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Vale do Fim | Capítulo 26 (Parte 1)

 
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Capítulo 26 - Adão? Adão? Adão? (Parte 1)

Luna levantou-se naquela manhã. Ainda estava um pouco confusa com tudo aquilo que tinha acontecido no dia anterior. Primeiro o acidente e o aparecimento do seu salvador, do seu anjo da guarda, depois a descoberta da verdadeira razão pela qual ali se encontrava e, para acabar o dia de forma ainda mais estranha, o aparecimento de um objecto desconhecido no céu. Tinha sido um dia difícil de processar e por essa mesma razão os seus pais disseram que naquele dia ela podia ficar em casa. Uns dias sem ir à escola não iriam desempenhar o seu bom desempenho nos estudos. Luna não aceitou. Não era aquilo que a iria deixar fragilizada. No fundo o que ela queria mesmo era ver Miguel e sobretudo saber o que os colegas tinham a dizer da misteriosa nave que sobrevoara a aldeia na noite anterior. Luna era uma rapariga muito curiosa, só de pensar que poderia nunca saber o que tinha sido aquilo fazia-a ficar completamente desesperada. Ela tinha sede de conhecimento sobre tudo o que a rodeava, queria mais que tudo saber o que era aquilo. Saber mais sobre Miguel e Adão era uma prioridade até aquele objecto sobrevoar o céu.
    Fez as suas rotinas matinais e desceu até à cozinha onde o seu pai e a sua mãe preparavam o pequeno-almoço. Era a primeira refeição do dia e a única que era feita em família. Os horários de Renato eram rotativos e a sua mãe passava muito tempo no café que em tempos pertencera à mãe de Miguel. Luna sabia que a sua mãe estava desgostosa por não ter uma verdadeira ocupação. Ela não queria ficar sozinha em casa todo o dia. Quando começou a conviver mais com Miguel, Luna falou-lhe dessa situação e foi aí que ele teve a ideia do café de Joana reabrir através da mãe dela. Os habitantes eram poucos mas Miguel lembrava-se que aquele era um ponto de encontro importante entre os poucos fregueses da aldeia. Estava fechado haviam passado mais de dez anos. Era a altura de reabrir. E foi isso que aconteceu. Cecília limpou todo o espaço e remodelou-o, tornando-o um espaço acolhedor e aconchegante para quem quisesse ali passar um bom tempo. Eram muitos os velhos que se juntavam todas as tardes a jogar às cartas. Luna passava por lá muitas vezes depois das aulas e olhava feliz para o sorriso da sua mãe. Todos se tinham acostumado à aldeia de Vale do Fim, os três se tinham adaptado a uma aldeia para a qual tinham ido com apenas uma missão, embora apenas o seu pai soubesse, e desde o dia anterior, ela também.
    Antes de sair de casa ligou a televisão num dos canais informativos com esperança que falassem do objecto voador que sobrevoou a aldeia. Ela podia ser uma aldeia esquecida a maior parte do tempo, mas até uma aldeia esquecida iria ser motivo de notícia com aquilo que tinha acontecido. Infelizmente ninguém mencionara nada nos jornais. Foi até à internet e também não encontrou nada, parecia que aquilo que acontecera na noite anterior apenas tinha acontecido na sua cabeça. Ela sabia que estava acordada, aquilo não tinha sido um sonho, mas por alguma razão mais ninguém comentava sobre aquilo.
    Saiu de casa para ir para a escola. Não ficava longe da sua moradia por isso ela ia a pé como sempre fazia desde que se tinha mudado para lá. Passava por poucas pessoas mas sempre lhes acenava e elas retribuíam o aceno. Algo que Luna e os pais tinham medo era de ser mal recebidos. Sabiam que o racismo devia ser coisa do passado, mas numa aldeia com poucos habitantes, com antigos costumes, isso poderia perdurar. Felizmente não foi isso que aconteceu, todos mostravam simpatia para com eles, mostraram sempre desde inicio, principalmente Artur e Alina. A caminho da escola Luna perguntava-se como iria Artur reagir quando soubesse que o seu pai no fundo estava ali para vigiá-lo. Vigiá-lo a ele e à sua querida esposa. Era um bom motivo, Luna sabia, mas era uma traição por parte de alguém que ele considerava amigo.
    Quando estava perto da escola, numa curva antes do pequeno edifício que albergava um pequeno número de alunos, viu Adão, o seu anjo da guarda. Estranhou vê-lo ali. O que faria ele ali sozinho? Tinha chegado a Vale do Fim apenas no dia anterior, nada conhecia. A aldeia não era perigosa, mas para ele podia ser, se alguém soubesse do que ele era capaz.
    - Adão! – Gritou Luna quando viu o rapaz olhar para ela. Estranhamente o rapaz não reagiu, apenas olhou para ela de sorriso fechado, sem sequer fazer um aceno para a cumprimentar. – Adão? – Voltou ela a gritar ao ver o rapaz a virar-lhe costas.
    Ela não percebia o que estava a acontecer. Aquele não parecia o mesmo rapaz que a tinha salvo a ela e à sua família no dia anterior, mas era ele, era igualzinho a ele. O rapaz começou a andar no sentido contrário ao da escola e ela já estava um pouco atrasada, mas não foi isso que a deteu. O rapaz que lhe parecia Adão começou a correr a uma velocidade que ela conseguia acompanhar. Até que a sua velocidade se tornou cada vez maior até ela o deixar de ver.
    Com aquela velocidade toda Luna não tinha margem para dúvidas, ele era mesmo o rapaz que a salvou, era o seu anjo da guarda, mas se o era porque razão não lhe falou? Porque razão parecia ser o oposto daquele rapaz que ela viu quando abriu os olhos depois de quase se ter afogado no rio. Isso magoou-a, magoou-a muito. Ela via naquele rapaz o seu salvador, aquele que tinha quase sacrificado a vida por ela e pela sua família e, naquele dia, logo no dia seguinte a esse intenso momento, ele estava ali completamente diferente. Isso assustou-a. Aquela bipolaridade do rapaz aliada aos seus poderes podiam torna-lo em algo que poderia trazer coisas graves.
    Naquele momento Luna pensou em voltar para casa, pela primeira vez naqueles dois dias sentia-se arrasada. Talvez a primeira impressão dela com Adão tivesse sido tão intensa que ele olhar para ela como se não a conhecesse deixasse o seu coração despedaçado. Voltar a casa estava fora de questão, Luna não iria mostrar de forma alguma a parte fraca. Não iria voltar para casa apenas por estar desgostosa, por isso, voltou a inverter o caminho e seguiu para a escola.
Vale do Fim | Capítulo 26 (Parte 1) Reviewed by Fantastic on 19:00:00 Rating: 5

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