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Vale do Fim | Capítulo 26 (Parte 3)

 
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Capítulo 26 - Adão? Adão? Adão? (Parte 3)


    Quando Miguel estava prestes a entrar pelo portão da escola ele viu-o. Adão estava ali ao lado do sítio onde estudava. Isso deixou-o aborrecido. Ele estava lá quando o jovem rapaz e Artur tinham tido aquela conversa. Ele tinha sido bem explícito quando tinha dito que não o queria fora de casa sozinho. Adão não conhecia Vale do Fim, porque razão querer aventurar-se sozinho pela aldeia. Isso deixou-o a pensar no que ele teria em mente e a desconfiança sobre as suas verdadeiras intenções voltaram. Gritou por ele, mas o rapaz apenas o olhava com um ar completamente apático. Pegou no telemóvel e ligou furioso para Joana.
    - Porque é que o Adão saiu de casa? Ele não conhece nada de Vale do Fim porque anda sozinho aqui ao pé da escola.
    Miguel percebeu que Alina demorou um tempo a responder. Ele não entendia se ela tinha ficado surpreendida por perceber que ele não estava em casa ou se o estava a encobrir.
    - Deves ter visto alguém parecido Miguel. O Adão está sentado aqui ao pé de mim. (…) Desculpa Miguel, deves ter visto outra pessoa. O Artur está-me a ligar. Boas Aulas.
    Percebeu que ela o estava a encobrir. O porquê era agora o que lhe estava a fazer ferver por dentro. Como é que ela poderia dizer que o rapaz estava ao pé dela se ele estava ali à sua frente, a olhar fixamente para ele.
    Quando Adão o viu andar na sua direcção ele começou a andar também. Um pouco depois começou a correr a uma velocidade estonteante, ali, numa área que existiam algumas pessoas a passar, principalmente em dias de escola. Miguel achou aquilo um acto inconsciente mas queria saber para onde ele ia, queria saber porque razão ele tinha saído de casa só para ir até à sua escola. Seria para ver Luna? Seria para o espiar? Enquanto corria sem rumo atrás de Adão.
    Adão parou. Ele reconhecera aquele sítio, estavam no meio da floresta, perto do local onde o acidente tinha acontecido. Alguns dos eucaliptos encontravam-se caídos no chão e, um pouco há frente ele vislumbrou. Era um disco gigante ali pousado, o mesmo disco voador que estava por cima das suas cabeças na noite anterior.
    - Era isto que me querias mostrar? Encontraste o disco voador? Como? Tu nunca saíste de casa durante a noite, como podias saber que isto estava aqui? Foste tu que o trouxeste? – Miguel fez tantas perguntas que sabia que Adão nem se lembraria das primeiras, mas ele estava nervoso, porque razão estavam ali.
    - Tem calma! Ele não te vai responder a nada, mas eu posso responder-te a tudo. – Disse uma voz que surgira por trás de Miguel.
    Miguel virou-se para trás e viu um velho com uma bengala e a coxear a aproximar-se deles. Era parecido com o velho August, pelo menos das memórias que tinha quando era pequeno.
    - August? – Perguntou imediatamente ao vê-lo. – É você?
    - George. – Declarou o homem esticando o braço para lhe dar um aperto de mão. Fez-se luz na cabeça de Miguel, claro que não era August, era o seu irmão gémeo, aquele que provocara o acidente. Estava tudo a acontecer tão depressa que Miguel nem conseguia raciocinar direito. – O Adão não te vai conseguir responder a tantas perguntas porque… bem… ele não é o verdadeiro Adão. Ele é apenas um clone dele. Mas ele não te vai fazer mal, eu posso controlá-lo queres ver. – Disse George voltando-se para a réplica de Adão. – AJ traz-me um pau de eucalipto. 
    Assim que o velho disse aquilo Adão correu até ele e deu-lhe um pau de eucalipto. Aquela cena assemelhou-se à de um cão amestrado a dar o seu pau ao dono.
    - Agora dá um aperto de mão ao Miguel, AJ! Ele vai ajudar-nos a levar o Adão de volta para o lugar dele. – Voltou o homem a dar a ordem e o rapaz cumpriu sem qualquer entrave. Foi aí que o rapaz percebeu que aquele que estava ali diante si não era Adão, aquele era apenas um robô de carne e osso. Apenas fazia o que lhe ordenavam.
    Miguel não entendia bem o que estava ali a acontecer. Aquele clone seria perigoso o suficiente para fazer mal a alguém? Adão parecia pacato, porque o seu clone não era? Porque razão pareciam ser tão diferentes se eram tão iguais. Lembrara-se do que Artur dissera sobre George e August, eles eram iguais mas as suas intenções eram totalmente diferentes. Ambos queriam mudar o mundo, de maneiras diferentes. Enquanto um o queria curar o outro apenas o queria dominar. E Miguel estava perante da forma pela qual ele pretendia fazê-lo. Olhava para aquele Adão sem sorriso, para aquele ser comandado. Miguel percebia agora que os robots podiam ser feitos de carne e osso.
    George começou a caminhar para junto daquele OVNI que o assustara na noite anterior. Pediu a Miguel que o seguisse e ele assim o fez. O clone de Adão seguiu-os também assim que o velho de bengala lhe deu a ordem. Enquanto caminhava Miguel vislumbrava aquele aparelho. Era feito com um metal idêntico ao de um foguetão. Eram idênticos a um alumínio aeroespacial. Não tinha qualquer tipo de janelas, não deixando ninguém ver o que se passava por dentro ou ver o que havia fora. Miguel não disse mas pensou em como um objecto daqueles poderia estar ali sem que ninguém desse conta? Ele e Adão não deveriam ter sido os únicos na aldeia a verem aquele objecto.
    - Sei no que estás a pensar! – Disse George a olhar para ele. Isso assustou-o, seria ele capaz de ler pensamentos também? A sua ciência estava assim tão avançada que era capaz de, além de criar aqueles objectos voadores e clones humanos, criar algo que lê-se os pensamentos dos comuns mortais. – Não convivi contigo mas o meu filho conviveu algum tempo. O Santiago falava-me de ti! – Aquela revelação deixou-o intrigado, o Santiago era filho dele? – Ele sempre me dissera como eras um rapazito curioso. Por esta altura deves estar a perguntar-te como ninguém se encontra aqui. Policia a investigar, jornalistas a atrapalhar… bem, a GDC é muito influente no mundo. Este nosso meio de transporte foi apagado dos radares, ele nunca andou no céu, pelo menos oficialmente. Claro que há relatos de populares que o viram no céu, mas são abafados por alguém superior a eles. Existe um membro da GDC em cada esquina meu caro Miguel, podemos actuar nas sombras mas somos fortes. Alguém um dia disse que não se pode confiar nem na própria sombra. Talvez ele pudesse pertencer à GDC, a sombra do mundo.
    Miguel ficou completamente espantado com o objecto por dentro. Ele podia ser feito de metal mas era impossível ele perceber isso, já que todas as paredes estavam forradas com papel de parede. Era uma mini casa, uma caravana aérea. Tinha sofás, uma cozinha, e parecia bastante confortável. No centro do objecto voador havia uma mesa circular onde se localizava o computador que controlava tudo.
    - Foram necessários anos e muitos estudos para conseguirmos chegar a este avião supersónico. – Declarou George ao vê-lo admirado. – Foi investido neste protótipo cerca de duas décadas, é difícil quando um avião ultrapassa a barreira do som. Muita gente fala de extra-terrestres, mas muitas vezes as ditas naves que se vêem pelos céus são bem humanas. A nossa foi estudada nos mais diversos pontos do mundo, era impossível não surgirem qualquer tipo de relatos sobre elas. Não quer dizer que eles não existam, um universo tão grande não pode ser só ocupado por nós, mas eles não são culpados por tudo o que de estranho aparece no céu.
    Miguel assustou-se quando viu mais de vintes jovens iguais a Adão sentados no chão, numa das paredes do avião.
    - São muitos, não são? – Disse o velho ao ver que aquela cena lhe tinha chamado à atenção. – Mas não são o que eu quero. Eu quero o Adão, o verdadeiro, não as réplicas dele. Acho que me entendes. Todos preferem o original a uma cópia barata. E sei que tu me podes ajudar Miguel, tu mais que ninguém sabe que o mundo nem sempre é cor-de-rosa, que nem sempre tudo é como queremos. Eu já sou velho e só queria fazer aquilo que sempre quis e que por infelicidade e implicância do destino não me foi facultado. Eu só queria o híbrido e alguém me o tirou. Eu preciso dele Miguel. Entrega-mo.
    Miguel ficou receoso com as palavras do velho. Aquelas lágrimas que começavam a sair-lhe dos olhos eram provavelmente lágrimas de crocodilo.  Ele sabia como Alina estava feliz por ter o seu filho de volta, além disso o seu sangue tinha propriedades que a faziam sentir-se melhor, ele não podia dar-lhe o Adão, eles não o perdoariam depois disso. Era insensato pensar em fazer isso a quem o acolheu de braços abertos há alguns anos atrás e o trataram como filho.
    - Ficávamos os dois a ganhar Miguel. – Disse o velho depois de um curto momento de silêncio. – Eu ficava com o híbrido, o meu maior desejo, e tu, ficavas livre de qualquer marca do Projecto MG. Deixavas de ser um semi-híbrido, deixavas de ter medo de conviver com algumas pessoas por teres medo de mostrares aquela força irrisória ou aquela velocidade bizarra. Passavas a ser alguém normal.
    Miguel arregalou os olhos naquele momento. Aqueles poderes eram completamente desconfortantes. O seu corpo sarava rapidamente mesmo que as suas feridas fossem profundas, mas do que valia isso se não pudesse partilhar a sua vida com o resto das pessoas. Pensou em Luna. Ela algum dia iria querer constituir família com um rapaz que não era de todo normal, que lhe poderia dar filhos tão bizarros como ele?
    A sua consciência remoía-lhe, pensava em tudo o que tinha de pensar. Pensava em Luna, em Adão, em Artur e Alina. A proposta era tentadora, mas poderia ser falsa, apenas uma forma de George conseguir o que queria.
    - Então Miguel, que achas da proposta? Tentadora não? – Disse-lhe George para voltar a quebrar o silêncio constrangedor que se fazia naquela sala. – Eu sei, precisas de pensar é isso. Tenho todo o tempo do mundo. Quer dizer não todo, mas algum. – O velho virou-se para um dos clones que estava sentado no chão da nave. – AF, fecha a porta do avião.
    O clone não demorou mais que dois segundos a chegar à porta e a carregar no botão que a fechava. O coração de Miguel começou a bater mais depressa naquele momento, talvez até fosse hora de temer a própria vida. A porta do avião estava fechada, e ele estava ali preso com mais de duas dezenas de clones assassinos e com um velho de bengala que tinha capacidade para os controlar a todos.
    - Não tenhas medo Miguel, isto não vai ficar quente, apenas mandei fechar a porta para poder ligar o ar-condicionado… é capaz de te refrescar as ideias e não te precipitares numa resposta para me dar. – O velho pegou num smartphone e ao carregar numa aplicação que tinha como símbolo um relógio, um holograma apareceu. Era um cronómetro. Miguel nem sabia que tal tecnologia já tinha sido inventada, pensava que aqueles vídeos que se via pela internet eram todos uma utopia. – Tens duas horas para me dar uma resposta Miguel. Pensa bem, tens tempo.
    Miguel começou a pensar.





Vale do Fim | Capítulo 26 (Parte 3) Reviewed by Fantastic on 19:00:00 Rating: 5

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