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Vale do Fim | Capítulo 31 (Parte 1)

 
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Capítulo 31 - A Rebelião (Parte 1)

    - Dizes que sou o culpado?! – Vociferou George. Lígia nunca o tinha visto tão furioso como daquela vez, ela nunca o tinha estado daquela maneira. – Então serei o culpado de mais uma coisa, daquilo que vem aí a seguir!
    Naquele momento nem Lígia nem ninguém esperava que George chamasse um dos muitos elementos do GDC presentes na Área X naquele momento ao palco. Ele estava completamente fora de si, isso fazia ela perguntar-se a razão para chamá-lo ao palco. O homem estava receoso a ir ter com ele, isso era visível na sua timidez e lentidão a caminhar para o palco.
    Quando o homem chegou ao lado de George e Santiago, o velho líder deu-lhe um murro na face, fazendo-lhe uma ferida. Aquilo chocou a multidão que olhava incrédula para todo aquele espetáculo deprimente que ocorria no palco. Joel também olhava incrédulo, mesmo ao lado dos três. Aquele murro era apenas um inicio de algo ainda mais bárbaro. George pegou num objeto cortante e fez uma ferida no braço de Santiago. Lambusou o seu dedo de sangue e levou-os à face do homem a quem fizera a ferida, misturando os dois sangues. Infetando o pobre homem, que sempre o apoiou em tudo o que se passava no GDC, com a temível Doença Negra.
Alguém tinha de o parar, George parecia um homem completamente desesperado, capaz de criar uma pandemia para não morrer sozinho. Ela sabia, desde o momento que entrara para o GDC que George queria mudar o mundo, mas tudo aquilo que ele vendia nas suas reuniões era algo revolucionário mais bom. Tinha sido enganada, agora, vendo o mundo cair em desgraça sentia vergonha do rumo que tinha escolhido para a sua vida. Das vidas que tinha estragado enquanto membro. Foi difícil não se lembrar de Joaquim, o ex-presidente do concelho onde trabalhava, na forma em como ela destruiu a sua vida.
- Desapareçam todos! – Vociferou novamente George. – Ninguém mais é bem-vindo à Àrea X. Têm uma hora para abandonar as instalações, depois disso todos aqueles que aqui encontrar, serão apanhados pelos híbridos e serão infetados com a doença.
Aquela declaração do velho deixou os elementos que ali se encontravam num pranto. Todos eles começaram a correr para a saída da sala. Lígia, porem, correu para o palco, para onde se encontrava Joel. Viu George virar-se para Santiago e pôde ouvir o que ele lhe dissera:
- E tu! Bem tu vais assistir àquilo que só deverias assistir daqui a uns anos! Aceleraste todo o processo dada a tua inocência. Devido à tua estupidez ficaste infetado com a Doença! Não tinhas de o estudar, ele não te daria respostas para a doença, apenas a compartilhou contigo! Sai da minha vista antes que te faça mais que te esmurrar.
- Como fui tão cega! – Quebrou Lígia o silencio. – Como não vi que você não prestava? Como fui cair nas suas mentiras. Você nunca quis melhorar o mundo, quis sempre moldá-lo para o poder comandar. Desde o momento que criara o Projeto, você sempre tivera em mente a criação de um exercito de híbridos… você é um verdadeiro monstro! Você não vai conseguir aquilo que quer. Se eu tiver de lutar sozinha eu lutarei até cair inanimada.
- Não estás sozinha! Eu estou do teu lado! – Respondeu Joel colocando-se ao lado dela.
Santiago nada disse, mas juntou-se a eles dois. Estavam os três no mesmo barco, estavam os três dispostos a tudo para acabar com aquilo que estava ali a acontecer.
Ao vê-los, George não conseguiu deixar de soltar uma gargalhada:
- Vocês os três não são nada sem mim! Eu só preciso dos híbridos, vocês apenas me serviram como meio para obter os meus fins.
Doeu um pouco a Lígia ouvir aquilo. Sabia que era verdade, que eles tinham sido usados por George, mas ouvir aquilo do velho, aquele que um dia admirou, que ficava em pulgas para o ouvir numa das suas palestras, doía, doía demais.
- Saiam daqui todos vocês e levem o hibrido convosco. Não terão hipóteses contra mim com ou sem o Adão, levem-no para darem esperança ao mundo, uma esperança vã! Agora deixem a Área X e nunca mais voltem! Nunca mais.
Os três fizeram isso. Juntaram-se ao resto da multidão que corria para sair dali no tempo imposto por George. Ninguém queria aquela doença! Enquanto via toda a gente a correr Lígia pensava se, aquele homem que idolatrou tantas vezes em tempos passados, teria mesmo coragem de fazer aquilo que se declarou a fazê-lo. Na inocência dela, aquele ultimato era apenas uma forma de o deixarem sozinho, ela não acreditava que ele pudesse fazer uma coisa dessas. Infelizmente, também pensava que ele não era capaz de chamar alguém ao palco apenas para o infetar, e ele fê-lo sem pestanejar.
- Preparem as vossas coisas, eu vou buscar o Edgar e o Adão e estarei na vossa casa dentro de uma hora. Com tudo preparado iremos para Vale do Fim! – Disse Santiago deixando Lígia e Joel surpresos.
Nem ela nem Joel sabiam qual era o plano de Santiago. Eles não tinham nada em Vale do Fim. A casa onde Lígia morava no centro do concelho provavelmente já estava ocupada e a de Joel também deveria estar. Certamente Artur não ia aceitá-los de braços abertos em sua casa. Ele fora enganado por eles, mesmo que os aceitasse ajudar ele iria estar sempre de pé atrás, provavelmente nunca iria confiar neles, eles iriam ser sempre aqueles que o traíram.
Sem outra forma de saber o que passava na cabeça de Santiago, os dois não tiveram outra forma se não esperar. Tal como ele dissera, em pouco mais de uma hora chegou ao apartamento deles. Com ele vinham Edgar e Adão. Cada um deles trazia uma mochila consigo. Uma mochila pequena, provavelmente apenas com algumas peças de roupa e bens essenciais.
- Como iremos viver em Vale do Fim? – Questionou Joel, antecipando-se a ela. Ambos estavam curiosos para saber a resposta.
- Existe uma cave na casa onde o Lourenço viveu e atualmente vive o Renato. Essa cave foi feita para o caso de as coisas correrem mal e o meu pai ter de ir viver para lá para se esconder da sociedade. Nós iremos para lá. Não para nos escondermos, mas para termos um abrigo e mostrar às pessoas quem somos!
- E quem nós somos? – Perguntou Lígia de imediato.
- Nós somos a Rebelião!

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