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Vale do Fim | Capítulo 34 (Parte 2)

 
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Capítulo 34 (Parte 2) - A Cura

  Quando Santiago, Joel e Artur saíram de casa de Renato rumo à casa de Raul, Alina desceu até à cave. Ela insistira durante todo o dia anterior para ser ela a cobaia do teste da cura. Durante toda a sua vida ela fora uma cobaia nas mãos do seu pai e dos seus tios. Inicialmente era a única cobaia que poderia ser usada no Projeto CM, já que o seu pai lhe tinha injetado o Projeto no seu sangue. Anos mais tarde o seu tio August e o seu tio George foram busca-la com o intuito de gerar um novo ser, o Projeto Hibrido. Ela achava que seria a melhor pessoa para testar a cura, ela não aguentava mais viver daquela forma. Tudo o que Alina queria naquele momento era paz, viver uma vida normal junto do seu marido e do filho que finalmente estava ao seu lado.    Ela sabia que tinha sido Artur a não aceitar que ela fosse a cobaia daquela vez. Ela compreendia-o, ele tinha medo de a perder, mas ele devia ter compreendido o lado dela. Em toda a sua vida ela teve de enfrentar obstáculos que uma pessoa normal achava impensáveis, e ela sempre os conseguiu ultrapassar. Santiago pensava que a cura que criava poderia fazer desaparecer o Projeto MG para sempre. Alina perguntava-se se poderia fazer também desaparecer o Projeto CM. George, mais dia menos dia iria regressar a Vale do Fim, iria querer destruir o filho e provavelmente todos os membros da Rebelião. Durante a noite, a mulher tinha pesadelos. Pensava em como seria quando o seu maligno tio a visse. Ela, embora inutilizado, ainda tinha o Projeto CM adormecido no seu corpo. Para utilizar a primeira vez eles precisaram de lhe administrar comprimidos, mas, e se daquela vez não fosse necessário? Se daquela vez George a conseguisse controlar e ordenasse que ela matasse todos aqueles que ela mais amava junto com ele e com os híbridos, fazendo assim a sua vingança pelo tiro no joelho. Alina tinha medo da chegada desse dia, temia-o ainda mais do que a partida do filho para a Área X com o objetivo de destruir a sala de controlo. Ficar sem o seu filho mais uma vez era o pior que lhe poderia acontecer.
    Acendeu a luz da cave e foi até à secretária de Santiago. A cave era grande, mas tornava-se pequena para tantos inquilinos. Tinha de haver espaço para a cama de Santiago e Edgar e espaço para uma mesa, onde os membros da Rebelião debatiam os seus principais objetivos. A cave dava para tudo isso e ainda sobrava algum espaço. Abriu a primeira gaveta da secretária e verificou que não havia ali nada para além de papeis. Mesmo assim tirou-os para fora. Eram anotações sobre as investigações do sangue da pequena Maria. O homem contara-lhes sobre o Projeto MG, sobre que mesmo reduzido ele estava no sangue de todos aqueles que estavam infetados com a doença. Alina perguntava-se, a ler aquilo, se aquela cura que Santiago tinha criado conseguia igualmente apagar os vestígios do seu Projeto CM.
    Continuou a ler aquelas notas, ficou triste ao não ver nada que fizesse alusão ao Projeto que estava no seu corpo. Provavelmente ela iria ter de viver com esse fardo para sempre. Provavelmente o Projeto CM iria com ela até ao seu caixão. Iriam morrer os dois juntos, tão juntos como sempre tiveram em vida. Esses pensamentos eram um sufoco para ela. Ela sabia que há mais de uma década que não era controlada, mas vivia sempre assombrada com os seus pensamentos. Com os pensamentos de que um dia George pudesse voltar e a controlasse novamente e ela não fosse capaz de resistir.
    Colocou as anotações novamente na gaveta e abriu a segunda. Essa estava vazia, por isso fechou-a e passou para a terceira. Foi nessa que encontrou o frasco. Ela sabia que tinha de existir um segundo frasco. Ela vivera anos com August, sabia que ele não iria testar a sua experiencia com apenas um frasco, era necessário ter um segundo, para se algo corresse mal com o primeiro. Talvez o problema da sua vida fosse mesmo ter vivido apenas com cientistas, provavelmente quando houvesse um problema com uma cobaia, eles teriam outra como precaução. E quem melhor cobaia do que aquela que eles conheciam bem?
    Pegou no frasco e subiu as escadas, indo para casa de Renato. Miguel, Adão e Luna encontravam-se os três no quarto da rapariga. Alina começou a gritar da sala pelo filho.
    - Adão, Adão! – Gritava a mulher, até Adão chegar à sala. Ele acabou por vir acompanhado pelos dois amigos.
    - O que estás a fazer? – Perguntou Miguel ao ver a rapariga com a seringa preparada junto ao braço.
    - Adão! – Disse ela olhando para o filho, ignorando por completo a questão do outro rapaz. – Quem serei eu sem a cura? Eu preciso de me curar, preciso de ser livre, completamente livre de dor, de doenças, de Projetos! Se esta não for a verdadeira cura e eu sucumbir, eu só quero que saibas uma coisa, estes meses que passaste ao meu lado, foram sem dúvida os meses mais fascinantes da minha vida, os meses em que eu realmente soube o que era o verdadeiro significado de felicidade. Eu posso morrer se o Santiago estiver errado, mas morrerei a tentar e talvez possa ter paz! Finalmente poderei ter paz dentro de mim. Amo-te!
    Adão ficou tão surpreso e sem reação que quando começou a correr para tentar tirar a seringa da mão da mãe, já ela tinha injetado o liquido no seu organismo. Os três olhavam para ela, enquanto Alina olhava para eles a esboçar um sorriso. Não sentia nada, nem se sentia melhor nem pior, estava exatamente igual ao que se sentia antes de ter injetado a suposta cura.
    Foram precisos apenas dois minutos para começar a sentir um profundo aperto no peito, para sentir a sua pele a borbulhar, para sentir a sua barriga completamente às voltas, para sentir a sua cabeça a explodir. Antes de cair no chão o seu último pensamento fora que se não morresse da doença provavelmente iria morrer por causa da cura. Depois disso sentiu a sua mente a apagar-se.

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