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Vale do Fim | Capítulo 28 (Parte 2)

 
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Capítulo 28 - A Decisão (Parte 2)

Quando Adão viu George entrar pela porta sentiu um arrepio em todo o seu corpo. Ele sabia que isso era provável, não sabia quem o tinha deixado sair, mas uma certeza tinha, George não fora essa pessoa e por isso ele estaria à sua procura certamente, e parecia tê-lo encontrado. Adão pensou apenas que poderia demorar mais tempo, mas apenas durou um dia.
    - O Santiago foi parvo ao ponto de pensar que te podia soltar e não seres encontrado. Eu consigo sempre tudo, Adão! Podes perguntar à tua mãe, eu consigo sempre tudo aquilo que quero! – Com aquela declaração Adão conseguiu associar a voz de Santiago à voz que ouvira na noite em que saíra da Área X e isso fê-lo sentir-se feliz, havia pelo menos uma pessoa no mundo que se preocupava com o seu bem-estar e não apenas com as suas potencialidades. Ele não conseguiu falar pois George começou a falar de imediato, daquela vez dirigido para Alina. – Querida sobrinha, já lá vão anos desde o nosso último encontro! Felizmente tenho algo nesta perna que me faz sempre recordar de ti. Sei que pode ser difícil mas vais ter de te despedir novamente do Adão. O teu primo teve a infeliz ideia de o deixar escapar, mas agora está na altura dele voltar até nós. Foi uma boa reunião de família mas acaba agora!
    - Não me podes levá-lo, por favor deixa o meu filho aqui comigo! – Suplicou-lhe Alina e aquilo deu um aperto no coração de Adão. A sua mãe não o queria perder assim como ele não a queria perder a ela.
    - O teu filho?! Alina, tu fazes-me rir. Desde o inicio que tudo estava destinado a ser como foi. Desde o momento em que o teu pai te injectou o Projecto CM que tu nunca irias ser uma pessoa normal e era obvio que não terias filhos…normais. O híbrido não é um animal de estimação que tu possas impor regras e ele cumpre, o híbrido é uma máquina de guerra. Aquela menina que ele matou no inicio, quando nasceu sim, era a menina que podias criar à tua imagem, já ele, bem é melhor o teres longe. Ele é capaz de acabar com o mundo.
    Aquelas palavras doeram-lhe bem mais do que cem murros lhe iriam doer. Ele conseguia curar as dores físicas, já as psicológicas, essas não havia qualquer capacidade no seu organismo para as curar.
    - Chega! – Gritou Adão a chegar-se à frente da sua mãe. – Não quero que faças nada a nenhum deles, eu vou contigo e tu deixa-os em paz.
    - Foi isso que eu fiz até aqui meu caro híbrido. Se o teu querido Santiago não te tem tirado de lá isto não tinha acontecido. Sei que isso estragou tudo e que a partir de agora a tua querida mãe e o teu querido pai não vão descansar enquanto não souberem o teu paradeiro. E da maneira que conheço o Santiago ele não vai descansar enquanto não vir uma família feliz. Eu o vigiarei, vou impedir que isso aconteça, o teu primo não voltará a ter tanta liberdade quanto tivera até aqui! Agora vamos! Chega de conversa fiada, preciso de voltar ao Projecto.
    George virou costas para sair pela porta por onde há momentos tinha entrado e Adão seguiu-o. Quando estava prestes a sair Alina chamou-o. Ele olhava para o chão, custava-lhe vê-la naquele estado. Era estranho, ele conhecia-a apenas há um dia e não sabia porquê mas parecia que a conhecia desde sempre. Talvez fosse o elo entre mãe e filho que ele nunca tinha conhecido.
    - Por favor Adão, não vás, fica connosco, eu não te posso perder outra vez, já me bastaram os dez anos sem ti! – Alina virou-se depois para o seu tio. - Por favor George, não o leves de mim!
    - Vamos Adão, estamos a atrasar-nos! – Disse o homem ignorando a sobrinha. Adão seguiu-o cabisbaixo. À porta encontravam-se meia dúzia de clones dele que o iriam certamente escoltar para que não fizesse qualquer asneira. A cara de admiração da mãe ao ver seres tão semelhantes a ele devia ter sido algo interessante de ver mas ele preferiu não olhar para ela, ia doer-lhe mais se o fizesse e não queria sofrer mais do que já estava a sofrer até ali. Além disso, olhar nos olhos da sua mãe iria fazê-la provavelmente ainda se sentir pior, naquele momento o melhor seria olhar em frente, pensando sempre nos momentos felizes que tinha vivido num único dia. Em apenas um dia conseguiu ter mais recordações que em dez anos de vida. Ele precisava de voltar, ele tinha a certeza que era em Vale do Fim o seu lugar.
    Quando chegaram ao avião ultra-sónico George estava um pouco impaciente. Joel e Lígia ainda não tinham chegado e segundo o GPS com a localização deles eles não se encontravam assim tão longe do local quando ele enviou a mensagem. O homem queria sair de Vale do Fim o mais depressa possível, pelo menos era o que parecia ao rapaz.
    O casal demorou alguns minutos para aparecer. Quando chegaram George não perdeu tempo em colocar o avião em funcionamento, pronto a descolar. Parecia saber o que estava a fazer. Carregou num botão e aguardou um curto espaço de tempo ouviu-se uma voz. George proferiu uma palavra código e o homem disse que o espaço aéreo que necessitava iria ficar livre em poucos minutos. Adão não percebia bem o que iria acontecer, mas provavelmente o que o homem queria dizer com aquilo era que o céu iria ficar livre de outros aviões apenas para ele passar. Era impressionante como aquele velho cientista tinha uma influência tão forte que podia até controlar o céu.
    Não estiveram não ar mais de vinte minutos, muito longe das cerca de três horas que esteve no ar no dia anterior. Aquele avião era sem dúvida diferente do outro. Ele não era perito em voos, nunca tinha andado no ar até há noite anterior, mas sabia que aquele avião comandado por George era muito mais avançado que o outro. George provavelmente não tinha capacidade para pilotar um avião como aquele que ele usou para ir para Vale do Fim. Provavelmente aquele avião onde se encontravam naquele momento se pilotava sozinho ou através daquele homem que falara com George quando a viagem começou. Aquilo ocupara a mente de Adão durante toda a viagem, mas ele ficara sem respostas na mesma, havia coisas que ele não conseguia entender, aquilo era uma delas. Ao menos teria tento mais que suficiente para falar com Santiago sobre aquilo, certamente ele iria ser dos únicos a ir visitá-lo assim como Joel e Lígia.
    - A partir de hoje ficas reduzido às visitas do Joel e da Lígia, vou certificar-me que o Santiago não tem qualquer tipo de contacto contigo, não quero que incidentes deste tipo voltem a acontecer! – Disse George antes de o trancar no seu quarto.
    Aquilo era a última coisa que queria, ficar trancado naquela prisão. A sua porta nunca era trancada, apenas a porta principal daquele hall. Naquele momento nem podia visitar Edgar, a sua única companhia nos momentos em que Santiago não estava ali. Sentia-se triste, sentia-se só!

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