Televisão Nacional

test

Vale do Fim | Capítulo 36 (Parte 1)

 
Também disponível no Wattpad em http://goo.gl/uVVbsb 

Capítulo 36 (Parte 1) - As Últimas horas antes do fim

    Aquele fim de tarde era a coisa que Adão mais temia desde que chegara a Vale do Fim. O dia em que teria de voltar à Área X era sem dúvida o dia que ele queria que nunca acontecesse, mas ele sabia que tinha de o fazer, ele era o único que conseguia infiltrar-se na Sala de Controlo sem ser imediatamente descoberto pelos seus clones. De alguma forma ele sabia que eles o iam descobrir, ele não era igual a eles, não vivia com um sorriso fechado, não tinha um olhar perdido. Ele era diferente, ele apresentava uma postura mais positiva. Assim que o vissem eles iam saber. Ele tinha a certeza.
    Alina foi a primeira a aproximar-se dele. Custava-lhe vê-la a chorar, fazia-o chorar também. Daquela vez estava a segurar as lágrimas com força. Tinha de dar esperança à mãe que a missão iria ser bem-sucedida, quando, no fundo, mesmo no fundo sabia que a probabilidade de isso acontecer era de apenas metade, a outra metade é que não a voltaria a ver.
    - Meu Adão! – Disse Alina, passando a mão na cara dele. – Passamos a vida a despedir-nos! Porquê? Porque é que o destino não nos quer juntos? Porque é que ele está sempre a querer tirar-te de mim?
    - Eu voltarei mãe! Eu tenho voltado sempre! – A voz falhou-lhe com esta última frase e acabou por soltar um sorriso nervoso para tentar segurar as lágrimas. – Eu voltei quando vocês não esperavam, voltei meses depois para passar estes dias que nunca vou esquecer e irei voltar com a certeza que o mundo vai melhorar para sempre, com a certeza que o George nunca mais irá assombrar qualquer pessoa que queira viver a sua vida em paz.
    - Adão! – Disse a mulher abraçando-o.
Ao abraçar a mãe Adão viu Santiago a sair de perto deles. Isso fê-lo ficar esmorecido. Ele não aguentava ver aquela despedida porque mesmo ele sabia que aquilo podia ser uma missão suicida. Ele não se despedira e Adão achava que era mesmo essa a razão para não o fazer. 
- Ainda podes não ir! Fica connosco, o mundo pode precisar de ti, mas eu também preciso! Tu és o meu mundo, meu filho! Eu posso estar a ser egoísta, mas não quero te perder pela terceira vez, não quero e não posso. Para te perder preferia não ter acordado curada! – Alina estava a soluçar enquanto dizia aquelas palavras e nesse momento Adão não se conteve.
- Não digas isso! Eu vou voltar, quero fazer piqueniques, quero ver-te a ti e ao pai juntos até ao fim dos vossos dias e cuidar de vocês quando já forem muito velhinhos e não tiverem força para se levantarem sozinhos! Quero ser a tua bengala mãe, quero ser o teu apoio.
- Quero ser a tua bengala! – Repetiu Alina. O filho fizera-a sorrir quando ele dissera aquilo. – Que tudo isso seja rápido meu filho! E volta, volta depressa!
Alina deu lugar a Miguel que o abraçou rapidamente. O rapaz não estava a chorar, certamente não queria mostrar a sua parte fraca, mas estava visivelmente emocionado. Olhou-o nos olhos e esticou a mão para o um forte aperto.
- Estou a torcer por ti! Quero que destruas a Sala de Controlo o mais rapidamente possível e que voltes para perto de nós. É que o Artur está a ficar velho e já não tem a pedalada de antigamente, preciso de ti aqui para ter alguém à altura para competir!
Todos se riram, exceto o Artur que ficou um pouco irritado, uma irritação pequena por aquela brincadeira. No fim acabou por rir em conjunto com os restantes amigos que ali se encontravam. Quando a piada passou as caras sérias acabaram por voltar, infelizmente ainda não existiam grandes motivos para rir naquele momento.
Artur seguiu até ao filho e abraçou-o com força. Ao inicio a relação entre eles não tinha sido a melhor, mas Adão compreendia-o. A vida tinha-o tornado cético, era provavelmente a sua carapaça, a sua forma de não sofrer como tinha sofrido na década que passara. A relação foi mudando com o tempo, quando ele percebeu que o rapaz era genuíno, verdadeiro. O seu abraço foi dos mais fortes que sentira em toda a sua vida. Um abraço entre pai e filho, um abraço entre dois seres que se amavam muito e podiam não mais o fazer.
Luna foi a última pessoa a despedir-se de Adão. Ela beijou-o na face e abraçou-o.
- Queria poder-te beijar, queria poder dizer que queria que ficasses comigo ou me deixasses ir contigo! Não o posso fazer nem dizer! Mas há algo que te posso confidenciar, eu amo-te! – Disse Luna ao seu ouvido enquanto as lágrimas da rapariga teimavam a sair e a molhar parte do seu rosto, deixando-o ainda mais triste do que ele já estava.
- Eu vou voltar Luna, depois de amanhã, daqui a um mês, daqui a um ano… eu voltarei. Eu voltarei porque o meu coração está aqui! Eu poderei ir para a Área X mas deixo o meu coração contigo, o meu coração com todos vocês! Estarei a pensar em vocês quando tiver de colocar a bomba na Sala de Controlo e estarei a pensar em vocês se os híbridos me encurralarem lá! Eu não sou nada sem vocês Luna! Não sou nada sem ti! – Declarou.
- Não me faças mais chorar Adão, por favor! Meu anjo da Guarda! – Disse a rapariga cada vez emocionada.
Adão entrou no carro que Peter alugara na capital. Acenou uma última vez para todos aqueles que se despediam dele. Custava-lhe sair de Vale do Fim mais uma vez, mas tinha de o fazer, ele tinha de acabar com toda a crueldade que George estava a fazer no mundo. Dali a uns dias iria voltar e sentir-se feliz por ter conseguido vencer, pensando naquele momento e no medo que sentia como infundados. Pelo menos era o que a sua mente queria que ele pensasse, pelo menos ele queria acreditar que iria vencer. Até lá só a dúvida e o medo persistiam em não sair da sua cabeça, vencendo a pouca esperança que lá residia. Respirou fundo enquanto via a vivenda de Renato se tornar cada vez mais pequena até de deixar de ser alcançada pela sua vista. A hora decisiva estava a chegar!

Sem comentários:

Com tecnologia do Blogger.