Queluz de Baixo revelou que alertara a GfK para certas irregularidades nos primeiros dias: “Mas a TVI aceitou”, acusa Rodrigo Guedes de Carvalho: “O sistema da GfK entrou em vigor com a aceitação unânime do mercado, não podia ser de outra forma. Mas depois, com os resultados, puseram em causa o sistema. Isto parece uma brincadeira de crianças: ‘Ah, estou a perder? Então não jogo. Pego na bola e vou para outra casa.’ Isso não faz sentido! Nós nunca contestámos nada. A semana passada, ganhei sete jornais de seguida, fiz alguma peça a dizer que sou o maior? Não”, afirmou.
A terminar, o pivô do Jornal da Noite, admitiu, contudo, que “Nunca escondi que sou muito céptico em relação ao sistema das audiências. Mas é o sistema em geral. Faz-me confusão que mil indivíduos ou mil lares sejam representativos de milhões de pessoas e que isso condicione toda uma indústria, todos os postos de trabalho e todas as apostas e imagens que as pessoas fazem. Sempre me fez confusão, aqui ou no estrangeiro. Disto isto, tem de haver um sistema, pelo qual as empresas, os anunciantes e o público se regem. Se ele é bom ou mau, se é mais fiável, não tenho conhecimentos técnicos para o dizer”.
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