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Vale do Fim | Capítulo 26 (Parte 2)

 
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Capítulo 26 - Adão? Adão? Adão? (Parte 2)

   Artur não dormira quase nada naquela noite. Havia muito na sua cabeça para assimilar. Pelo contrário, Alina parecia estar a passar uma das noites mais calmas dos últimos meses. Por isso mesmo tentou ao máximo não fazer barulho para que ela não acordasse. Ela andava cansada, aquela doença era mais um grande mistério nas suas vidas, ela precisava de descansar. Quando desceu as escadas, Miguel já preparava o pequeno-almoço para saírem para a sua corrida matinal. O homem perguntou por Adão e o rapaz respondeu-lhe que ainda se encontrava a dormir. Naquela noite Adão dormira no chão do quarto de Miguel. Era o seu quarto de criança, aquele que Artur pintara propositadamente para a sua chegada. Acabou por se tornar o quarto do rapaz que de certa forma ocupou o vazio dos corações daquele casal destroçado. O quarto da menina, esse encontrava-se selado, embora Artur começasse a pensar em fazer um quarto para aquele rapaz que dizia ser seu filho mas que ele continuava sem saber se poderia confiar ou não na sua palavra.
    Saíram ainda o sol nascia. Correram a uma velocidade estonteante. Até que os seus pensamentos fizeram-no parar. Passava pelo meio da floresta, pelo mesmo local onde passara no seu primeiro dia de trabalho com Joel. Perto do sitio onde o lobo fora encontrado morto. O lobo que tudo tinha começado. Vale do Fim era pequeno, mas a floresta não. Artur constantemente caminhava para aquele sítio, todos os dias caminhava até ao autocarro que caíra da ravina. Nunca tinha pensado no propósito daquilo. Até àquela manhã. Porque razão quereria ver se aquele autocarro ainda se encontrava ali passados todos aqueles anos. Talvez tivesse esperança que tudo aquilo fosse um pesadelo que um dia iria chegar ali e o autocarro não iria estar lá. Que nesse dia em que os destroços do autocarro dali desaparecessem ele iria acordar e voltar a ter a sua vida normal, iria recuar no tempo e nunca conhecer a PastFuture, nunca se cruzar com August e muito menos com George. Pensou novamente. Daquela vez ainda mais desgostoso. Se acordasse e tudo nunca tivesse acontecido Alina também não entraria na sua vida.
    - Passa-se alguma coisa? Porque paraste? – Perguntou-lhe Miguel. Ele era um rapaz inteligente. Sabia que ele andava confuso com tudo o que acontecera no dia anterior. O seu coração dizia para confiar naquele rapaz que tinha albergado em casa mas a sua consciência dizia o contrário depois de um monte de traições pelas quais passara.
    - É melhor voltarmos para trás, Miguel. Não estou com vontade de encarar aquele cenário hoje. – Disse Artur, começando a correr novamente no sentido contrário.
    O tempo passou e voltaram a casa para irem para as suas actividades. Artur foi para o carro para se dirigir para o centro do concelho onde a aldeia de Vale do Fim pertencia e Miguel foi para a escola. Colocou o volume do seu rádio bem alto para que os seus pensamentos se esvaíssem. A última coisa que queria era continuar a pensar em tudo aquilo. Não queria mais pensar no passado e no que o futuro lhe reservava. Ele apenas queria viver o presente. Alina parecia bem naquele momento, ele queria aproveitar esses momentos com ela, era uma incógnita até quando ela estaria assim.
    Estacionou o carro onde sempre estacionava, na praça principal. Estacionava junto ao café onde todos os dias bebia uma bebida quente antes de entrar no serviço. Muitas vezes Renato ia ter com ele, mas naquele dia ele não aparecera. O dia anterior não tinha sido fácil para ninguém e ele podia estar a tentar recuperar de tudo aquilo que se passara.
    Bebeu o seu café e saiu do estabelecimento. Foi pela rua principal até à esquadra como sempre fazia. Foi aí que o viu. Adão estava ali, a vaguear pelas ruas do centro do concelho, sem conhecer nada do que por ali havia. Ficou furioso com a inconsciência do rapaz. Ele não conhecia nada sobre a aldeia quanto mais a sede do concelho. Ligou furioso para Alina para perguntar se sabia porque razão o rapaz saíra de casa.
    - Artur, ele está aqui comigo! Está mesmo à minha frente sentado no nosso sofá. – Foi o que Alina lhe disse. Foi aí que Artur deixou de perceber o que quer que fosse.
    Aquele rapaz que andava por ali a vaguear tinha exactamente o mesmo rosto de Adão, era impossível não ser ele. Artur decidiu então segui-lo. Ele chamava por ele mas ele nunca olhara para trás uma única vez, parecia estar completamente fixo em andar pela rua, como se essa fosse a sua única missão. Foi quando ele entrou para um beco que Artur sabia que o ia apanhar. Ele não conhecia aquelas ruas tão bem quanto ele. Artur sabia que ele ia ficar ali encurralado e tinha de lhe dizer o que se estava ali a passar. Seria aquele rapaz capaz de controlar a mente de Alina para que ela dissesse que ele estava a seu lado enquanto ele andava por ali a fazer o que quer que fosse?
    Olhou para o rapaz. O seu sorriso fechado, o seu olhar vazio. Era o mesmo rapaz que lhe batera à porta no dia anterior, apenas com uma expressão diferente. Não teve tempo para lhe perguntar nada, alguém o agarrou por trás e lhe tapou a boca.
    - Tem calma Artur. O verdadeiro Adão está em perigo. Precisas de nos ajudar! – Aquela voz que lhe falava ao ouvido era-lhe familiar.
    Quando o homem o largou e ele olhou para trás e viu Joel e Lígia a sua raiva aumentou. O homem que o traíra depois de meses de confiança estava ali com a secretária de Joaquim, que o denunciara. Ela estava também com eles. O irmão gémeo de August parecia ter tudo completamente estudado, tudo planeado. Um plano completamente doentio.
    Ao vê-los ali Artur estava completamente furioso, capaz de partir para a violência, algo que apenas fazia quando mais nada o podia evitar. Ele não percebia como Joel podia ter o descaramento de regressar a Vale do Fim depois de compactuar com aquele velho repugnante que provavelmente tinha levado o seu filho. Se eles não o tivessem levado o que eles estariam ali a fazer. E o rapaz, ele estava ali no beco também, eles pareciam estar todos em conjunto.
    - O que tu queres de nós afinal? O que querem todos vocês?! – Questionou Artur directamente ao rapaz que se assemelhava a Adão.
    - Ele não é o teu filho, Artur, ele é apenas uma arma mortífera, uma arma assassina. Ele pode parecer-se com o Adão, mas falta-lhe uma coisa muito importante para o ser… uma alma. – Declarou Joel ao colocar a mão dele no seu ombro. O investigador rapidamente a sacudiu e virou-se para ele.
    O que quereria ele dizer com aquilo? Aquele era o rapaz que ontem aparecera na sua casa, disso ele não tinha dúvida alguma. A cara era igual, as suas feições eram iguais, apenas o seu sorriso tinha desvanecido.
    - Ele não é quem tu pensas, Artur! – Declarou Lígia. – Ele é apenas um dos milhares de clones de Adão que o George tem guardados. Tu, a Alina, o Miguel… todos nós estamos em perigo!
    - Ah sim! – Disse ele ironicamente. – E porque deveria confiar em vocês. Traíram-me há dez anos atrás, certamente trairiam-me novamente. A vida… aquilo que me aconteceu no passado fez-me perceber que não podia confiar em ninguém, muito menos naqueles que se evaporaram com o meu filho.
    - Artur, tens de confiar em nós. O George tem um exercito de clones aqui em Vale do Fim, ele não sairá daqui sem o Adão. Ele quer mais e mais clones, ele precisa deles.
    Artur estava a começar a ficar farto de os ouvir. Aqueles dias pareciam-lhe novamente os mesmos de há dez anos atrás, dias em que aconteciam coisas que ele não conseguia explicar. O seu filho estava vivo, era um híbrido, alguém capaz de controlar momentaneamente a doença que a mãe tinha. Agora ele tinha sido clonado? Clonado milhares de vezes? Aquela historia estava a ficar sem sentido completamente nenhum.
    - Artur, se não nos ajudares não é só Vale do Fim que vai ficar destruído, o resto do mundo também! Não imaginas o poder deles, é impossível imaginar. – Pela primeira vez Artur sentiu medo na voz de Lígia.  
Vale do Fim | Capítulo 26 (Parte 2) Reviewed by Fantastic on 19:00:00 Rating: 5

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