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Segunda Opinião | Curso de Cultura Geral


São 50 minutos de pura cultura. Esta é a melhor forma de definir o programa de Anabela Mota Ribeiro, que é transmitido pela RTP2 ao domingo, às 23h00.

O formato propõe uma noção do que realmente é a cultura geral e como esta se pode absorver. “Curso de Cultura Geral” promove a conversa entre personalidades de várias áreas, como ciências, literatura, política e religião. A verdade é que estes podem ou não ser caras reconhecidas do grande público, o que torna a conversa ainda mais interessante. O mais importante não é falar de assuntos que mudaram o mundo, mas que mudaram a visão do convidado. 

O programa segue uma linha orientadora diferente dos outros talk shows, uma vez que não impõe um tema para determinada emissão, procurando convidados para falarem sobre ele, mas procura convidados relevantes para nos contemplarem com as suas histórias sobre, por exemplo, um livro ou uma peça de teatro. Outras da peculiaridades deste formato- que à primeira vista não está aos olhos de todos- é o facto de serem convidados tantos homens como mulheres, garantido assim valores como a igualdade de géneros. 

Licenciada em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa, Anabela Mota Ribeiro é a autora e moderadora deste debate. E não poderia ser de outra forma. A jornalista esteve ligada a vários outros projetos semelhantes, como o colóquio “Nós, a cultura e eu” (2003). O seu trajeto profissional deu-lhe as armas certas para conduzir o “Curso de Cultura Geral”. A anfitriã promove a imparcialidade e respeita o espaço de cada convidado. É quase único em televisão um programa onde os comentadores não se atropelem para falar. 

“Curso de Cultura Geral” é a principal aposta da RTP2 aos domingos e traz o regresso de formatos internos ao horário nobre do canal. É a aposta ideal para uma estação pública que se diz “culta e adulta” e que está a traçar o caminho para recuperar o seu ‘ADN’, perdido por alguns anos. O lado negativo desta aposta é o horário, que se torna tardio para o amantes da cultura geral. A faixa certa seria após o “Jornal 2”, ou seja, pelas 22h, onde canalizaria espectadores vindos do informativo, que mantém o mesmo público alvo. 

As audiências deste género de programas- ainda por cima num canal como a RTP2- nunca são espelho do trabalho realizado. Este “long drink cultural” não chega aos 100 mil espectadores por emissão e não ultrapassa a marca de 1% de share. Fica abaixo da expectativa pela qualidade que têm e fica abaixo dos resultados audiométricos da estação pública. Contudo, o caminho da RTP2 é este e com maior promoção (até pelo “canal mãe”, a RTP1) o “Curso de Cultural Geral” pode atingir mais público. 

Como refere Anabela Morta Ribeiro em muitas emissões: “Não há um limite para definir cultura geral”. Esperemos que “Curso de Cultura Geral” continue a formar cidadãos mais informados, que valorizem a cultura do seu país e, claro, mantenha a RTP2 como uma alternativa a talent shows e reality shows oferecidos pela RTP1, SIC e TVI. A verdade é que “Curso de Cultura Geral” nos dá musica, hipnotiza pelos temas e revela segredos sobre cada convidado.

Por Filipe Vilhena

Segunda Opinião - 119ª Edição
Uma rubrica em parceria com o
http://diario-da-tv.blogspot.pt/

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