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Vale do Fim | Capítulo 23 (Parte 1)

 
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Capítulo 23 - Génesis (Parte 1)

George achava que algo não estava bem. Não era normal entrar na Área X e ver todas as pessoas agitadas, olhando para ele com medo. Ele era um homem temido por muitos, mas era essa a sua intenção. Ele era o líder de uma grande organização o líder de algo que iria para sempre revolucionar o mundo. A sua ascensão estava próxima, ele sentia isso a cada dia que passava e olhava para o jovem Adão. Ele tinha apenas dez anos mas tinha a aparência de um jovem de dezasseis. Provavelmente a sua esperança de vida também seria inferior à de uma pessoa normal… ou não. Era cedo para ele ter uma resposta para isso. A sua pele regenerava-se devido ao soro de cobra e crocodilo presente no seu organismo. Ele era capaz de se regenerar em minutos se tivesse uma ferida profunda. Era difícil responder se ele poderia morrer ou não em pouco tempo. Isso também não era uma grande preocupação para George, ele estaria vivo o tempo necessário para que o GDC deixasse de viver nas sombras e fosse uma parte activa na vida da população mundial.
    - George… aconteceu algo, algo que precisas de saber! – Declarou Joel quando chegou perto dele. Após a morte de Lourenço o agente e investigador da polícia passou a ser o seu braço direito. Joel ajudou-o bastante com Adão. O miúdo sentia-se sozinho e ele e Lígia eram como uns pais para ele. Além dele ainda existia Santiago que era também um protector. Algo que George nunca fora para o seu filho. Era estranho como aquela revolta que ele tinha por ele passara e ele viera tão bem para a Área X. George nunca pensou que o filho o fosse perdoar devido à morte de todos aqueles que se encontravam no laboratório.
    A sua mente recuou exactamente para esse período, para o dia em que confrontara o seu irmão August no barracão em que ele construíra um laboratório improvisado. Na noite em que só um dos dois podia sobreviver. As memórias não desapareciam assim tão facilmente da sua cabeça. Principalmente as memórias que tinha com o seu irmão gémeo. No fundo, eles tinha dividido o mesmo útero, estavam ligados de certa forma, mais ligados que quais queres irmãos que partilharam a mesma mãe, embora em alturas diferentes. Ele não conseguia esquecer a imagem de August se dirigir até ele a correr, na esperança de ser ele a sobreviver e talvez tentar ocupar o lugar da GDC para que nada acontecesse, para que o híbrido não fosse uma arma de guerra como George sempre quisera que fosse.
    Foi uma asneira o que August fez. Talvez se tivesse fugido para a porta ainda se tivesse conseguido salvar. George sempre fora mais inteligente, mesmo tendo sido Agust a criar o híbrido em teoria, ele nunca iria utilizar todas as propriedades que o Adão poderia dar. O mal de August era ser um homem bom, querer livrar o mundo das doenças que o afectavam. Ele ficara admirado quando, mesmo deitado no chão, George pegou na sua bengala.
    - Tu fizeste com que eu a usasse, foste tu que mandaste a Alina me alvejar na perna e deixar-me manco. Eu criei esta bengala de propósito para um dos nossos encontros. Amor com amor se paga meu querido irmão. – Disse George antes de apertar o estranho botão que a bengala de madeira tinha. Quando premiu o botão uma ponta afiada de metal saiu pela parte de baixo da bengala que suportava o homem. George espetou essa ponta afiada nas costas do seu irmão, uma vez, depois outra e por fim mais uma vez.
    Levantou-se e olhou para o irmão ali caído. Não tinha muito tempo para olhar, o barracão estava prestes a ser consumido pelas chamas, mas ainda, dez anos depois, ele pensava naquilo. Pensava em como a bondade podia ser uma fraqueza, se ele o apoiasse os dois poderiam estar ali, naquele momento, a comandar a Área X. Naquele momento George não sentia remorsos pelo que fez, cada um comanda o seu destino e August comandou o seu criando algo tão forte, criando uma caixa de Pandora que poderia aniquilar o mundo como era conhecido até então.
    George pediu a Joel que o acompanhasse até ao seu gabinete, queria saber o que estava a passar para todas as pessoas estarem tão agitadas.
    - O Adão desapareceu George. Alguém o ajudou a fugir! – Declarou o seu braço direito.
    - Como alguém o pôde deixar fugir? Como? Ele ontem esteve no tanque durante duas horas e depois foi para o seu quarto. Foi-lhe dada a sua comida e o seu comprimido do controlo da mente. Eu saí daqui às duas da manhã e ele estava aqui. Os seguranças e os cientistas que ficaram a trabalhar aqui durante a noite. O que eles estavam a fazer? Como me deixaram fugir o híbrido? Como? – George estava cada vez mais exaltado.
    - O segurança que se encontrava junto ao quarto do Adão foi sedado e as câmaras de vigilância foram desligadas durante quase três horas. O alarme não disparou por isso ninguém suspeitou do que estava a acontecer. – Explicou Joel – Quem planeou isto, planeou-o durante imenso tempo e conhecia bem a Área X. Temos de encontrar o rapaz. Ele não conhece nada do mundo lá fora, ele pode estar em perigo.
    - Não conhece nada do mundo lá fora, coitadinho, deve estar borrado de medo! – disse George em tom irónico - Eu não quero saber do bem estar dele. Tudo o que me interessa a mim é o que ele me pode trazer! Precisamos de o encontrar sim, mas é porque eu preciso dele para o que tenho planeado. Vamos mas é à sala de controlo! O chip pode ser controlado através de lá. Como não te lembraste disso antes?
    Joel apresentou uma face de desgosto ao ouvir aquilo. George revirou os olhos e levantou-se da sua secretária e foi até à sala onde um computador controlava o chip que Adão tinha implementado no seu pescoço. Era o único computador que tinha o programa de acesso e apenas os cinco timbres de voz gravados no chip podiam entrar no sistema. Naquela altura apenas restavam quatro, já que a voz de Lourenço nunca servira para o controlar, ele morrera antes do híbrido poder obedecer à sua voz.
    George deu um murro na mesa onde se encontrava um holograma de um teclado. O programa tinha sido adulterado, não havia nenhum dos nomes originais a controlar Adão mas sim um novo. Génesis.
    - Parece que este programa foi sabotado, alguém destruiu por completo a memória do chip do Adão e colocou um novo nome em código para o controlar sozinho.
    - Que brilhante conclusão a que chegaste! Mas só tenho estúpidos a trabalhar comigo? Que saudades eu tenho do Lourenço. Ele ao menos não realçava o óbvio. – Cuspiu George para fora. Estava farto da incompetência de todos os que o rodeavam. Incompetência ou falsa incompetência. Sim, porque quem tinha feito aquilo mesmo debaixo dos seus olhos não era de todo incompetente. – Quero saber quem fez isto! Quero saber imediatamente quem me libertou o híbrido. – George raramente tratava o rapaz pelo nome, ele era mais um objecto para ele que um simples ser humano modificado. Tu és investigador caramba, ajuda-me a resolver isto! Eu estou a pagar-te a peso de ouro a ti e à tua mulher para se andarem a pavonear por aqui? Mas que merda!
    Joel saiu da sala sem lhe responder, provavelmente a sua paciência para o ouvir tinha-se esgotado naquele momento. Ele não queria saber se tinha ferido os seus sentimentos, ele não os tinha. George nunca fora um rapaz que se importasse com os outros e isso era o que o irritava mais em August. Porque razão o irmão queria ajudar a salvar os outros se mais tarde poderia ser traído por quem ajudou? Ele fora traído mesmo sem ajudar nenhum deles. Por isso não entendia mesmo o que o seu irmão queria com tudo aquilo, para que queria um híbrido para salvar a humanidade se a podia ter nas mãos.
    Foi interrompido nos seus pensamentos com a entrada de Lígia na sala de controlo do chip do Adão.
    - Sai-me o incompetente do marido e vem-me a incompetente da mulher. Se me vens dar mais notícias más é melhor nem abrires a boca! – George parecia estar a falar para o ar mas a rapariga ficou furiosa ao ouvir aquilo. A sua expressão ficou ainda mais carrancuda que a dele, e isso era uma meta difícil de atingir.
    - Era só para lhe dizer que a nova paciente está no quarto da ovelha. Está tudo pronto para iniciar-se o processo. Sei que gosta de estar presente em todos os projectos que se realizam no quarto da ovelha, é apenas isto que lhe tenho a dizer! – Disse a rapariga indo-se embora.
    George não estava com cabeça para ir ver mais um processo daqueles, ainda por cima com um problema maior a assolá-lo, mas preferia estar presente não houvesse mais incompetentes presentes naquela sala, ou pior, o mesmo intruso, o tal génesis, e levar o produto final daquela sessão.
Vale do Fim | Capítulo 23 (Parte 1) Reviewed by Fantastic on 19:30:00 Rating: 5

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