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Vale do Fim | Capítulo 38 (Parte 3)

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Capítulo 38 (Parte 3) - A Promessa


Alina ficou cega de raiva quando viu Artur e Miguel caírem no chão, inconscientes depois serem atingidos pela arma que George tinha em sua posse. Ela sabia que tinha de acabar com ele, apenas tinha de arranjar forma de o fazer naquele dia. Quando o vira segurar na seringa ela percebeu que ele iria injetar-lhe o liquido que Santiago tinha mencionado quando ela perguntou se havia vestígios do Projeto CM no seu corpo. Tremeu ao pensar que aquele novo soro a podia controlar novamente.
    Isso não acontecera, ela não sentira completamente nada depois do soro ter sido administrado no seu corpo. Ela estava realmente livre. Nem George, nem ninguém teria mais qualquer tipo de controlo mental sobre ela. Apenas Alina, e só Alina teria o direito de escolher as suas atitudes, tomar as suas decisões. Forçou-se para não sorrir, ela tinha de entrar no jogo. Se o seu tio descobrisse que não tinha qualquer tipo de poder sobre ela podia também mudar a sua tática.
    Foi no momento em que ele pediu para que ela se aproximasse dele que percebeu que tinha de agir, agir como se tivesse controlada, e mesmo não o estando a ser, nem parecia difícil estar a fingi-lo, talvez por ter sido controlada a vida toda, ela não sabia. Quando ele lhe deu a bengala para a mão ela percebeu que era o momento certo de agir, a vida de todos estava em jogo, ela não tinha nenhuma outra alternativa se não agir como agiu.
    O primeiro sitio onde lhe cravou o objeto afiado que se encontrava por baixo da bengala foi no local exato onde há vários anos atrás lhe cravara um tiro a mando do seu falecido tio August. O sangue dele já tinha estado naquele objeto, talvez de certa forma ele estivesse naquele momento, de forma espiritual a ver a queda do seu irmão gémeo, do velho que pensava que iria um dia ser dono do mundo.
    Quando ouviu o velho gritar de dor não perdeu tempo e voltou a esfaqueá-lo, daquela vez no abdómen. Não perdeu tempo e tirou o objeto cortante e infligiu-o no coração, assim teria a certeza que aquele velho nunca mais iria sufocá-la da forma como sufocou todos aqueles anos.
    Ele já era um cadáver, mas ela voltou a tirar o objeto e a espetá-lo no abdómen. O sangue que lhe ia saindo do corpo ia enchendo-lhe a blusa, mas foi quando uma pinga de sangue lhe sujou a cara que voltou a si. Santiago também a agarrou e ela atirou a bengala para o chão. O seu primo abraçou-se a ela e ao olhar para o corpo de George que jazia a poucos metros de distância ela não controlava as emoções. Um misto de alivio e culpa. Estava aliviada por George estar morto, por tudo finalmente ter acabado, mas estava ao mesmo tempo a sentir-se culpada. Ela tinha acabado de matar um homem, e tinha sido ela a tomar aquela decisão, não fora controlada, não fora obrigada.
    - Acabou Alina! Não te culpes por o que aconteceu! – Disse Santiago parecendo ler-lhe os pensamentos. – Se o soro tivesse surtido o efeito nenhum de nós estaria vivo, tu irias matar-nos a todos a mando dele, tu fizeste isto é autodefesa, não te culpes por favor! Não te culpes por um bem que fizeste a todos nós, por um bem que fizeste ao mundo!
    - Eu matei uma pessoa, Santiago! Eu matei o meu tio! Sou um monstro como ele. – Dizia ela enquanto as lágrimas teimavam a sair.
    O que a fazia sentir pior era que estava feliz por ter morto aquele homem. Tinha medo dessa felicidade, como se podia estar feliz depois de ter assassinado alguém. Talvez fosse normal, essa pessoa tinha-lhe feito mal desde que nascera, ele fora o culpado pelo seu pai ter injetado um soro nela, soro esse que fez com que a sua vida tomasse todo aquele rumo que tomou.
    Santiago ajudou a levantá-la e Lígia pegou no telemóvel e chamou as autoridades de Vale do Fim. Era necessário também ajudar a Artur e Miguel que se encontravam inanimados. Eles tinham morrido novamente, estavam mortos naquele momento, e eram semi-hibridos há mais de uma década. Aquilo fazia Alina pensar se daquela vez eles iriam acordar. Se o Projeto MG estaria ainda tão forte neles que os faria retornar à vida. Isso fê-la voltar a olhar para o corpo de George e sentir rancor, se perdesse duas das pessoas mais importantes da sua vida de que serviria estar completamente curada.
    - Temos de os levar antes que as autoridades cheguem! Eles vão voltar Alina, as células deles vão-se regenerar, o George soube o que fez, não acertou em nenhum dos seus órgãos vitais. Eles vão reerguer-se, daqui a uns dias estarão aqui para te apoiar, para ser o teu pilar de apoio, tudo isto acabou, finalmente nos livrámos do pesadelo que foi criado nos últimos meses! – Declarou Santiago tentando dar-lhe
ânimo. Era isso que lhe faltava naquele momento.
    - Achas que ele vai voltar? Achas que ele conseguiu sobreviver? – Perguntou Alina, a sentir novamente o seu coração apertado, pensando na probabilidade de não poder ver mais o seu filho.
    Santiago não respondeu, não precisava. Ela entendia aquele olhar, ela percebia que ele não tinha esperanças que isso acontecesse, infelizmente nunca poderia ter tudo o que queria na vida. As lágrimas, que já quase não saiam voltaram a sair dos seus olhos. Lembrou-se de todos os momentos que viveu com o rapaz. Lembrou-se da manhã em que ele batera à porta e anunciara ser seu filho, lembrou-se do momento em que George o levou de Vale do Fim, lembrou-se do retorno dele quando as invasões começaram e de cada momento de alegria que passaram juntos. Lembrou-se do momento em que abriu os olhos depois de estar tantos dias inconsciente e ser ele o primeiro rosto que os seus olhos viram. Isso fê-la chorar, fê-la cair de joelhos e soltar um grito de agonia no chão. Ela não o podia perder, não naquele momento em que tudo o que lhe faltava para ser feliz era mesmo ele.
    - Não fiques assim, não percas a esperança. Tu só podes perdê-la quando o vires morto, quando ouvires da boca de alguém que ele morreu!
    - Ele explodiu a sala de controlo. Eles são a prova! – Disse Alina soluçando, apontando para os outros híbridos caídos no chão, também inconscientes.
    Santiago pôs-lhe a mão no ombro e olhou para ela. Ela viu os olhos dele também se encherem de lágrimas. Ele queria mostrar-se forte, queria dar-lhe esperança, mas nem ele próprio a conseguia ter. Baixou-se e ficaram os dois ali a olhar para todo aquele cenário de morte e desanimo, a ouvir o barulho das sirenes que se tornava cada vez mais forte à medida que se aproximavam.
George estava morto, os híbridos estavam travados. Alina deveria estar feliz, mas não conseguia, não o conseguiria até saber do seu filho, não o conseguiria até saber que ele estava bem.

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