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Duplo Clique | Secret Story 7 - "A Honra do Convento"



Goucha foi igual a si próprio, e é nele que recai a esperança de esta edição de Secret Story poder recuperar o nível, à imagem e semelhança de quem é popular sem ser popularucho e sabe brincar sem ser brejeiro.

Foi-se a “rainha dos reality-shows”, veio Manuel Luís Goucha. A última pessoa que todos imaginariam a apresentar um reality-show na TVI entrou na gala de estreia da sétima edição de Secret Story a pés juntos, sem ter propriamente impressionado, mas tomou bem as rédeas do programa. É previsível que nos próximos tempos o apresentador se adapte ainda mais ao género, ganhando confiança, e com isso consiga elevar o nível do concurso. Sem ser pela mudança de apresentador, Secret Story 7 não apresenta, de resto, nada de novo por mais reviravoltas que dê nos terrenos da Venda do Pinheiro.

Foto: Inês Gomes Lourenço
Manuel Luís Goucha é o homem do momento em Queluz de Baixo e o anúncio de que seria ele a apresentar a nova edição de Secret Story o grande responsável por todo o mediatismo e expectativa que se criaram (e desvaneceram) até ao domingo de estreia. Na verdade, ele seria a última pessoa que todos imaginariam à frente de um programa como este. Primeiro, porque de uma forma ou de outra sempre demonstrou que não gostava do género; depois, porque o sua forma de ser e de estar em televisão nunca fez prever que tivesse qualquer ambição de o apresentar – ao contrário do que poderia suceder com Cristina Ferreira, por exemplo. Tenha aceitado um convite da TVI de forma corajosa ou sido forçado, por via de contrato, a assumir o papel, certo é que apenas uma coisa se podia esperar: profissionalismo, competência e autenticidade na apresentação.

Foi assim que se mostrou na gala de estreia, apoiado na primeira fila pelo namorado e por muito do público feminino que o acompanha há anos em Você na TV, além do público em estúdio que o mimou com longos aplausos. Goucha confessou estar um pouco nervoso, mas isso não se notou ao longo da gala. Notou-se, sim, o carácter forçado de alguns diálogos com a Voz (essa entidade abstracta que controla o jogo), a ponto de parecerem muito infantis. Sem teleponto nem aquela mesa alta e transparente onde Teresa Guilherme tinha um frasco com água e pousava os óculos e os cartões, Goucha foi igual a si próprio, e é nele que recai a esperança de esta edição de Secret Story poder recuperar o nível –  à imagem e semelhança de quem é popular sem ser popularucho e sabe brincar sem ser brejeiro.


Essa personalidade pode, de alguma forma, humanizar as histórias dos concorrentes em vez de as tratar como matéria de revista tablóide capaz de todos os atropelos em nome das vendas. O que se vê, até, no facto de Manuel Luís Goucha ter mudado a forma como encara os concorrentes, com idades entre os 19 e os 35 anos, no decurso deste desafio profissional. Ele próprio admitiu, numa entrevista a José Alberto Carvalho no Jornal das 8, ter preconceitos em relação a quem se inscreve neste tipo de programas. Aliás, como grande parte dos portugueses, inclusive aqueles que juram a pés juntos não sintonizar a TVI em casa e abominar este género de programas. Certo é que em algum momento todos o veem ou terão visto, independentemente da classe social. 

Este é, sem dúvida, o maior desafio profissional do apresentador em mais de 30 anos de carreira, e um marco na própria história dos reality-shows da televisão portuguesa, estreados há 20 anos com Big Brother e sempre com mulheres à frente das câmaras. A galinha continua a dar ovos de ouro, tendo um milhão e 684 mil espectadores visto a estreia, em média, sem dar qualquer hipótese à RTP e à SIC no horário. A ver vamos, porém, se Manuel Luís Goucha é capaz de salvar a honra do “convento”. Depois de tantos pecados, a absolvição é difícil.

Secret Story 7, todos os dias, na TVI.

Duplo Clique - 95ª Edição
Por André Rosa

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