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Vale do Fim | Capítulo 32 (Parte 3)

 
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Capítulo 32 - Maria (Parte 3)

Santiago estava em êxtase, a pequena Maria tinha nascido. Lígia estava com ela ao colo deitada numa cama num dos quartos desocupados da casa de Renato. A mulher estava feliz, era um dos seus maiores sonhos, o de ser mãe. Santiago sentia-se culpado por ter de tê-la usado como cobaia, a ela e à menina. Durante alguns dias, ela e Joel afastaram-se um pouco dele. Embora participassem em tudo o que estava ligado à Rebelião, quando o assunto era outro, eles evitavam-no o máximo que conseguiam. Com o passar do tempo eles perceberam que aquilo tudo era para o bem de todos. Talvez a forma que George estivesse a usar, transmitindo a doença em todos os locais em que passava, os tivessem consciencializado de que ele não tinha feito aquilo por mal, tinha-o feito por um bem maior.
Edgar também se encontrava no quarto. Tal como Joel, ele também assistiu ao parto. No fundo, parte de si tinha nascido com Maria. Ele era o seu pai. Lígia e Joel não o impediram, até lhe perguntaram se ele queria pegar nela depois de Joel a carregar nos braços. Edgar quis. Santiago viu pela primeira vez o rapaz a chorar de alegria, quando até ali só o tinha visto chorar por tristeza. Ele poderia morrer, todos os que tinham a doença poderiam sucumbir, mas Santiago morreria mais feliz ao saber que tentou de tudo para curar o mundo de uma praga.
Os dias que se passaram foram mais calmos do que Santiago poderia imaginar. Lígia cuidava de Maria incessantemente enquanto Joel a acompanhava. Edgar estava um pouco mais desgastado, a doença estava a ficar mais avançada no seu organismo e por isso a maior parte dos seus dias eram passados na cama a descansar. Já o cientista, preparava tudo para que as análises ao sangue da menina fossem realizadas nas semanas que se iriam seguir. Além disso delineava a invasão à Área X. Era algo importante, precisava de pessoas para se deslocarem ao local escondido debaixo de terra, mas até aquele momento apenas uma dezena de pessoas se tinha juntado àquela missão. Essas dez pessoas eram oriundas de todas as partes do mundo e sentiam-se sensibilizadas com a Rebelião. Entre essas pessoas estavam dois seguranças que tinham assistido bem de perto a invasão de George, a sua primeira invasão, pois desde a Invasão à Assembleia das Nações Unidas, muitos outros espaços foram ocupados por híbridos, e em todos eles George espalhava o terror e infetava uma ou duas pessoas com a Doença Negra. Santiago ouvia relatos da Doença na maior parte do mundo. Naquele momento era impossível salvar tanta gente. Ele sabia que os infetados iriam apenas notar os primeiros sintomas quatro a cinco meses depois. O seu maior receio era esse. Os primeiros infetados estavam prestes a começar a sentir os sintomas. Santiago sentia-se impotente por não conseguir dar sangue a toda a gente com a doença, isso era impossível, Adão nunca iria conseguir dar transfusões a dezenas de pessoas. Ele não era um saco de sangue apenas com o propósito de doar, ele era uma pessoa, também precisava dele. Além disso, Santiago tinha mais um problema sobre as suas costas. A constante colheita de sangue do hibrido estava a causar problemas. Ele já não apresentava a força que apresentava nos tempos em que fora para Vale do Fim. Isso significava apenas uma coisa, ou Santiago conseguia a cura através de Maria, ou iam ficar sem Adão, a sua peça fundamental para tentar resolver tudo aquilo, para voltar a trazer uma paz ao mundo.
Naquele momento a Doença Negra era o seu foco, muito por causa de Adão. Ele não podia ficar mais frágil do que já começava a aparentar. Ele era necessário para a invasão da Área X, ele era igual a todos os seus clones, ele podia infiltrar-se facilmente sem que os outros partissem para a agressão. Com todos curados, Adão não se sentiria culpado por se ausentar da Aldeia. Edgar e Raul já necessitavam de transfusões todos os dias, aquilo não poderia continuar. Santiago e os restantes ainda conseguiam sobreviver com uma dose por semana, mas com o avançar dos tempos iriam ficar iguais. Por vezes perguntava-se a si próprio como estaria o seu pai. O sangue dos clones fazia efeitos mínimos, certamente alguns clones já estariam muito fracos para lutar. A Doença estava a enfraquecer o seu armamento, ele tinha a certeza disso. Infelizmente as suas transmissões em direto e as suas invasões aos mais variados espaços mostrava que ele ainda era mais forte que qualquer um dos elementos da Rebelião. Naquele caso a união dos clones ainda tinha mais força que a união dos povos.
Dois meses haviam passado. Santiago não podia esperar mais. Adão tirava sangue todos os dias, às vezes mais que uma vez. Estava ainda mais fraco que nos dias que se seguiram ao nascimento da bebé que poderia mudar o cenário, a menina que podia ajudar a curar a doença do século. Depois de insistir muito com Lígia, ela concedeu-lhe o desejo de estudar a menina. Santiago sabia que no fundo ela tinha medo de a perder. Ela tinha medo que se algo desse errado a sua menina poderia morrer.
Maria nascera completamente saudável, sem vestígios da doença, pelo menos inicialmente. Isso era um bom presságio. Para isso acontecer poderiam estar relacionadas duas situações. A Doença Negra poderia não afetar o embrião, o que seria algo estranho visto que as mulheres que carregaram os clones e Lígia ficaram com a doença através dos embriões ou, a razão que Santiago queria que fosse a realidade, que os bebés criassem alguma resistência à doença que ele pudesse gerar no sistema imunitário dos outros. Queria criar uma vacina, um medicamento, algo que acabasse com tudo aquilo de uma vez por todas.
Santiago acreditava que a razão para que George ficasse com Adam era realmente essa, estudar o código genético do único rapaz normal a nascer em todo o processo no quarto da ovelha. A questão que ainda afligia o rapaz era por que razão ele nunca estudara ele mais cedo. A doença era algo que tinha estado sempre presente desde o inicio do Projeto, porque razão George nunca estudara Adam. Isso intrigava-o de uma forma que nunca nada tinha intrigado. Ele podia ser a chave daquele mistério, uma chave mestra, com Maria era naquele momento. Naquele momento ele queria deixar aqueles pensamentos de lado, o que queria mesmo era saber mais sobre a doença. Quando espetou a seringa no braço frágil da pequena Maria sentiu um aperto no peito, o mesmo que sentira da primeira vez que pegara num frasco com as células tronco de Adão. Eram apenas bebés, eles não mereciam o destino para que estavam guardados, nenhum dos dois. Infelizmente a vida era assim, nem todos os que sofriam mereciam aquilo. Assim que conseguiu o sangue da menina, Lígia cuidou dela para que ela parasse de chorar.
Santiago olhou para a amostra que tinha. Podia estar ali a solução para uma das maiores Pragas da sua geração!

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