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Vale do Fim | Capítulo 37 (Parte 3)

 
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Capítulo 37 (Parte 3) - Domínio da Mente

Santiago entendeu o que o seu pai estava a fazer no momento em que Artur foi alvejado. Ele estava a enfraquece-los. Ele tinha trazido apenas sete híbridos com ele, Artur e Miguel dariam alguma luta mesmo estando em desvantagem. Com eles inconscientes não existia ninguém que os pudesse parar. Olhar para aqueles clones do Adão fê-lo voltar a fazer contas. Estavam apenas ali sete, ao redor do mundo ele não acreditava que estivessem mais de mil, o que significava que se encontravam milhares e milhares na Área X, isso fazia-o temer por Adão e os dois seguranças que o acompanharam.
- Achavas que eu ia deixar a Área X abandonada enquanto vocês destruíam a sala de controlo com a maior das facilidades?! – Disse o pai para ele. George parecia saber bem o que estava a acontecer. – Eu não sou burro Santiago, sei que isto pode ser uma cilada. Não vejo por aqui o Adão, por isso acho que acertei mesmo. Meu querido filho, conviveste comigo tantos anos e ainda não percebeste que eu estou sempre um passo à frente de vocês?
Santiago começou a tremer, mas não demonstrou o seu estado de nervos ao pai, encarando-o. Olhou-o nos olhos e percebeu que ele também estava nervoso, ele conhecia-o. Além disso, a sua bengala, ele estava sempre a mexer a sua bengala, a passa-la de uma mão para a outra enquanto falava. Ele apenas fazia isso quando estava nervoso, Santiago sabia-o. Vê-lo nervoso, deixava-o no fundo contente, era sinal que o seu pai era um ser humano, não apenas o monstro que queria fazer parecer. Infelizmente o monstro impunha-se, deitando para baixo o homem que ele podia ter sido.
- Alina! Já tens mais cor que da última vez que nos vimos. Se calhar sempre é verdade e o meu filho conseguiu aquilo que eu não consegui, a cura da Doença! Não era necessária a cura se ele tivesse seguido os meus conselhos, se ele tivesse morto todos aqueles que a tiveram para que nunca ela se propagasse. Talvez eu seja um mostro mesmo! – Continuou o pai a dizer enquanto acariciava a cara da sua prima.
Alina tirou a mão de George da sua cara e retribuiu:
- Tu nunca vais ser curado! Hás de morrer com essa doença! Será o teu castigo, teres uma morte lenta, sem qualquer tipo de ajuda, sem sangue do Adão, sem sangue de um hibrido, sem a cura! Tu morrerás por todo o mal que nos fizeste, a mim, ao Artur, ao Adão, ao Mundo! Tu mereces morrer, tu mereces! – Gritou Alina com todas as forças que tinha.
George voltou a aproximar-se dela, encostou-lhe a sua bengala à cara, como forma de a fazer lembrar que ela tinha sido a responsável por ela a ter de usar para a vida, quando lhe dera um tiro no joelho.
- Alina, Alina! – Disse o cientista sem ninguém perceber o que ele estava a fazer! – É bom eu falar contigo sem te controlar, não é? É bom eu já não ter qualquer tipo de controlo sobre ti, não é? – Dizia enquanto ninguém percebia o que ali se passava.
George tirou do bolso uma seringa com um liquido. Santiago sabia o que era, sabia do que se tratava e correu para o deter, mas era tarde demais, ele injetara-lhe o liquido.
- Nunca pensei em ter de o usar! – Disse George deitando a seringa para o chão. – Projeto CM, é uma anedota comparado com o que acabei de te injetar! Chamei a esse liquido Domínio da Mente. O soro que o teu pai te injetou em criança foi difícil de reproduzir, mas eu consegui. Sabias que ele o injetou em ti porque pensava que eu nunca te iria fazer mal? Nem o meu irmão mais velho me conhecia, não conhecia mesmo! Mas prosseguindo. O liquido que ele te injetou provavelmente está adormecido no teu organismo. Foram dez anos sem tomares qualquer tipo de comprimidos do Projeto CM. Tenho de te dar os parabéns, nunca pensei que fosses capaz de ultrapassar a falta de comprimidos, deves ter tido dores de cabeça insuportáveis, sintomas que pensarias ser inimagináveis. Com este novo liquido tu irás ser controlada novamente, controlada não, completamente dominada, tu agirás sem puder pensar, sem conseguir lutar com a tua mente. Na primeira noite que te injetamos o liquido eu percebi que ele não era forte o suficiente, tu lutaste contra o Controlo da Mente na altura de matares a freira, desta vez não irás hesitar nem um segundo quando matares… e imagina quem irás matar? Todos os membros da Rebelião! Tu serás a assassina da noite! Bem, a menos que o teu querido filho não consiga destruir a sala de controlo, mas ele é capaz, eu sei que é!
Santiago ficou surpreso com aquelas palavras do pai. Ele não parecia estar preocupado com a destruição da sala de controlo, ele sabia que a iriam destruir.
- Porquê essa cara, Santiago?! – Disse George virando-se para ele. – Vou-te contar um segredo. Existe uma segunda sala de controlo sabias? E não, não é na Área X, é bem longe de lá! Eu disse-vos, eu estou sempre um passo à vossa frente. Vocês podem destruir uma coisa, mas eu estarei pronto para dar uma resposta ao vosso dano! Vocês podem pensar que me conseguem vencer, mas não conseguem! Nunca, eu nunca irei desaparecer daqui eu estarei para sempre presente neste mundo, mesmo quando morrer eu assombrarei todas estas terras, todas estas cidades, nunca ninguém irá viver sem pensar que eu possa estar a ver! Acham mesmo que podem vencer alguém como eu?
 Santiago parou para pensar. Aquilo podia ser uma jogada para os deixar mais nervosos ainda. Ele atingira Artur e Miguel que ainda estavam inconscientes no chão, colocara o Domínio da Mente em Alina e naquele momento ele lhes dava a noticia de uma outra sala onde podia controlar os híbridos. Ele estava a tentá-los vencer através das suas palavras, tudo aquilo era um jogo psicológico para que eles se rendessem, era tudo o que passava pela cabeça de Santiago, ele não via outra alternativa.
Parou de pensar quando ouviu gritos de dor, fazendo-o voltar à realidade. Foi ao olhar para a frente que viu os híbridos colocarem as mãos na cabeça e a gritarem. Passados poucos segundos acabaram por cair no chão.
- Ups, parece que queimaram os fusíveis! – Disse George, parecendo estar até a brincar com a situação, sem ter qualquer tipo de compaixão pelos híbridos que estavam ali a sofrer, desmaiando de dor por a forte dor de cabeça que a explosão da sala lhe parecia ter feito. Para ele, aqueles rapazes não eram humanos, apenas robots para ele dominar aquilo que queria dominar. – Não quero precipitar-me Alina, mas provavelmente poderia dar-te os pêsames, duvido que o teu filho tenha saído daquela sala vivo. Só mesmo um milagre o poderia fazer chegar até ti outra vez.
Infelizmente, daquela vez, Santiago tinha de concordar com o seu pai. Ele tinha esperança que o rapaz conseguisse sair vivo de lá, mas a sua experiencia sabia que isso era quase impossível, provavelmente o rapaz tinha morrido lá, tal como Will e Peter.
- Agora chega de conversa, já perdi tempo de mais! Onde está a miúda? Vão dar-me ela a bem ou terei de a ir buscar eu próprio à vivenda com a ajuda da minha sobrinha? Estou a pensar em não usar o Domínio da Mente com vocês, deixar-vos vivos, mas se não me derem a bebé isso não será possível.
- Nunca levarás a minha filha! – Gritou Lígia a chorar.
- A nossa filha nunca sairá daqui! – Declararam Edgar e Joel em uníssono.
- Está bem! Vocês escolheram, não terei outra hipótese se não ter de a ir buscar à força. Gostei de vocês em tempos, não vos queria matar, mas vocês não me deixam outra hipótese. – George alterou o tom de voz, para um mais imperativo, e virou-se para Alina. – Alina, chega aqui!
A mulher foi até ele, como se estivesse em transe, fazendo Santiago ficar surpreendido novamente, o soro tinha resultado, mesmo com tantos receios por parte do pai ao longo dos dez anos que os dois o criaram.
- Pega na minha bengala, Alina! A bengala que matou o meu irmão! A bengala que irá matar todos os membros da Rebelião que aqui se encontram presentes. – Dizia o velho enquanto ela pegava na bengala. – Pressiona o botão, deixa ver esse objeto cortante! Deixa eles o verem!
Mais uma vez Santiago ficou boquiaberto. Ele não sabia que a bengala do seu pai era também uma arma, um objeto cortante, que segundo ele, matara o seu tio August.
Mais boquiaberto ficou quando viu a sua prima a perfurar o peito do seu pai, depois de já lhe ter perfurado o abdómen. Ele correu para a fazer parar, provavelmente ele já estava morto! Provavelmente George morrera com a sua própria sede de domínio!

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