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Vale do Fim | Capítulo 36 (Parte 2)

 
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Capítulo 36 (Parte 2) - As Últimas horas antes do fim

Will abrira a porta do apartamento de Joel e Lígia. Adão disse que o casal apenas levara roupas e bens pessoais importantes, estando todo o resto em casa. O único problema que tinham era a iluminação. A casa estava vazia há meses e por isso a eletricidade já tinha sido cortada por aquela altura. Santiago tinha pensado também nesse problema e oferecera-lhes um pequeno gerador para usarem naqueles dias. Se tudo corresse como o planeado, dali a dois dias estariam em Vale do Fim a festejar a vitória das suas vidas, o dia em que venceram George.
A capital estava um caos, tal como todas as grandes cidades do mundo. Na deslocação para o apartamento Will e os seus restantes companheiros viram mais de vinte híbridos a guardar locais importantes e pessoas, a quem a fome apertava, a saquearem lojas ou supermercados em busca de alimento para sobreviverem mais uns dias. O saque era a profissão com maior saída naquela altura. Se algum cidadão fosse apanhado com algum tipo de alimento, nem que fosse um simples pedaço de pão, devia temer pela sua vida, pois corria o risco de ser violentamente agredido ou de ser mesmo morto para que outros pudessem obter o bem precioso que ele tinha em posse. Era aquela a realidade chocante em que viviam naqueles tempos, a realidade que eles queriam mudar a todo o custo.
Os três acabaram por ter sorte, o casal tinha deixado a sua dispensa cheia de conservas. Comeram alguma coisa e ligaram a televisão que Joel e Lígia tinham no centro da sua ampla sala. Era um grande apartamento, o que fazia Will deduzir que os lucros do GDC eram muito elevados, tal era a grandiosidade daquela organização mundial. O segurança perguntava-se muitas vezes quais seriam, antes de todo o caos acontecer, as empresas que estavam ligadas àquela sombria comunidade. Por vezes ele tinha medo de tentar descobrir. Ele soube que o presidente esteve ligado antes de tomar comando do país e isso fazia-o sentir medo. Se pessoas ligadas ao estado estavam conectadas com tal bando, provavelmente empresas ligadas à segurança, às tecnologias, à saúde, e à alimentação também estariam. Isso era perigoso. George podia ter envenenado alimentos a pessoas, podia ter espalhado a doença através de vacinas. Ele escolheu o caminho mais brutal que podia escolher, o da violência extrema, mas tinha na mão opções bem mais silenciosas. Isso aterrava-o, como ele podia confiar em algo ou em alguém depois de tudo aquilo?
A transmissão em direto de Santiago ocorreu quando eles estavam a comer. O cientista atrasara a transmissão para que desse tempo de eles a ouvirem. Will sabia que Adão a queria ouvir. Ele lera o discurso que Santiago escrevera no papel tanto como o rapaz, mas queria ver a emoção transmitida pelo companheiro de batalha. Iria ser o último discurso antes da decisiva acção, depois desse ele faria apenas se pudesse dizer às pessoas que estavam livres. Se não corresse como esperado ele provavelmente não faria mais nenhuma, pois os híbridos ao comando do seu pai o matariam, matariam sem pestanejar, fazendo o mundo cair numa calamidade mundial. A mente de Will voltou a imaginar o cenário. Seria possível viver num cenário em que George sairia vitorioso? Provavelmente não. A humanidade viveria uma escravidão, comandada por um velho magnata com o auxilio dos seus asquerosos clones. Infelizmente eles não tinham culpa, eles não tinham escolhido nascer, muito menos ser controlados por um ser tão desprezível como aquele homem que os criou.
A esperança que Santiago transmitia durante toda o seu diálogo era louvável. Will admirava-o por isso. Era de apreciar uma atitude daquelas. Ele tentava pintar um mundo melhor, um cenário esperançoso, para algo que ele sabia que podia não vir a acabar bem, para algo que ainda era uma incógnita bastante grande, para algo que só no dia seguinte se iria comprovar se era verdade ou não!
O dia seguinte era decisivo, principalmente para Adão. Will olhava para o rapaz que estava vidrado no ecrã. Aquela seria uma noite em que ele não ia pregar olho, provavelmente nenhum dos três, mas aquele rapaz principalmente. Ao olhar para ele via que o seu estado era de um misto de emoção e desespero, e compreendia-o. O homem nem queria imaginar se com a idade que aquele miúdo tivesse uma missão como a dele. Ele provavelmente morreria antes sequer de chegar ao local onde tudo iria decorrer. Era sem dúvida uma grande responsabilidade e algo que apenas alguém destemido conseguiria fazer. Desde o momento em que ele concordara em colocar a bomba na Sala de Controlo que teve a real noção de que poderia morrer por duas razões, uma era pela bomba, se ela explodisse antes de que ele conseguisse abandonar a sala, a segunda era mesmo por ficar encurralado no meio dos seus clones e, ao sentirem ameaça, eles acabassem por agredi-lo até à morte como acontecera em Paris. Era um grande risco, mas Adão concordou.
Enquanto olhava para o rapaz lembrou-se de uma coisa, precisava de ligar para Santiago, havia ainda um pormenor da invasão que faltava discutir. Deixou a sala e foi até ao quarto. Deitou-se na cama e esperou que a transmissão terminasse. Quando terminou, Will ligou logo depois, aquilo que ele tinha para lhe dizer não podia esperar, era uma coisa importante!

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