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Vale do Fim | Capítulo 25 (Parte 3)

 
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Capítulo 25 - Coisas Estranhas (Parte 3)

  Alina e Artur acordaram encadeados com uma luz que entrou no quarto sem permissão e um barulho ensurdecedor que era capaz de acordar a pessoa com o sono mais pesado do mundo. Deu um salto da cama e correu para a janela. Quando tentou ver o que era aquela intensa luz já ela tinha desaparecido.
    Olhou para trás e viu que Artur estava a olhar para ela. Tinha a boca aberta, estava surpreso com algo.
    - Viste o que era?! – Perguntou Alina curiosa para saber o que o tinha impressionado tanto.
    - Além daquela aquela luz intensa, vi outra coisa estranha! – Declarou Artur. – Voltaste a ser ágil. Levantaste-te como se ontem não estivesses doente, como se tivesses recuperado totalmente.
    Alina voltou a si, depois daquele êxtase todo. Nem tinha reparado que as dores que tivera tido nos dias que antecederam àquele, tinham desaparecido. Parecia curada. Isso era impossível. Ou impossível ou era um milagre. O segundo naquele dia, depois de Adão aparecer miraculosamente na sua casa.
    - Achas que foi o sangue dele? Acreditas que foi isso? – Perguntou Artur um pouco reticente.
    - Que mais poderia ser! É a prova que ele é nosso, ele é o nosso filho Artur e nós nunca mais o vamos deixar sair daqui. Eu não o quero voltar a perder. Nunca mais.
    Quando se voltou a deitar na cama, ainda a pensar na luz que tinha visto e na sua cura miraculosa, Alina ouviu um estrondo vindo do piso debaixo. Artur também o tinha ouvido. Ele levantou-se num ápice. A noite estava a ser bem agitada. Alina não se lembrava de uma noite assim desde os tempos em que a PastFuture ainda existia. Artur não precisou de sair do quarto para ver quem tinha batido com a porta com tanta força.
    Miguel e Adão estavam ofegantes quando entraram pelo quarto a dentro. Alina nunca tinha visto Miguel assustado. Aquilo era mais uma coisa estranha que estava a ver naquele dia. Aquele era definitivamente o dia das coisas estranhas.
    - Um O.V.N.I.! Passou um O.V.N.I. por nós quando estávamos no barracão da Past-Future! – Disse Miguel tão assustado que teve de repetir a frase três vezes para que fosse perceptível.
    - O que foram fazer ao barracão? – Foi a pergunta que Artur fez de imediato.
    Alina, essa, ficou mais curiosa com o facto de uma nave ter passado em Vale do Fim. Acreditava que não estava sozinha no universo. O universo era algo muito grande para os habitantes da Terra estarem sozinhos. Alguns acreditavam que era Terra era uma anomalia, e era. Era dos poucos planetas que albergava uma espécie de vida, mas Alina tinha a certeza, que por mais distante que se encontrassem, existiriam anomalias como a Terra. Os humanos apenas não tinham capacidade naquele momento de as encontrar.
    - Eu queria ver o lugar onde tudo começou, onde decorreram todas as coisas que vos marcaram há dez anos atrás e que o Santiago me contou. Eu queria ver o lugar onde nasci! Fui eu que pedi ao Miguel para lá irmos. – Declarou Adão e Alina percebeu o quão altruísta o seu filho podia ser. Ele rapidamente disse o que se passou para que Miguel não levasse com qualquer culpa que fosse. Isso fê-la recordar Artur e tudo o que viveu com ele.
    - Aquilo é só um barracão queimado… ruínas, apenas restos de um passado que se mostrou desastroso e ali ficou para que sempre nos recordássemos dele! – Disse Artur. Ele parecia ainda não estar tão confiante das boas acções que Adão tinha. A vida tinha-lhe pregado partidas durante aqueles tempos. Como poderia confiar em alguém se fora traído por tantos naquele tempo conturbado? Joel tinha sido a maior facada nas costas que recebera. Como era possível o seu fiel companheiro de aventuras lhe ter mentido tanto durante os quase dez meses em que tentaram solucionar um crime ao qual ele sempre teve solução? Alina compreendia aquela desconfiança perante aquele rapaz. Já ela não tinha duvidas, o seu coração dizia-lhe que ele era realmente o seu filho. 
    - Nós vimos um OVNI! Acho que isso é mais importante que qualquer outro raspanete que nos possam dar! – Disse Miguel por fim. – Será que até os extraterrestres escolheram Vale do Fim para começar a sua colonização? Era só aquilo que nos faltava.
    Alina soltou um pequeno riso que deixou o rapaz acanhado. Adão defendeu-o dizendo que tudo aquilo era verdade, que embora ele não soubesse nada sobre vida fora da terra nem de objectos redondos no céu, o Miguel não estava a gozar, ele estava a falar bem a sério. Alina sabia que era sério, ela e Artur também tinham visto aquela luz intensa. Saber o que era aquilo iria ser difícil, havia relatos de objectos voadores não identificados em vários pontos do globo e muitos eram ou uma farsa ou nunca podiam ser confirmados. Alina soltara um pequeno riso porque tinha visto Miguel ser novamente um jovem normal, com os seus medos. O medo é uma característica humana, é algo que todos tinham. É aquilo que fazia qualquer um evoluir. Só ultrapassando o medo é que alguém consegue ultrapassar obstáculos, desafios. Bastava recuar-se a séculos atrás, pela época dos descobrimentos. O medo de monstros marinhos e de outras criaturas do imaginário popular não impediram que os navegadores desbravassem novos mundos, descobrindo novas terras, novos mundos e descobrindo que todos esses monstros não passavam de quimeras. 
    - Certamente não era nada de especial! – Disse Artur. – Era provavelmente um avião que passou mais rente à terra. 
    Alina notava que embora o marido tivesse dito aquilo apenas para acalmar os dois rapazes ele também estava com medo do que aquilo podia ser. Nunca nenhum avião passara tão rente em Vale do Fim. Aquilo podia significar algo preocupante. Ela sabia que ele no fundo estava tão preocupado quanto o jovem Miguel, apenas não queria demonstrar para que ele não tivesse medo.
    - O melhor mesmo, rapazes, é vocês se irem deitar! Descansem. Aquilo não era nada, provavelmente nunca mais vão ver nada assim! Era provavelmente um avião que vinha mais baixo, provavelmente nem era redondo, vocês não devem ter visto bem como ele era.
    - Estás a contestar o que eu vi?! – Declarou Miguel, Alina percebeu que ele ficou furioso com aquilo que Artur lhes acabou por dizer. Ele odiava ser contestado quando tinha razão. Alina não conseguia saber a forma do objecto, quando ela chegara à janela ele já tinha desaparecido, mas achava que aquilo não era de todo um avião tradicional. Fosse o que fosse, era difícil descobrir o que era.
    A noite passou calmamente depois de toda aquela agitação. Não existiram mais barulhos nem mais clarões. Apenas a mesma calma que sempre existira em Vale do Fim, uma aldeia em que pouco acontecera na última década. Como sempre, Artur e Miguel cumpriram as suas rotinas. Acordaram às sete da manhã e fizeram a sua corrida matinal. Depois disso, cada um iria para a sua ocupação. Artur iria para a esquadra e Miguel para a escola.
    Alina iria ficar em casa a descansar. Mas desta vez não estava sozinha, ela tinha companhia. Adão estava com ela.
    - Estás bem? – Perguntou ele quando a viu descer as escadas.
    O rapaz estava sentado no sofá, com uma expressão idêntica à que o seu pai tinha quando ela o conheceu. Artur sempre se preocupou com a sua doença, o Projecto CM. Actualmente a sua doença era muito pior. Felizmente agora tinha o apoio do seu filho. Ela sempre pensou nele vivo, nunca o tinha visto morto, ao contrário da menina. Queria pensar que August nunca lhe tivera mentido sobre isso, que não tinha sido ele a esconder o seu menino. Infelizmente nunca teve oportunidade de o confrontar e agora o seu bem precioso estava ali, a olhar com aqueles olhar profundo que o pai dele tinha quando a questionou sobre o Projecto CM na noite em que provavelmente ele fora consumado.
    - Sim, o teu sangue ajudou-me! Sabes mais sobre ele? Achas que ele serve como uma cura para esta doença? – Questionou a mulher curiosa com o que o seu filho tinha para dizer.
    - Ele não cura definitivamente essa doença, retarda por algum tempo o seu efeito. O Edgar começou por ficar curado durante duas semanas. O Santiago achava que a cura era realmente o meu sangue. Até as tonturas dele voltarem. Aí ele percebeu que não, havia algo que faltava no meu sangue para que vos pudesse curar. Com o passar do tempo o Edgar começou a precisar cada vez mais de transfusões para que os sintomas não fossem tão constantes. Nos últimos dias em que estive com ele, o Santiago doava o meu sangue para ele todos os dias. Em um ano ele passou a ter que levar o meu sangue todos os dias no seu braço e a doença continua tão agressiva que ele perde até a pele dos braços e da cara.
    Aquilo assustou Alina. Ela olhou para o seu braço e olhou a pele que tinha caído dele. Estava a cicatrizar, mas com o avançar ainda mais da doença a pele podia voltar a cair. Pensar nisso só lhe dava arrepios. O seu telemóvel a tocar fê-la parar de pensar. Viu no visor que era Miguel a telefonar-lhe.
    - Porque é que o Adão saiu de casa? Ele não conhece nada de Vale do Fim porque anda sozinho aqui ao pé da escola. – Alina ficou confusa. Estava a olhar para Adão ali sentado ao lado dela. Como é que ele podia estar ali ao pé da escola.
    - Deves ter visto alguém parecido Miguel. O Adão está sentado aqui ao pé de mim. – Ao dizer aquilo ouviu um bip no seu telemóvel. Olhou para o visor e viu que era Artur que lhe estava a ligar. – Desculpa Miguel, deves ter visto outra pessoa. O Artur está-me a ligar. Boas Aulas. – Desligou a chamada de Miguel e atendeu a de Artur.
    - Podes dizer-me porque o Adão veio para o centro do concelho sozinho? Ele nem conhece Vale do Fim como pode querer conhecer a sede de concelho. Além disso o que ele veio cá fazer? – Disse Artur um pouco aborrecido. Alina não estava a entender nada de nada. Adão estava ali, como o podiam estar a ver em outros sítios.
    - O que está a acontecer? – Perguntou-lhe Adão quando ela desligou as chamadas.
    - Mais coisas estranhas! – Respondeu-lhe, sem saber o que aquilo significava.

Vale do Fim | Capítulo 25 (Parte 3) Reviewed by Fantastic on 19:00:00 Rating: 5

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