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Vale do Fim | Capítulo 25 (Parte 1)

 
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Capítulo 25 - Coisas Estranhas (Parte 1)
 
  Miguel olhou novamente para Adão. Ainda não estava totalmente satisfeito com a chegada daquele rapaz. Ainda estava a duvidar das suas boas acções. Porque razão ele tinha aparecido ali dez anos depois de alguém o ter levado? Porque tinha conseguido escapar e apenas ouvia uma voz que a mandou deslocar-se para ali para junto dos seus pais? Como não reconhecia uma voz? Muitas perguntas que o faziam duvidar das boas intenções que ele ou quem o tinha mandado para ali tinham. Olhava para Artur que também estava sentado na mesa de jantar e via como ele também olhava para ele. Era certamente da mesma opinião.
    Adão sentara-se junto a Alina. Ela parecia um pouco melhor mas continuava fraca. Apenas se tinha levantado para fazerem uma refeição todos juntos. A primeira refeição com o seu filho que aparecera miraculosamente ali em casa, vindo sabe Deus de onde. A mulher não conseguia tirar os olhos do rapaz, parecia hipnotizada ao olhar para ele.
    - Meu menino, és tão parecido com o teu pai, tens as mesmas feições que ele tinha quando eu o conheci! – Dizia Alina a olhar emocionada para o rapaz.
    Aquelas palavras estavam a irritar cada vez mais Miguel. Parecia que as mulheres daquela aldeia tinham todas ficado fascinadas com o Adão. Já não bastava ele ter de ouvir e ler, nas mensagens que lhe mandava, Luna a falar do rapaz que lhe tinha salvo a vida. Além de ser controlado mentalmente aquele rapaz devia ser um controlador nato dos corações de mulheres desesperadas. A última coisa que queria era lutar com aquele miúdo que se encontrava ali na mesa com ele. Sim ele era um miúdo, pelo menos tinha apenas dez anos embora aparentasse ter mais de dezasseis.
    - Achas mesmo? – Disse o rapaz para Alina ao ouvir aquelas palavras. Miguel estava prestes a vomitar com tanta compaixão que por ali ia. Quem era ele afinal? Se não tivesse sido Miguel a apoiar Artur e Alina na mágoa que tiveram ao perder os dois gémeos. Ela própria dissera que Deus lhe tinha tirado duas pérolas mas Joana tinha deixado outra com ela. Essas palavras tinham sido proferidas há dez anos, mas mesmo assim ficaram gravadas no seu coração. Há palavras que marcam a vida de cada um e aquelas tinham certamente marcado Miguel. Poucas são as memórias em que não tivesse mutações genéticas. Teve de viver sempre com aquelas condições. Aquele rapaz também, isso se fosse um híbrido como dizia ser.
    - Sim! Tu não tens nada que prove que és mesmo o meu menino, o menino que eu carreguei nos braços apenas uma única vez. O meu instinto diz-me que és ele, és aquele que foi tirado de mim, mas que não vai voltar a sair daqui, nunca mais!
    - Nunca mais! – Reforçou o rapaz. – Eu nunca mais te vou deixar, não irei deixar nenhum de vocês para voltar para lá.
    Alina ia levantar-se para o abraçar mas sentiu uma tontura. Todos se levantaram para a socorrer.
    - Foram emoções a mais para este dia Alina, o melhor é ires-te deitar! – Disse Artur segurando na sua mulher para a levar para o quarto.
    Miguel e Adão ficaram sozinhos na mesa. Aquele sorriso patético do rapaz que tinha chegado naquele dia estava a deixa-lo completamente furioso. Alina não tinha melhorado em nada o seu estado de saúde por tê-lo ali ao seu lado, talvez até tivesse melhorado se não o tivesse visto. Ela estava frágil, não precisava de nada para atrapalhar a sua recuperação.
    - O Santiago falava-me de ti às vezes sabias? Não me consigo lembrar da voz dele, apenas da cara e do que ele me dizia. Dizia que era o rapaz que ressuscitou! – Quebrou Adão o silêncio que Miguel não queria que fosse quebrado.
    Miguel conhecia aquele nome, sabia que alguém da equipa de August se chamava assim. Afinal havia um intruso na equipa. Ele era pequeno quando se falava nisso, mas agora, em plena adolescência já tinha a percepção de tudo.
    - Tenho saudades dele, sabias! Foram muitos anos a falar só com ele e com… - Adão não terminou a frase. Artur chegara e ele ficara mais preocupado em saber como estava a sua suposta mãe. O homem respondeu que ela estava bem, tinha sido um dia cheio de emoções para uma mulher que não estava em condições para as ter.
    Quando o jantar terminou os três deslocaram-se até à sala. Foi aí que Adão viu a foto que tinha dez anos e disse algo que deixou Miguel e Artur surpreendidos.
    - Olha o Edgar! Sempre com aquele ar rezingão como eu o conheci!
    Eles não entenderam. Como era possível aquele rapaz conhecer o Edgar? Ele tinha sido levado com ele? Porque razão? Enquanto Miguel ficava pelos pensamentos Artur expressou-se por palavras.
    - Ele estava comigo! Ele diz que o Joel e o Santiago não o quiseram matar, não queriam matar um miúdo, então deixaram-no em cativeiro. Era um lugar solitário, onde só nos encontrávamos nós dois, só eu e ele. O Joel e a Lígia iam-nos ver mas ele afastava-os, não gostava de traições, dizia-me ele. Infelizmente está doente, ainda mais doente do que a minha mãe. E sem transfusões de sangue vai ser difícil ele ficar melhor nos próximos tempos.
    - Queres dizer que se fizermos uma transfusão de sangue entre ti e a Alina ela pode ficar melhor? – Questionou Artur de imediato. – E se não houver compatibilidade entre os dois grupos sanguíneos?
    - Eu sou compatível com todos os grupos sanguíneos! – Declarou Adão com toda a convicção.
    O Artur ficou tão radiante que não pensou duas vezes e procurou as seringas com as quais injectava um líquido em Alina para que ela suportasse melhor a falta dos comprimidos do Projecto MG. Não quis saber se não era médico ou não, queria apenas que a mulher ficasse um pouco melhor. Por isso retirou um pouco de sangue do braço de Miguel e subiram imediatamente ao quarto onde Alina se encontrava para o transferir para o sistema dela. Miguel estava mais céptico quanto ao resultado disso mas percebia Artur, ele não queria perder a mulher, não queria que ela morresse.
    Ao primeiro instante, como seria de esperar, nada aconteceu. Deveria demorar algum tempo até que a transfusão mostrasse alguns efeitos. Poderia ser que na manhã que iria suceder ela se encontrasse a mesma Alina que era em tempos, forte e saudável. Miguel podia ainda não gostar muito de Miguel, mas se ele a salvasse porque não dar o braço a torcer?
    Artur ficou no quarto com a mulher, mas Miguel e Adão saíram. Miguel ia para o seu quarto quando Adão lhe pediu uma coisa que o deixou reticente.
    - Podes-me levar até ao barracão onde nasci? Queria ver onde fui planeado. – Pediu o híbrido.
    Miguel não estava a achar boa ideia. Podia ser uma cilada para o levarem também. Afinal Edgar tinha sido levado por eles. Adão pediu insistentemente até ele dizer que sim. E então saíram os dois.
    Miguel usou a sua velocidade. Era de noite e sabia que poucos eram os que saiam à rua em Vale do Fim àquela hora. Sabia também que Adão tinha capacidades para o seguir. Era estranho, nunca se tinha deslocado ao barracão há noite. Não havia lá nada a não ser destroços. Tal como no acidente de autocarro, o barracão não tinha sido mexido desde então. Talvez quem estava à frente da presidência do concelho naquela altura quisesse que as pessoas se lembrassem do que ali se passou. Era difícil esquecer, pelo menos para Miguel e Artur, eles tinham de conviver com aquilo até ao último suspiro.
    Quando Miguel parou, Adão parou automaticamente ao seu lado. Parecia bem treinado. Ele demorara anos a conseguir parar sem se atrapalhar, talvez aquele rapaz que se encontrava a seu lado tivesse treinos constantes. Miguel olhava para o barracão com lágrimas nos olhos, não sabia o que lhe tinham dito sobre o que ali acontecera, mas deviam ter-lhe dito alguma coisa. Muito provavelmente tinha sido Santiago, afinal de contas tinha sido ele que tinha passado a maior parte do tempo ali com a equipa de August.
    - Eu vou entrar! Tu vens? – Disse Adão. Miguel ficou assustado. O tecto tinha caído assim como a maior parte das paredes, poucas eram aquelas que se mantinham em pé. Não havia nada para ver ali.
    Adão caminhou para dentro das ruínas do barracão da extinta PastFuture e Miguel acabou por o seguir. Estava tudo queimado, mas podiam ver que aquela sala um dia tinha sido redonda. Estavam na sala que um dia tinha sido denominada por sala do conhecimento.
    - Foi aqui! Foi aqui que o meu pai descobriu que a minha mãe estava grávida e que a minha mãe o matou! Quando ele acordou já era como tu! – Declarou Adão. Ele sabia bem sobre a vida dos progenitores. Santiago parecia não lhe ter escondido nada. – Queria tanto conhecer este lugar. Foi aqui que tudo começou! – Miguel não estava de acordo com aquelas palavras. Tudo aquilo tinha começado no abismo onde o autocarro caíra, mas sim, a história dele começara ali. Cada homem só começa a fazer parte da história quando é referido pela primeira vez e Adão tinha sido referido ali, há dez anos atrás, numa sala agora queimada.
    Adão voltou a andar pelas ruínas do barracão. Ainda existiam vestígios de mesas, de computadores, de todos os materiais que algum dia ali tinham estado. Caminharam até onde outra parede estava caída, na outra ponta do barracão. Foi aí que Adão se ajoelhou e começou a chorar. Adão não via o que ele tinha na mão, por isso aproximou-se, e viu que ele tinha um babygrow rosa na mão.
    - Sabes quais foram as primeiras palavras que George me disse? Que eu estava destinado a ser um assassino, que desde o inicio que era… que logo ao nascer matei a minha irmã. Odiei-o desde então, mas odiei-me ainda mais a mim por tê-la morto. Quando aqui cheguei ainda tive esperança que ela não estivesse realmente morta, que a tivessem conseguido esconder, que eu não a tivesse morto, mas não, ela não existe.
    Ver Adão naquele estado fez o seu coração derreter um pouco. Ele não tinha culpa de ser um híbrido, não tinha culpa da irmã ser uma criança normal que teve a infelicidade de partilhar o útero com um ser diferente.
    Foi quando pôs a mão no ombro de Adão, que os dois ouviram um som ensurdecedor. Uma luz no céu fez a noite serrada parecer dia e puderam vislumbrar de relance um objecto redondo no céu. Um objecto que desapareceu da mesma forma que apareceu, de forma quase instantânea.
    - O que era aquilo? – Perguntou Adão, nunca tinha visto nada assim.
    - Aquilo é o que alguns dizem ser um OVNI! – Disse Miguel assustado. – Vamos embora daqui e depressa. – Concluiu, correndo novamente à velocidade da luz.
Vale do Fim | Capítulo 25 (Parte 1) Reviewed by Fantastic on 19:00:00 Rating: 5

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