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Vale do Fim | Capítulo 38 (Parte 2)

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Capítulo 38 (Parte 2) - A Promessa


Quando Adão saiu da cave, Santiago pegou na amostra de sangue que retirara do braço de Alina há uns minutos atrás. A sua cabeça deveria estar focada no discurso que iria apresentar na noite seguinte, durante a transmissão decisiva, mas ele devia aquilo à sua prima, ele tinha de lhe dar uma alegria. O medo dele talvez fosse não a conseguir dar. No fundo Santiago tinha receio de que afinal a cura que Alina administrou no seu próprio corpo não fosse suficientemente forte para acabar com todos os vestígios do Projeto CM. Talvez por essa razão ele não analisara isso na primeira analise que fez ao sangue, para não a entristecer de imediato. Ela tinha o direito de saber se iria ficar com o Projeto para sempre no seu corpo ou não, ele não tinha o direito de lhe esconder isso.
    Quando teve a certeza que tinha a resposta certa para lhe dar, Santiago levantou-se da mesa onde analisou a amostra de sangue, e seguiu até ao quarto onde a mulher se encontrava.
    - Já sabes? – Perguntou a mulher assim que o viu entrar no quarto.
    - Devias repousar, devias estar a dormir! – Disse Santiago, fazendo-a esperar pela resposta.
    - Não consigo dormir enquanto não tiver a certeza! – Respondeu ela.
    - Sei que também não vais conseguir quando eu te contar! – Retorquiu ele, soltando um pequeno sorriso. – Não há vestígios do Projeto CM no teu corpo. Desde que injetaste a cura que o teu corpo está completamente normal. Não existem mais Projetos que te possam controlar.
    Santiago olhou para ela. Estava a chorar, a chorar de alegria. Ele compreendia-a, ela finalmente tinha aquilo que sempre sonhara em toda a sua vida, era uma pessoa normal, podia finalmente fazer o seu quotidiano sem ter medo. Finalmente poderia ser feliz ao lado das pessoas que amava.
    - Alina… eu não te contei, mas há uma coisa que precisas de saber. – Disse Santiago a ficar mais sério novamente. – Durante estes dez anos o meu pai não parou quanto ao teu controlo. Eu não entendia a razão, mas ele sempre me pedia para o ajudar a criar um novo soro para te controlar. Ele parecia determinado em conseguir controlar-te numa próxima vez, e temo que isso ocorra agora, daqui a dois dias quando ele vier até cá. A nossa luta terminará nesse dia, isso eu tenho a certeza, ou nós ou ele, um dos lados vai sair vitorioso!
    Alina voltou a encarar o edredão, não o conseguindo encarar novamente. A noticia de que nunca mais iria ser controlada deixara-a em êxtase e aquela nova afirmação do homem tinha-lhe acertado como um murro no estômago. Ela merecia ser feliz, ela merecia ser livre.
    - Sabes… o teu pai quando morreu acabou por levar para o túmulo algo muito importante! – Disse ele, tentando voltar a colocar alguma felicidade no rosto de Alina. – Quando ele criou o soro do Projeto CM ele colocou algo que nunca revelou a ninguém, há algo a faltar que nunca o meu pai nem o tio George conseguiram replicar. A única pessoa que eles conseguiram alguma vez controlar foste tu! Por isso tu sempre foste tão importante para o Projeto Hibrido, sem ti eles nunca tinham criado o Adão e consequentemente todos os seus clones. Tu foste uma peça fundamental para eles. Recrimino isso, tanto um como o outro te usaram como um objeto, isso é uma falta de ética tremenda. Ás vezes são atos de desespero. Eu tive isso quando soube que tinha a Doença Negra. Também pensei apenas no meu bem-estar, na ciência e na cura quando expus a Lígia a uma situação daquelas, sem sequer pensar que ela poderia vir a sofrer. Não sou melhor pessoa que eles… - Começou a dizer até ser interrompido.
    - … és sim! Foste tu que libertaste o meu filho da primeira vez! Se não fosses tu, ele nunca teria saído da Área X, eu nunca poderia o ter conhecido.
    - Também fui eu que o levei de ti! – Disse, sentindo uma lagrima a correr o seu rosto. Posso não ser um verdeiro monstro, mas sou aprendiz. Aquele novo soro tem dosagens muito maiores que o primeiro que te injetaram na Roménia! Eu ajudei-o a fazê-lo. Eu sabia que era para ajudar a controlar-te e mesmo assim eu ajudei-o. O que mais serei para além de um monstro! Que tipo de homem faz isso com a sua prima?
    - Não te culpo Santiago! Tu tinhas de estar do lado dele, tinhas de o apoiar. Se não o apoiasses a esta altura estarias provavelmente morto. Eu não tenho dúvidas que ele mataria o próprio filho.
    - Eu apenas quero ser livre tal como tu! – Declarou o rapaz. – Mesmo sem qualquer tipo de Projetos no meu corpo, eu também não fui livre. Fui sempre prisioneiro do meu pai, refém das experiencias que ele queria para o mundo.
    - Vais deixar de o ser Santiago! Vamos deixar de o ser, nós os dois. Seremos livres e tudo aquilo que sofremos será apenas uma recordação que tentaremos esquecer até aos nossos últimos dias.
    - E se ele te injetar o Domínio da Mente? E se ele conseguir replicar o que o que faltava para te conseguir controlar? Sem o Projeto CM, nada que ele te injete vai surtir efeito porque não o tens, mas… e se estivermos errados!
    - Santiago, promete-me uma coisa, apenas uma coisa! Não contes a ninguém que eu não tenho nada no corpo, não tenho vestígios nem de Doença nem de Projetos. Eu não quero ser vista como uma ameaça para o George, eu quero que ele pense que me tem na mão, mesmo que não consigamos saber se isso é verdade ou não. Eu prefiro correr o risco.
    - Espera… - Interrompeu Santiago. – Estás a pensar em levantar-te da cama nos próximos dias e ires confrontar o meu pai? Estás muito fragilizada Alina, tu precisas de ficar deitada, precisas de te recompor.
    - Nunca conseguiria ficar aqui deitada enquanto o monstro do meu tio estava ali, mesmo à entrada desta casa. Eu quero ser útil nesta batalha que iremos travar. Eu quero sentir-me útil. Além disso eu quero terminar com esta guerra o mais depressa possível. Por isso promete-me Santiago, promete-me que não vais colocar nenhum entrave na minha decisão, que me vais deixar ir sem colocar qualquer tipo de entrave! Eu sei que tudo o que estás a fazer é para o meu bem, mas eu quero estar lá para ver a sua queda, quero estar lá para ver o seu fim.
    - Está bem Alina! Eu prometo que nada desta conversa que aqui tivemos será mencionada por mim até que tudo isto termine! Agora descansa, os próximos dias serão decisivos. – Disse ele acabando por abandonar o quarto.
    Dois dias depois o seu receio tornou-se maior quando viu o seu pai injetar na prima o Domínio da Mente. Mais receoso ficou quando o seu pai a começou a controlar e viu que ela estava a seguir às suas ordens. Começou a ver a sua vida a andar para trás nesse preciso momento. Ele não estava à espera que o Domínio da Mente funcionasse, ele sabia que não havia qualquer tipo de vestígio do Projeto CM no corpo de Alina, o que significava que para o controlo da sua mente estar a funcionar ele provavelmente tinha descoberto a formula exata que o seu irmão criara.
    Quando viu Alina pegar na bengala e atingir o pai com o objeto cortante que saíra da parte de baixo do utensilio que ele usava para andar, Santiago ficou em choque. Ela acertou uma vez no joelho, onde há muitos anos atrás lhe infligira dor devido ao tiro, depois acertou-lhe no abdómen, talvez pelo facto de ter alvejado o seu marido naquele mesmo sitio. Por fim, cravou-lhe o objeto no coração de forma a ter a certeza que o homem não voltaria a reerguer-se.
    Se Santiago não tivesse corrido até ela, Alina provavelmente iria continuar a cravar a bengala no corpo já inconsciente daquele velho que um dia chamou de pai, mas que se ela não tivesse morto iria matar todos aqueles que ali se encontravam à sua volta. Santiago sabia que era mau não estar triste naquele momento, mas ele não sentia tristeza naquele momento, ali, ao ver o cadáver do seu pai ele apenas conseguia sentir alívio.
    Seguiu até à sua prima e agarrou-a, abraçou-a, ficando coberto com o sangue do seu progenitor na sua camisa branca. Ela estava nervosa, ela precisava de se acalmar, o fim tinha chegado, George, o seu maior pesadelo, estava finalmente morto.

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