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Vale do Fim | Capítulo 32 (Parte 2)

 
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Capítulo 32 - Maria (Parte 2)

Luna caminhava pensativa pela beira da estrada. Sentia a aragem fresca daquele dia de muito calor. Os carros eram poucos por isso por vezes ia para o tapete de alcatrão que se encontrava cada vez mais desgastado. Os buracos na estrada eram cada vez mais visíveis. Desde que George declarara guerra ao mundo, a população mundial estava estagnada. As escolas tinham fechado por tempo indeterminado para que as crianças estivessem protegidas de qualquer perigo. As faculdades, bancos, centros de ajuda comunitário, empresas de construção civil, todas elas estavam a trabalhar a meio-gás. O mundo estava com medo, a economia ressentia-se. Nunca um colapso económico mundial tinha feito tantos estragos em tão pouco tempo. Em Vale do Fim tudo se encontrava calmo, mas nas grades cidades a anarquia era total. As pessoas destruíam tudo e não precisavam de clones para o fazer. Eles ajudavam em algumas partes do mundo, mas não tinham ainda chegado a todo o lado. Já as lojas vandalizadas, os roubos em massa, esses já assolavam todo o mundo.
A cabeça de Luna, essa estava a lutar outra batalha, uma bem mais intima. Por vezes, deitada na cama, pensava em como era egoísta, o mundo preocupado com algo tão importante e ela preocupada com o seu próprio bem-estar. Mas aquilo era inevitável, ela estava dividida, ela não sabia por que rapaz estava apaixonada. Ela gostava de Miguel, mas Adão era o seu Anjo da Guarda, aquele que a salvara da morte, aquele com quem estaria sempre em divida.
Para conseguir algumas respostas à batalha emocional que acontecia na sua mente, Luna só tinha um destino. Ela não gostava de mentir aos seus amigos, mas naquele dia ela teve de o fazer. Não ia para casa, ia até casa de Miguel, tinha de o ver, ela estava tão desesperada que qualquer ajuda era bem-vinda, nem que fosse a divina. Joana e Raúl tinham chegado há dois meses. O homem estava bastante debilitado, Santiago estava a tentar ajudar, mas nem o caso de Edgar estava tão agravado como o dele. As transfusões de sangue de Adão, embora com alguma regularidade, não estavam a fazer o efeito esperado, melhorando umas horas e voltando ao seu estado um pouco mais grave pouco depois. A Doença Negra já não lhe afetava apenas a pele, afetava todos os seus órgãos. A única esperança para Raul sobreviver era a cura da doença, embora no seu caso ela talvez já não fosse eficaz. O antigo padre tinha uma última vontade, soltar o seu último suspiro na terra que o viu nascer.
Joana estava contente com o retorno, estar perto de Miguel era uma alegria para ela, a mulher confidenciava isso sempre que se encontrava com Luna. A rapariga gostava dela. Infelizmente Miguel ainda parecia um pouco magoado com a decisão da mãe e afastava-se na primeira oportunidade. Ela não o culpava por isso, entendia a sua posição, mas a Luna custava-lhe ver aquele distanciamento entre mãe e filho.
Naquele dia ela ia até casa de Joana, mas não para falar com ela. Daquela vez ela queria falar com Raul, ele tinha sido padre, talvez ela precisasse de uma resposta vinda de uma entidade divina, de algo que estava acima dela. Joana gostou de a receber, e perguntou-lhe se queria uns biscoitos que tinha acabado de fazer. Ela não queria, queria apenas falar com Raúl.
- Ele está acordado, hoje tem estado um pouco melhor. Talvez as transfusões do Adão estejam a fazer efeito novamente. Ele passou quase dois meses sem as receber, isso pode ter causado grandes retrocessos na cura. – Dizia-lhe Joana. Luna percebia o quanto aquela mulher gostava daquele homem. – Vais falar sobre algo que o Santiago te disse? – Perguntou a mulher curiosa em saber qual o assunto que a levava até ali.
- É sobre algo que está a acontecer sim, Dona Joana. – Disse a rapariga um pouco envergonhada com o que ia perguntar ao padre. – Quando chegar o momento eu dir-lhe-ei a si também. – Disse esboçando um sorriso e deslocando-se até ao quarto onde Raúl se encontrava.
O antigo padre encontrava-se na cama. Estava pálido, mas nada que se comparasse ao dia em que tinha chegado a Vale do Fim. Naquele momento tinha cor, a pele da sua casa já estava um pouco cicatrizada. Estava melhor.
- Luna!? É Luna, certo? – Disse Raúl surpreendido por vê-la ali. Ele conhecia-a de vista. Várias vezes era ela que ia com Adão até ali, ou quando ele não podia, levava os frascos com algum do seu sangue. – Passa-se algo?
- Não! Eu apenas precisava falar, desabafar sobre um assunto. Eu… namoro com o Miguel, mas a minha cabeça vai buscar constantemente o Adão. Todos os dias eu acordo e lembro-me da imagem dele quando me tirou do rio. Quando estou ao pé dele, o meu coração bate mais forte do que quando vejo o Miguel. É pecado eu estar com um mas passar a maior parte do tempo a pensar no outro?
- Luna! – Disse o antigo pregador enquanto olhava para ela. – És muito nova! Na tua idade é normal apaixonares-te facilmente. Não há pecado nenhum nisso. Vivemos um momento difícil, o Adão e o Miguel são, ao que me parece duas das figuras centrais para resolver o assunto que assombra o mundo. As raparigas tendem em apaixonar-se pelos rapazes fortes, pelos determinados. Eles são isso tudo! Com o tempo tu irás saber, irás escolher com qual deles queres passar o resto da vida, ou então não! Sempre pode aparecer um terceiro, daqui a uns anos e ser ele que te roube o coração. Não sabemos o dia de amanhã! Não te sintas culpada por um crime que é o teu coração que está a cometer!
O telemóvel de Luna começou a tocar. Era o seu pai. Ela atendeu para saber o que se estava a passar. Quando desligou disse a Raul que tinha de se ir embora. Estava contente, a conversa do padre podia ter ajudado, mas a verdadeira razão da felicidade era a noticia que o seu pai lhe tinha dado. Maria tinha nascido.

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