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Vale do Fim | Capítulo 34 (Parte 1)

 
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Capítulo 34 (Parte 1) - A Cura

   Santiago não dormira na noite em que tirou o sangue à pequena Maria e não dormira na noite que ocorreu quinze dias depois. Durante aquelas duas semanas ele não tratava de mais nada, apenas daquilo, apenas da cura para a doença que tinha ajudado a espalhar. Ele sentia-se um pouco culpado por aquilo que estava a acontecer no mundo. Se o seu pai não tivesse ficado infetado pela doença, provavelmente ia esperar mais algum tempo, criar mais híbridos, até que invadisse um ponto importante do mundo. A doença acelerou as coisas e ele não o conseguiu travar. Santiago sentia todos os dias que tinha falhado perante o seu falecido tio. Ele tinha-o avisado que aquilo iria acontecer, ele devia ter-se precavido desde o inicio, devia ter arranjado forma de parar o seu pai antes mesmo de querer estudar Edgar e saber como travar uma doença eminente.    Quinze dias depois de recolher a amostra do corpo da menina ele descobriu algo. Descobriu que o seu ADN era diferente do de um ser humano normal, mas também diferente de o de Adão. Isso poderia significar uma coisa, a diferença entre os três tipos de ADN podia ser a cura para a doença. O ADN de um ser normal era aquele que era estudado nas instituições de ensino, aquele que os cientistas normais tinham conhecimento. O ADN de Adão era diferente, continha as alterações genéticas que os organismos do seu pai e da sua mãe tinham, já o de Maria, esse intrigava-o. Ela era filha de um individuo que supostamente estava curado de mutações genéticas, o seu colega Viktor o tinha curado assim como a outros elementos do Projeto MG, mas mesmo assim o ADN da menina era diferente. Ele sabia que Ligia tinha um ADN normal. Aquilo só poderia significar uma coisa, o Projeto MG nunca saíra da corrente sanguínea de Edgar, ele estava presente, embora a vacina administrada por Viktor o tenha enfraquecido tanto que não existiam qualquer tipo de vestígios. Era essa a única resposta para aquilo, e também a única resposta para a Doença Negra. Ela só existia por isso mesmo, era a resposta do Projeto MG ao seu enfraquecimento. Se uma pessoa fica enfraquecida ela vai tentar lutar com todas as forças para não sucumbir ao seu inimigo, era provavelmente isso que estava a acontecer no sistema imunitário de Edgar e de todos os infetados. Todos eles, tiveram contacto com o sangue de um hibrido ou de um infetado com a doença, ou seja, todos eles tinham um pouco de Projecto MG com eles. O Projecto MG nos seus corpos era quase inexistente, mas o pouco que residia neles fazia com que ele lutasse, com que tentasse comandar o organismo, e se não o conseguia regenerar, ele destruía-o.
    Santiago tinha sido provavelmente o primeiro a descobrir aquilo. Viktor nunca teve um terceiro ADN que pudesse estudar e George tinha medo da doença, tinha tanto medo que acabou por mandar matar todos aqueles a quem foi administrada a cura por o seu colega da PastFuture. Se Edgar não estivesse vivo, provavelmente a cura da doença iria ser um mistério, e, quando ela surgisse no mundo quando George avançasse nas suas conquistas, e os híbridos com as suas feridas infetassem os que combatiam contra eles, o cenário iria ser ainda mais catastrófico. Ele ainda não tinha a cura definitiva, mas aquilo que descobrira era sem dúvida um bom presságio para a conseguir.
    Naquela noite, quinze dias depois de fazer a primeira colheita, Santiago tinha feito outra, daquela vez a Edgar. O objetivo era fácil. Ver o que acontecia ao sangue de Maria se fosse misturado com o do seu pai infetado. Colocou a primeira amostra no microscópio e viu aquilo que já conhecia. Depois disso espalhou um pouco do sangue do progenitor infetado. Foi aí que viu. Percebeu que o seu organismo era capaz de sucumbir a doença através dos glóbulos brancos e vermelhos que provavelmente era mais resistente que os de um ser humano comum. Era por isso que Adão e os outros híbridos não eram afetados, e era por isso que Maria também não era. A Doença que a mãe acabou por apanhar fez o seu embrião provavelmente criar algumas resistências e consequentemente, criar globos brancos e vermelhos bem mais resistentes que os comuns. Era isso, a cura só poderia passar por aí, replicar os glóbulos resistentes de Maria nos sistemas imunitários dos infetados. Apenas assim eles seriam capazes de se curar, capazes de destruir todos os vestígios do Projeto MG de uma vez por todas.
    A partir daquela noite aquele tornou-se o objetivo de Santiago, apenas parava para comer e descansar por poucas horas. Ele sabia que a cura era necessária, ele sabia que era o único caminho para o mundo voltar a encontrar a paz de precisava. As pessoas não precisavam de ser comandadas por tiranos, de viver num clima de guerra e temerem uma peste negra, as pessoas precisavam apenas de paz, apenas de viver as suas vidas.
    Santiago conseguiu a primeira vacina uma semana após a sua descoberta. Havia naquele momento um novo desafio. Ele precisava de a testar. E aí residia um dos seus maiores receios. E se ele estivesse errado? E se todas as suas teorias e estudos sobre o sangue da pequena Maria estivessem errados? E se aquela vacina matasse ainda mais rapidamente a quem ele administrasse. Com todos aqueles receios, ele foi obrigado a chamar duas das pessoas em quem ele tinha mais confiança, Artur e Joel.
    Ficaram os três sozinhos na cave, a debater sobre o que deveriam fazer naquele momento.
    - O mais justo seria ser eu a levar a vacina primeiro! Fui eu que a criei, se morrer serei o culpado da minha própria experiência. – Declarou o rapaz.
    - Não sejas tão altruísta. – Respondeu Artur de imediato. – És fundamental para resolver esta situação, precisamos de arranjar outra pessoa.
    A conversa durou mais alguns minutos. Como seria de esperar Artur não queria que a vacina fosse testada em Alina e Joel não queria perder Lígia, ainda para mais naquele momento, em que tinha acabado de ser mãe. Restava apenas Edgar e Raul. Edgar também foi posto de lado, ficando escolhido Raul. O antigo padre era o mais debilitado de todos, iria morrer de qualquer forma, se não fosse feito nada, ele era sem dúvida a pessoa que deveria ser escolhida.
    E assim foi. No dia seguinte à reunião dos três, Santiago e mais alguns elementos do grupo se dirigiram até à casa de Joana. A mulher estava nervosa, já Raul, esse apresentava-se sereno.
    - É a hora! Se não me vires Joana, se não me vires a abrir os olhos durante o resto da tua vida, quero que saibas que não me arrependo de nada do que fiz há dez anos atrás, morrerei feliz porque soube o que era viver, porque soube a tempo o que Deus queria para a minha vida!
    - Não digas isso! – Disse Joana a agarrar-lhe os braços enquanto as lágrimas começavam a escorrer pelos seus olhos. – Tu vais estar aqui muitos anos, tu vais ver esta guerra a terminar, tu vais ver as inovações cientificas que o Santiago vai apresentar ao mundo, tu vais ver o Adão a ser uma das figuras de paz das nações, tu não vais morrer!
    Santiago sentiu-se triste e vacilou um pouco. O seu receio de o matar era ainda maior depois de ter ouvido as palavras deles, as derradeiras palavras de quem poderia morrer no segundo a seguir ao ser administrado o liquido que estava no frasco pronto a ser colocado na seringa. Mesmo assim o rapaz prosseguiu e administrou a suposta cura no homem.
    - Estás bem? – Perguntou uns segundos depois.
    - Não me sinto pior! – Disse Raul. Foi a última coisa que disse antes de as convulsões começarem.
    Joana correu para perto do homem que amava, completamente aflita com aquilo que se estava a passar. Santiago e Artur também correram para perto do homem. Não sabiam o que se estava a passar.
    As convulsões pararam um pouco depois, mesmo assim o homem não acordou. Não acordou nem uma hora depois, nem duas, nem três. Ficou inconsciente, em coma profundo. Isso quebrou o coração de Santiago. O Projeto MG devia ser ainda forte, ao fazer aquilo o seu organismo provavelmente não reagiu bem e provavelmente iria morrer mais cedo ou mais tarde.
    O telemóvel de Artur tocou cinco horas depois de ser administrada a suposta cura a Raul. Era Adão, e estava muito nervoso. Tão nervoso que não se entendia tudo o que ele dizia. Só passado um tempo é que ele se conseguiu acalmar e dizer aquilo que tinha para dizer. Era Alina, tinha caído inconsciente depois de se vacinar a ela própria com o outro frasco que Santiago guardou. Isso deixou-o desesperado, se Raul morresse, Alina morreria também. 
Vale do Fim | Capítulo 34 (Parte 1) Reviewed by Fantastic on 19:00:00 Rating: 5

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