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Vale do Fim | Capítulo 27 (Parte 2)

 
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Capítulo 27 - O Quarto da Ovelha (Parte 2)

10 anos atrás
    A última visita a Vale do Fim antes da missão Guernica fez George chamar Joel. Ele era o único que tinha capacidades para fazer aquilo que ele pretendia, matar todos os sobreviventes do Projecto MG de August. Todos excepto dois. Artur e Miguel eram os únicos que George pretendia poupar na sua missão de abate à qual deu nome de uma das aldeias espanholas que foi palco de um dos maiores massacres do século anterior ao que se vivia.
    O homem percebeu pelo olhar do seu súbdito que ele não tinha apoiado a ideia, ele sabia que Joel adorava cumprir todas as suas ordens mas aquilo que ele estava a pedir naquele momento superava muitas delas. Ele não era nenhum assassino, queria sempre tudo nas margens da lei. Aquilo que ele lhe estava a pedir era algo que só iria fazer com uma ordem dele.
    - Sei que é difícil, sei que o homicídio é contra as tuas regras Joel, mas tens de entender uma coisa, aquelas pessoas que estão ali são portadoras de uma doença que não sabemos como e por onde se propaga. Queres criar uma pandemia? Queres que o mundo seja invadido por uma nova peste que dizimaria uma boa parte dos habitantes deste nosso lindo ecossistema? Estamos a lidar com o desconhecido Joel. Eu poderia pedir ao Lourenço, mas sabes que ele nunca iria ceder, ele nunca iria matar a mulher, a mãe do filho dele. Restas-me tu Joel, tens de ser tu!
    Joel olhou-o nos olhos, queria sem dúvida recusar aquilo que ele lhe estava a pedir mas não tinha coragem para o fazer. Em vez disso questionou-o.
    - E o Artur e o Miguel? Porque ficarão vivos? Eles não podem propagar a doença?
    - Tocaste no ponto certo Joel. Eles são semi-hibridos, provavelmente o seu organismo combaterá a doença. Além disso eles ainda nos podem ser úteis. O Miguel, principalmente o Miguel.
    George não poderia estar tão certo, e, dez anos depois tudo isso estava a vista. Lembrou-se daquela conversa que tivera na década passada com o seu homem de plena confiança e constatou aquilo que para ele era obvio, o semi-híbrido era útil, nem que fosse para lhe trazer o verdadeiro híbrido novamente. Aquele que o seu filho se deu ao trabalho de deixar escapar.
    Miguel era a sua única hipótese para conseguir resgatar o seu precioso híbrido de volta. O problema é que o rapaz não lhe estava a facilitar a vida. Ele propôs-lhe uma cura para as suas condições de semi-híbrido e isso fez o rapaz estremecer, mas não o fez levá-lo até a Adão. Provavelmente ele não queria ferir Artur e Alina, nem que isso fosse faze-lo sofrer.
    Quando as portas fecharam e Miguel ficou cercado pelos híbridos, George conseguiu pela primeira vez observar um certo medo por parte do rapaz. Ele era corajoso, e talvez a sua preocupação em que ele um dia poderia seguir um caminho que o pudesse atrapalhar não se previa, pelo menos nos próximos anos. Miguel não lhe parecia ser um jovem que fosse assaltar bancos, assassinar pessoas usando o seu poder, espalhar o caos sozinho. Artur tinha-o criado bastante bem para ele enveredar por esse caminho. Isso era bom, George não queria concorrência, seria ele a espalhar o caos na altura certa, não um simples semi-hibrido.
    - Vamos Miguel! Pensa rápido, eu não tenho muito tempo nem paciência para estar aqui e posso mandar estes híbridos todos esfarraparem-te. Claro que sei que tu irás dar uma boa luta, és tão forte como eles. Isso faz-me apreciar um bom espectáculo, por isso não vou perder muito tempo com isto. Quando te matar irei até vossa casa ver a minha sobrinha que… bem, não tenho saudades nenhumas, já que o único presente que me deu foi-me deixar ficar com esta bengala toda a vida.
    George pôde ver Miguel a tremer. Provavelmente tremia de medo e raiva, no fundo Alina tomara conta dele durante muitos anos, Artur e ela foram as suas verdadeiras figuras paternais. A última coisa que ele queria era vê-los mal, vê-los a sofrer. Sabia que só com aquela técnica de persuasão conseguiria alguma coisa.
    - Tu nunca os matarás, nunca me matarás também! Se nos quisesses mortos tinhas-nos morto há dez anos atrás quando tiveste oportunidade de te desfazer de todos os outros sem deixares rasto…se não o fizeste é porque tinhas algo em manga, algo que te dizia que precisavas de nós. – Arrematou Miguel.
    George sabia que era verdade, aquilo que o rapaz estava a dizer, mas nunca iria dar o seu ponto fraco por isso mesmo começou por dar a ordem aos clones para começarem a atacar. Quando eles se começaram a aproximar ainda mais do jovem ele pôde vê-lo a correr a uma velocidade tão rápida como qualquer híbrido, constatando mais uma vez aquilo que já sabia, ele era um híbrido em toda a sua plenitude, apenas não podia ser controlado mentalmente. O rapaz corria e todos os clones corriam atrás dele, cumprindo as ordens impostas pelo seu dono.
    Miguel correu mais de cinco minutos em círculos pelas paredes circulares do avião ultra-sónico. Correu e correu, até que parou em frente a ele.
    - Manda-os parar! – Pediu o rapaz.
    - Porque faria isso? – Disse ele sem os mandar parar, fazendo Miguel correr novamente para não ser apanhado por aquele bando de pessoas sem alma.
    - Eu levo-te até ele! Diz a eles para pararem e eu levo-te até ao Adão. Mas só te levo até ele se me prometeres que não fazes mal a nenhum de nós! Levas o híbrido e ele nunca mais volta até cá. Tudo fica como antes…menos aquilo…menos eu continuar a ser um semi-hibrido. Se eu te levar a ele tens de me prometer que me tiras todos os poderes de semi-hibrido.
    - Feito! Mas só uma coisa, achas que vais conseguir viver sem todas as regalias que tens? – Questionou George. – Olha para a minha perna. Desde que a Alina me deu um tiro que o meu joelho numa mais ficou bom… se eu tivesse as tuas propriedades genéticas, eu teria ficado completamente são desta perna em apenas algumas horas. Tu vais tornar-te tão frágil como a Alina, como a Luna, como qualquer outro dos teus colegas de escola! Estás preparado para sobreviver se voltares a cair de um precipício como caíste há dez anos atrás? Estás preparado para não sobreviver se alguém controlado por mim te desse meia dúzia de tiros como a Alina deu no Artur a mando do August?
    George ficou a contemplar aquele silêncio que se fazia. Era aceitável aquela espera de Miguel para pensar. Ele provavelmente não tinha pensado naqueles pormenores quando pensou em aceitar o que o cientista lhe propusera. Sem o Projecto MG presente no seu corpo ele seria apenas mais um ser humano no mundo, um ser frágil que se machucaria de uma forma que não se machucaria naquela altura.
    - Mesmo com todos essas desvantagens acho que nenhuma supera a de viver ostracizado para sempre por uma sociedade que pode não me compreender. Eu dou-te o híbrido, e tu dás-me esse soro misterioso que me reverte todo o Projecto do corpo.
    - Muito bem! Diz-me onde está o Adão… em seguida eu dou-te o frasco que trouxe, sabia que poderia precisar dele, sabia que tu me irias ajudar e por isso trouxe comigo uma prenda para uma pessoa especial.
    - O Adão está na nossa casa! – Declarou Miguel dando-lhe de seguida as coordenadas.
    George ficou contente. Ele não sabia onde a casa do investigador se localizava. Ele tinha perguntado a Joel mas ele disse que nunca lá tinha ido, ele sabia que provavelmente era alguma mentira, eles foram colegas durante meses e Artur vivia numa aldeia pequena onde tudo se sabia, era impossível ele nunca ter tido conhecimento da localização daquela casa. Agora já a tinha.
    - Sabes, tu e o Artur foram os únicos que o Viktor não conseguiu curar… - Começou George por dizer enquanto se aproximava de uma pequena gaveta. - … ele disse-vos que o Projecto MG fazia parte de vocês e que se ele fosse retirado do vosso sistema imunológico vocês não sobreviveriam! – Tirou da gaveta um pequeno frasco azul e deu a Miguel. – Toma, bebe.
    Miguel começou por ficar receoso com aquilo, o homem conseguiu ver isso pela sua expressão enquanto pegava no frasco.
    - Bebe! – George começava a mostrar-se impaciente e isso fê-lo beber. Quando viu a expressão do rapaz a beber o liquido começou a rir-se.
    - Isto é…
    - …água! O Viktor tinha razão no que dizia, o Projecto MG é um complemento do vosso organismo, é impossível reverter isso, vais ser assim para toda a tua vida. Mas eu também tinha razão quando disse ao Joel para matar todos os elementos do Projecto MG excepto tu e o Artur… eu sabia que um dia me podias vir a ser útil, e parece que eu nunca me engano! Agora vamos, estou ansioso por ver a minha sobrinha!
    George e Miguel saíram do avião ultra sónico. Miguel vinha cabisbaixo e desolado. Provavelmente estava devastado por ter caído numa cilada que iria causar dor às duas pessoas que lhe tinham dado abrigo durante todos aqueles anos.
    Para George também iria ser um dia marcante. Iria ser o dia em que estaria frente a frente a Alina depois de tudo o que se tinha passado no convento há mais de quinze anos. Ela era sua sobrinha, mas ele não sentia qualquer tipo de amor por ela, ela era um objecto para si, tal como quase todas as pessoas que se encontravam na sua vida, mas Alina era diferente, era alguém que ele tinha gosto em ver sofrer, principalmente depois de o ter deixado manco. Tirar-lhe Adão de perto dela ia-lhe dar um gozo tão grande como lhe dera há dez anos atrás.
    Quando chegaram a casa de Artur e Alina, George advertiu Miguel para que ele não fizesse nenhuma loucura, se ele pedisse para Alina e Adão fugirem eles iriam ser apanhados. Os clones de híbrido tinham ido com eles, a casa estava cercada, não havia escapatória possível, mesmo que o híbrido tentasse fugir a correr. Não havia qualquer tipo de escapatória, era impossível fugir de George.
    Miguel abriu a porta e Alina ficou surpreendida por vê-lo tão cedo em casa. Depois de ver que George estava atrás de si, ela congelou durante um tempo. Talvez pensasse que ele nunca iria descobrir que o Adão se encontrava ali.
    - Desculpa Alina! – Dizia Miguel a chorar, estava também completamente de rastos com aquilo que tinha feito, no final de conta tinha sido ele a dizer onde o híbrido se localizava, embora não tivesse toda a culpa daquilo estar a acontecer.
    Alina olhava para George. Olhava-o com medo. Ela sabia bem do que ele era capaz, já tinha visto o que ele fazia para conseguir ter tudo aquilo que ele queria.
    - Querida sobrinha, já lá vão anos desde o nosso último encontro! Felizmente tenho algo nesta perna que me faz sempre recordar de ti. Sei que pode ser difícil mas vais ter de te despedir novamente do Adão. O teu primo teve a infeliz ideia de o deixar escapar, mas agora está na altura dele voltar até nós. Foi uma boa reunião de família mas acaba agora!
    Adão não queria ir, mas cedeu, também ele conhecia o temperamento de George, também ele sabia do que era capaz. A despedida dele com a sua mãe pode ter sido emocionante, mas ele não ligava a sentimentos, apenas ligava ao que importava, tinha novamente o seu híbrido de volta.

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