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Vale do Fim | Capítulo 25 (Parte 2)

 
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Capítulo 25 - Coisas Estranhas (Parte 2)

 Luna estava deitada na cama. O dia tinha sido longo e havia muita coisa para assimilar. Principalmente tudo aquilo que tinha sido dito no escritório do seu pai naquele início de tarde. Depois do acidente aquilo foi mais um choque. E tudo no mesmo dia. A sua memória voltou a recuar para o escritório do seu pai, tinha toda aquela conversa muito fresca na sua mente. O seu pai a desligar o telemóvel, aflito com o que ela podia ter ouvido. Era tarde, ela tinha ouvido tudo, ele sabia que aquele rapaz era especial, que era um híbrido. Pelo menos era o que ele estava a dizer ao telefone.
    - Com quem estavas a falar? Tu conhecias o Adão? – Questionou-o assim que ele pousara o telemóvel na secretária.
    - Já sabes o nome dele?! Como o conheceste? – Disse Renato a tentar fingir que não sabia que ele estava em casa dos pais dele. Como ele percebeu que aquela mentira não pegava, voltou a falar. – Bem, acho que está na altura de termos uma conversa. Uma conversa séria.
    Renato levantou-se para fechar a porta do escritório e sentou-se novamente. Olhou para ela e parecia ser-lhe difícil começar a falar, deixando Luna impaciente.
    - Eu não tenho apenas um trabalho. O meu trabalho oficial é ser investigador da polícia, e tu sabes tão bem como a tua mãe que é aquilo que me faz sentir realizado. Mas eu vim para Vale do Fim com uma missão, ser espião! Não gosto de o chamar assim, prefiro designar a minha missão como guardião.
    - Espião?! Quem andas a espiar? – Luna não esperava que o seu pai tivesse vindo para ali com outras intenções que não fosse dar uma melhor qualidade de vida à sua família. Afinal estava enganada, era fácil uma pessoa surpreender outra pela negativa, principalmente aquelas que nos são próximas, Luna pôde perceber isso quando ouviu aquilo.
    - Ando a observar o Artur, a Alina e o Miguel! Aguardava a chegada do Adão há uns dias. Sabia que ele iria chegar no decorrer desta semana ou da próxima. Foi uma sorte Deus o ter posto no nosso caminho nesta manhã. Se não fosse ele, sabe qualquer divindade onde estaríamos agora. Deves recordar-te do Santiago, ele dormiu em nossa casa lá em Angola algumas noites nos últimos dois anos.
    Luna lembrava-se bem do homem jovem de trinta e poucos anos que ia lá a casa deles durante dois ou três dias. Sempre pensou que fosse um amigo do seu pai que lá fosse passar férias, nunca desconfiou do que quer que fosse. O homem falava pouco mas parecia ser uma boa pessoa. Às vezes as aparências iludiam, mais uma vez Luna tinha aquela percepção.
    - A Alina é prima desse homem, do Santiago. Sei que falas com o Miguel mas certamente ele não te contou que ela foi submetida a uma experiencia, uma experiencia chamada Projecto CM. – Luna não sabia daquela parte da história. Sabia que Miguel tinha poderes, agora que Alina também tinha sido submetida a experiencias cientificas era de todo uma novidade. – Ela pode ser controlada mentalmente!
    Renato prosseguiu com a história enquanto Luna arregalava os olhos quando ele fazia uma revelação chocante. Falou-lhe do autocarro, do Projecto MG, que Miguel já lhe tinha falado e de que Adão resultou da junção desses dois Projectos. O Adão tinha as mutações e o controlo de mente, o que seria possível de se fazer com uma pessoa assim? Controlá-la para ela fazer trabalhos sujos? Sentiu pena do Adão, pena do seu anjo da guarda. Conhecia-o apenas há um dia mas confiava nele tanto como em Miguel. Ele salvara-lhe a vida, seja controlado ou não, ele no fundo tinha bons princípios, era boa pessoa.
    Deitada na cama a olhar para o tecto do seu quarto, pensava nele, em como se devia estar a ambientar num sítio até agora desconhecido para ele. Perguntava-se como teria sido a sua vida até ali? Teria vivido enclausurado? Talvez fosse o mais provável. Queria conhecer o seu salvador, queria estar com Miguel. Eram quase dez da noite e devia estar a descansar depois do longo dia que tinha tido. Não conseguia. Sempre que fechava os olhos a sua mente voltava a mergulhar para baixo do rio e para a cara de Adão a bater no vidro do carro dos seus pais.
    Pegou no telemóvel e foi à lista de contactos. Queria telefonar a Miguel. Queria saber como ele estava, mas queria sobretudo saber como se encontrava Adão. O telemóvel tocou, voltou a tocar, tocou uma vez mais. Miguel não atendia. Não insistiu de imediato. Ele podia não ter oportunidade de atender. Sabia que ele estava sempre presente para ela. As suas condições fizeram-no ser um pouco solitário e ela percebia porquê. Quem é que quereria brincar com um miúdo que se desse um pontapé numa bola ela poderia voar até ao céu? Ele também preferia que não o chamassem, preferia estar só, no aconchego do seu quarto. Ele sentia muitas saudades da mãe, Luna sabia disso, ela estava actualmente em África e preferia que o seu filho estudasse em Portugal, quando atingisse a maioridade talvez pudesse ir ter com ela, até lá ela queria que ele se instruísse, tirasse o seu curso, tivesse uma vida normal. Ele falava-lhe muito dela, falava-lhe do que ela passara nos primeiros tempos em que o deixou com Artur, e pensar naquilo dava-lhe um aperto no coração só de pensar em como seria se tivesse de abandonar os seus pais.
    Insistiu mais uma vez, Miguel ainda não estava a dormir. Conhecia bem os hábitos do rapaz e deitar-se tarde era um deles. Enquanto telefonava olhava para a rua, não era que houvesse muito para ver. Apenas uma vivenda antiga e abandonada e um solitário poste que iluminava a rua.
    A chamada caiu. Luna olhou para o telemóvel e ficou completamente sem rede. O poste começou a dar uma luz intermitente como se fosse fundir até que acabou por apagar. O mesmo aconteceu com a luz do seu quarto. O quadro eléctrico foi abaixo, a electricidade parecia ter desaparecido da sua rua deixando uma imensa escuridão. Foi aí que de repente o céu escuro ficou tão claro como se voltasse a ser dia e um barulho ensurdecedor fez com que Luna levasse as mãos aos ouvidos enquanto observava o grande objecto circular no céu.
    Luna perguntava o que seria aquilo, desaparecera tão rápido como aparecera. A luz voltou logo que aquele objecto voador desaparecera. O sinal de rede também tinha voltado. Luna voltou a clicar no número de Miguel, daquela vez assustada e em êxtase por ter visto aquilo que tinha visto. Aquele estava a ser um dia cheio de coisas estranhas.
    Quando Miguel atendeu a chamada tinha a voz ofegante, devia vir a correr. Ele ouvia outra pessoa com a respiração acelerada ao lado dele. Deduziu rapidamente que seria Adão.
    - Viste? – Perguntou ela rapidamente.
    - Sim! Não saias de casa Luna! Era um O.V.N.I.! – Miguel estava mais assustado que curioso. Luna continuou a falar com ele para o acalmar.
    Quando desligou o telemóvel continuou a pensar naquele círculo voador, pensando também no medo que Miguel sentiu ao vê-lo. Pensou em como o ser humano era tão medroso perante o desconhecido. Ela também tinha medo, mas a curiosidade conseguia superá-lo!

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