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Vale do Fim | Capítulo 33 (Parte 1)

 
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Capítulo 33 - O Exército dos Clones (Parte 1)

Uma semana depois da invasão da Assembleia das Nações Unidas
    George estava sentado ao pé de uma lareira. A Antártida era realmente fria. Era também dos poucos lugares que alguém um dia se iria lembrar de explorar para descobrir alguns dos segredos que ele levara para aquela base abandonada no meio daquele deserto de gelo. Algumas historias diziam que os cientistas que ali um dia se sediaram para estudar mais sobre o continente tinham sido mortos por um grupo de ursos polares que tinham invadido o recinto, acabando por devora-los. Ele não acreditava nessas historias populares contadas pelos poucos esquimós que viu antes de ali chegar, mas pensava numa coisa, se isso realmente tivesse acontecido, seriam os híbridos capazes de acabar com os ursos? Ele não tinha medo de ursos polares por isso levara com ele apenas cinco clones.
    Adam dormia na cadeira ao seu lado. Estaria mais aconchegado na cama, mas ali estava mais quente, por isso George preferiu não o acordar. Levantou-se e foi até um quadro que tinha num dos cantos daquela sala. Era um quadro com um edifício redondo, megalómano. Era chamado por George de “Área X”. E era-o, se o edifício não estivesse debaixo de Terra as pessoas poderiam vislumbrá-lo tal como aquela estrutura representada no quadro. 
    Tirou o quadro do sitio onde o tinha colocado e olhou para o cofre que ali estava. Digitou o código e abriu-o. Vislumbrou o que lá tinha guardado e sorriu.
    - Que estás a fazer? – Disse Adam acordando e surpreendendo-o.
    George fechou o cofre e foi ter com ele.
    - Nada. Agora vamos deitar-nos. Amanhã eu irei partir por umas horas. Terei de ir à Área X buscar alguns híbridos e partirei para Paris. Quero que te portes bem durante a minha ausência.
    Quando se deitaram, George olhou para Adam. Ele foi a razão para ele deixar de viver na Área X. Aquele não era um clima bom para um jovem de dez anos. George não era burro, sabia que mais cedo ou mais tarde o seu filho iria até à Área X para destruir a sala de controlo. Por essa razão, George precaveu-se. Colocara mais de duas centenas de híbridos a vigiar todos os espaços do edifício subterrâneo, desde a entrada até à sala de controlo. Era provável que quem entrasse fosse completamente chacinado por aqueles rapazes sem dó nem piedade. A Área X estava completamente vazia, ninguém entrava lá desde que George saíra, no dia da invasão. Depois disso, apenas ele entrava, e se se esquecesse de desligar o alarme isso poderia ser o seu fim. Os híbridos não o iriam conhecer, ele poderia ser espancado por eles mesmo. Eles tinham muita força, mas acreditava que nenhum deles o iria matar. Eles não mataram ninguém na primeira invasão, provavelmente não seriam assassinos, seriam apenas temidos.
    À alvorada, George e os cinco híbridos que o seguiam, deslocaram-se até ao avião supersónico rumo ao continente europeu. Aquele avião já não causava surpresa, naquele momento apenas causava pavor a quem o visse flutuar nos céus. Depois do que tinha acontecido em três dos principais centros do mundo, as pessoas tinham medo de saber o que viria a seguir. Nos principais estados, foi declarado o Estado de Emergência, o que fez George rir-se. Eles pensavam que ele apenas iria fazer aquilo, invadir aqueles locais e declarar guerra e não fazer mais nada. Eles estavam enganados, ele estava apenas a começar.
    Chegaram a Paris a meio da tarde. Naquela altura ele já tinha mais de cinquenta híbridos para invadir um dos pontos mais importantes da cidade, a Torre Eiffel. O museu do Louvre era o seguinte monumento que pretendia tomar. As pessoas podiam continuar a visitar aqueles locais de interesse público, a única diferença é que teriam de se comportar perante os híbridos, se algo saísse do aceitável para aqueles rapazes eles partiriam para a violência. George percebera através da invasão da semana anterior que as pessoas iriam provavelmente evitar aqueles locais. Elas tinham medo daqueles rapazes que ele criara. Os dias que se seguiram a essa invasão foram um caos nas cidades periféricas aos locais invadidos. George queria testar ainda mais o poder dos híbridos e ordenou que eles saqueassem lojas, destruíssem carros, vitrinas, tudo aquilo que conseguissem. Eles o fizeram. As pessoas começaram a evitar sair de casa. O interessante, para o velho, seriam os dias que se iriam seguir. A fome ia começar a apertar, as conservas que as pessoas tinham em casa não iriam durar toda a vida, as populações daquelas cidades teriam de sair, teriam de procurar comida, teriam de roubar aquilo que os ladrões, que tinham visto naquela destruição o seu pote de ouro, não tinham conseguido roubar.
    George olhou para cima, para o topo da Torre Eiffel antes de que a ordem fosse dada aos híbridos que ali se encontravam. Foi quando ia a baixar a cabeça que começou a ouvir sirenes, várias sirenes de polícia. Toda a zona estava cercada de carros e agentes a saírem deles. Eram provavelmente mais de três dezenas de veículos e mais de uma centena de forças de autoridade. George sorriu. Ele sabia que aquilo não os ia ajudar a vencer. Era provável que quando vissem os híbridos a correr na sua direcção eles fugissem cheios de medo.
    Quando o velho deu a ordem aos seus súbditos, isso não aconteceu. Os policias ergueram as suas armas e não tiveram medo de disparar em qualquer um dos rapazes. Isso fez com que alguns deles ficassem feridos. Mesmo com uma bala no corpo eles não tinham parado de lutar, muito pelo contrario, continuavam a correr, embora com uma velocidade mais lenta que aqueles que não tinham sido atingidos.
    Os tiros prosseguiram e George viu um dos seus híbridos cair ao chão. Provavelmente tinha sido atingido mais que uma vez. Nesse momento, George assistiu a algo que o surpreendeu. Os restantes híbridos deslocaram-se até ele e fizeram uma roda em volta dele. Um escudo humano. Naquele momento ele percebeu que eles o estavam a defender. Percebeu que eles podiam ser máquinas de guerra, seres que tinham sido submetidos a uma lavagem cerebral, mas que tinham algo que ele não lhes podia tirar, o amor entre eles. Toda a vida tinham sido só eles, só se tinham uns aos outros, isso deve ter causado algum tipo de laço entre eles.
    Alguns dos híbridos carregaram o rapaz inconsciente no chão e, de seguida, olharam para os policias que estavam à sua frente, ainda de armas erguidas. Eles não tiveram tempo sequer para puxar os gatilhos, os híbridos correram tão rapidamente que eles só os viram quando os agarraram. Eles atiraram os cinco agentes ao chão enquanto os outros assistiam, impotentes, com medo de atiraram e acertarem nos seus colegas. Era agonizante ver aqueles jovens sem coração estarem a massacrar por completo os polícias. Ao ver aquilo George tinha uma certeza, aqueles cinco homens não iriam sair vivos dali.
    Aquilo que os seus olhos viam, o cenário extremamente violento, com o sangue dos cinco agentes espalhados pelo chão, fez George sentir medo, medo daquilo que poderia acontecer. Aquilo tinha acontecido apenas por um dos polícias atirar várias vezes num deles. Eles defender-se-iam provavelmente todos uns aos outros. Isso fê-lo pensar nas suas colheitas de sangue. Ele pensava em usar apenas um dos híbridos para isso, mas provavelmente recolher sangue com o avançar da doença iria tornar-se cada vez mais rotineiro, alguns deles iam morrer. O velho estremeceu só de pensar que se o fizesse, ele poderia ser um daqueles policias estendidos no chão. Isso fê-lo sentir medo dos seres que criou. Pensou pela primeira vez que tinha criado monstros difíceis de controlar.
    Naquele momento o caos estava espalhado no local. Os policias sentiam-se impotentes e George sentia medo do que tinha assistido. As coisas tinham saído do controlo e ele sabia disso. Mesmo assim ele não demonstrou a parte fraca. Foi-se embora, mas deixou cinco híbridos a defender a Torre Eiffel. Ela já estava sob o seu domínio assim como Paris estaria.
Vale do Fim | Capítulo 33 (Parte 1) Reviewed by Fantastic on 19:00:00 Rating: 5

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