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Vale do Fim | Capítulo 28 (Parte 1)

 
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Capítulo 28 - A Decisão (Parte 1)

    A declaração de Santiago estava a fazer a cabeça de Edgar explodir. Ele nunca lhe tinha conseguido explicar a forma pela qual a doença se transmitia de ser humano para ser humano, ele nem sabia se ela podia realmente se propagar. Infelizmente podia, e tinha sido descoberto da pior forma. Estava infectado. Tanto ele como o seu pai, pelo menos era o que ele pensava. Edgar preferia nem pensar em tal cenário, sabia que George não ia reagir nada bem com a sua doença. O jovem portador da doença podia ser um alvo a abater por parte do cientista.
    - Tu podes salvar-nos, de uma certa forma podes! – Disse-lhe Santiago novamente. – Eu preciso do teu esperma Edgar, preciso de tentar saber se um filho concebido por alguém com a Doença Negra nos pode salvar. Esta doença pode fazer com que o mundo acabe! Pensa nisso.
    Santiago estava demasiado nervoso e sem esperança. Edgar parecia agora carregar nos seus ombros um grande peso, o de deixar estudar a sua linhagem e ser aquele que poderia livrar o mundo de uma nova praga mundial se ela se espalhasse por todo o mundo.
    - Vou dar-te tempo para pensares, mas não demores tanto como já demoraste até aqui. Neste momento o meu pai está a preparar tudo para se deslocar até Vale do Fim e a doença não dá sinais até três meses, pelo menos foi o tempo em que me cortei e entrei em contacto com o teu sangue. Ele não vai demorar todo esse tempo para trazer o Adão, provavelmente só irá demorar um dia devido à sua capacidade de persuasão. Tens de demorar menos que isso a decidir, amanhã por esta hora eu terei de colocar esse esperma no útero da mulher que escolhi. Ela está preparada há meses para este momento, basta uma chamada e ela estará ao meu dispor. Só tu podes mudar este cenário, Edgar. Ajuda-me a tentar descobrir mais sobre a Doença Negra, a tentar descobrir uma cura.
    O cientista deixando Edgar sozinho. Aquele silêncio era perturbador. Sentia saudades das visitas de Adão. Ele estava fora apenas há umas horas mas o tempo ali demorava mais a passar sem ninguém com quem pudesse conversar. Por um lado ele torcia para que George voltasse a trazer o rapaz para ali, no fundo ele era a sua única companhia. Santiago também era um amigo, pelo menos parecia, mas ele aprendera que não devia confiar em toda a gente que se fazia passar por seu amigo, mesmo que o comprovasse em quase todas as suas acções. Joel era um amigo para Artur, Edgar via o companheirismo entre os dois naqueles meses em que trabalharam juntos, mas isso não o impediu de que partisse de Vale do Fim com o filho dele.
    Edgar deitou-se na sua cama e olhou para o tecto. Pensava novamente no dilema em que se encontrava. Virou-se para o lado e apoiou a cabeça no ombro, olhando para o chão, para o sítio onde se encontrava o frasco vazio que Santiago já lhe tinha levado há alguns dias. Tal como ele lhe explicara, se aquilo desse certo ele e o seu filho seriam responsáveis pela salvação da humanidade se a doença algum dia se tornasse uma pandemia, mas isso deixava-o a pensar, a pensar sobretudo no seu filho. Ele ia ter uma vida tal e qual como a dele, ainda pior, uma vida igual à de Adão. Ele ainda viveu dezasseis anos, Adão não teve esse privilégio e o seu filho provavelmente também não teria. Ia ser um objecto de estudo tal como a sua única companhia era.
    Teve uma comichão intensa na testa, o que o fez levar a sua mão e coçar. Apenas tocou levemente na pele mas esse movimento foi o suficiente para a trazer consigo. Santiago provavelmente ainda estaria num estágio em que a pele apenas se descolava do seu corpo com uma força maior, mas ele bastava passar os dedos. Provavelmente estaria pior se não estivesse a ter transfusões de sangue do jovem Adão. Pensou novamente na probabilidade do seu filho ter uma resposta para a cura. Se Santiago conseguisse desenvolvê-la ele poderia curá-lo. Edgar estaria livre do Projecto MG e da Doença Negra que esse Projecto lhe trouxe.
    Várias horas depois Santiago voltara ao seu quarto. Trazia uma bandeja de comida. O seu jantar.
    - O meu pai foi para Vale do Fim, infelizmente ele vai trazer o Adão e a Alina e o Artur não vão ficar com ele. – Disse o jovem desanimado enquanto lhe entregava a refeição. Tentei que ele estivesse mais uns tempos na companhia deles, pensei que fosse mais difícil dele descobrir o que se tinha passado, mas infelizmente vivemos num mundo onde não se pode confiar nem na pessoa mais amável do mundo. – Aquelas palavras pareceram-lhe completamente sinceras. Santiago falava cada vez mais abertamente com ele e parecia-lhe cada vez mais sincero, se ele estava apenas a tentar conseguir aquilo que pretendia ele era sem dúvida um grande actor. Aos olhos de Edgar ele era a segunda pessoa em quem ele mais confiava.
    Edgar sentou-se na cama para se preparar para jantar. Antes disso, apontou para a mesa-de-cabeceira e Santiago sorriu quando percebeu que o frasco que lhe tinha dado já não se encontrava vazio, ele tinha-o feito, preferia ser lembrado como um herói e não como um cobarde que podia ter tentado salvar a humanidade mas preferiu nem sequer dar, ao cientista que mais o ajudou naqueles tempos da sua vida, aquilo que ele precisava.
    - Óptimo, tu fizeste a escolha certa! – Pela primeira vez naquele dia ele pôde ver o rapaz a sorrir e isso deixou-o a sorrir por dentro. – Amanhã provavelmente o meu pai voltará. Tenho de a contactar hoje, tem de estar tudo preparado quando ela chegar. Eles próprios vão ficar tão felizes!
    - Eles? – Edgar ficou confuso, ele não tinha falado num casal, apenas tinha mencionado uma mulher.
    - A Lígia, é ela que será a mãe do teu filho! Ela não saberá de nada, não te preocupes, ela saberá apenas que consegui um dador de esperma. O Joel, ele é estéril. Eles estão tão presos à Área X como tu por isso é impossível conseguirem um processo normal. Eles nunca contaram o desejo de ter um filho e o problema de Joel ao meu pai, se ela aparecer grávida, ele nunca irá desconfiar. O Joel e a Lígia nunca desconfiarão que o esperma é teu, eu direi que é de um amigo que preferiu não dar o nome, aliás, num caso normal eles nunca iriam saber a identidade do dador por isso não irão pressionar-me.
    - E conseguirás estudá-lo? – Perguntou Edgar quando ele acabou de falar.
    - Pensarei nisso mais tarde! Agora tenho apenas de me preocupar se essa amostra será suficiente para que ela fique grávida e para que o teu filho nasça! Sem ele o mundo pode assistir a algo que eu queria tentar atrasar o mais possível!

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