Header Ads

Vale do Fim | Capítulo 22 (Parte 3)

 
Também disponível no Wattpad em http://goo.gl/uVVbsb 

Capítulo 22 - Anjo da Guarda (Parte 3)
 
Quando Luna viu o rapaz que a salvou, mesmo à sua frente, na casa de Miguel, ela não conseguiu conter-se e abraçou-o, abraçou-o com todas as forças que tinha. Se não fosse ele onde estaria ela naquela altura. Ela e os seus pais tinham morrido, não tinham forma de escapar.
    - Vocês conhecem-se?! – Miguel estava surpreendido. Ela não chegara a dizer-lhe o que tinha acontecido. O seu telemóvel estava estragado e tinha saído do hospital directamente para ali para contar que havia alguém igual a ele e que, esse alguém, a salvara.
    - Ele é o meu Anjo da Guarda! – Disse, olhando novamente para Adão. Os seus olhos cintilavam a olhar para o rapaz que a salvara a vida. Quando olhou para Miguel pôde ver que ele não estava assim tão contente como ela. Seriam ciúmes aquilo que ele estava a ter? Nunca nenhum rapaz tinha sentido ciúmes por ela estar com outro rapaz e isso fazia-a sentir de certa forma contente. Não que ela gostasse daquele rapaz que ainda não conhecia, ela só tinha olhos para o Miguel, mas ele ficava lindo com aquele ar carrancudo para o Adão.
    Luna sentou-se no sofá em frente aos dois rapazes. Adão não conhecia toda a história e Miguel não conhecia nenhuma. Voltar a falar de tudo o que lhe aconteceu trouxe-lhe novamente o desespero e o pensamento de que poderia já não estar naquele mundo, mesmo assim foi mais forte e disse tudo sem verter uma única lágrima, afinal o pior já tinha passado, ela estava viva e era isso que importava. E ela não podia estar mais feliz. Agora tinha um namorado e tinha um protector, e não queria perder ambos. Conhecia Adão há pequenas horas mas ele inspirava-lhe toda a confiança que ela precisava para o seu dia-a-dia.
    - Como chegaste até aqui? Quem és tu? O Miguel disse que era um caso isolado, um projecto realizado há anos e que correu mal. Também fazes parte desse projecto? Estavas também naquele autocarro? – Perguntou Luna curiosa. Ela olhou para Miguel e viu que ele estava tão curioso para saber aquilo como ela.
    Adão levantou-se e foi para o sofá da frente, enquanto Luna caminhou para o lado de Miguel que lhe colocou a mão na perna e olhou para Adão com reprovação. A rapariga nunca tinha conhecido aquela faceta do rapaz, ele estava a parecer bastante possessivo, mas a curiosidade em saber mais sobre o rapaz que a salvou fê-la não pensar nisso.
    - Bem, nem eu próprio sei o que sou! – Começou Adão por dizer. Estava a coçar a cabeça. Parecia estar um pouco nervoso. – Eu sou um rapaz controlado e consigo fazer coisas que a maior parte das pessoas não consegue. Sou visto como uma arma de guerra e a salvação da humanidade. É tudo o que sei, foi tudo o que ouvi por aqueles corredores onde estive enclausurado a minha vida toda.
    Luna achou-o ainda mais cativante. O mistério excitava-a e parecia estar à frente de um. Como podia uma pessoa não saber o que era. Pensou mais um pouco e isso até nem era algo difícil de acontecer. Ele era apenas uma metáfora do ser humano. Ninguém sabe o que realmente é, o que faz neste mundo. Uns agarram-se à fé e crêem ter uma missão que Deus, a divindade que os criou, lhes deu. Luna era um pouco céptica em relação a essa teoria. Seria Deus capaz de dar como missão a um ser humano a de matar um outro? Seria Deus capaz de dar como missão a um ser humano a de violar um outro? Luna tinha as suas dúvidas. As explicações que a ciência tentava dar eram um pouco mais plausíveis, mas mesmo assim, havia muito por explicar. Ela via Adão assim, como um mundo por explicar, talvez fosse mais fácil descobrir a sua origem do que a origem da vida, essa era um pouco mais difícil.
    Ouviram-se passos e os três olharam para Artur que descia as escadas.
    - Como ela está? – Perguntou Adão assim que o viu.
    - Estável. Tu sabes o que fazer? Preciso de ajuda! Se fores mesmo meu… nosso filho, se estiveste todo este tempo com o George, diz-me por favor como salva-la. – Suplicava o homem. Luna nunca tinha visto o colega do seu pai assim. Parecia completamente aterrado com a hipótese de perder a mulher.
    - Eu… não posso ajudar. A voz que ecoa na minha cabeça diz que eu vos tinha de salvar mas eu não sei como. Sinto-me impotente ao vê-la assim tal como tu! Eu acabei de vos conhecer, não a posso perder… mas eu não consigo ajudar. – Adão ficou esmorecido ao deitar para fora aquelas palavras. Se diziam que ele podia ser a salvação da humanidade porque razão não conseguia salvar a sua mãe? Como ele iria salvar alguém que não sabia o que tinha.
    - Diz-me onde estiveste este tempo todo! O George tem de estar lá de certeza. Ele saberá como salvar a Alina. Ele não pode ser tão frio ao ponto de deixar morrer a própria sobrinha.
    Adão ficou em silêncio por um tempo, talvez na esperança de se lembrar de algum pormenor que o levasse àquele sítio. Luna tinha ouvido o que ele tinha dito à momentos atrás.
    - Não sei. Ninguém sabia onde se localizava a Área X, apenas o George e um número muito reduzido do GDC sabe onde se localiza. Apenas sei que não fica neste país, eu andei num transporte voador. – Disse o rapaz fazendo todos os que encontravam na sala que ele não sabia o que era um avião.
    Artur perguntou-lhe se ele tinha visto alguma coisa da janela quando levantou voo, mas o rapaz disse que o lugar era afastado da janela. Isso fazia sentido para Luna, a pessoa que lhe reservara o bilhete não queria que ele soubesse nada sobre o país onde se localizava o tão misterioso local onde o único que poderia saber mais sobre a cura se encontrava.
    Estava a ficar tarde e Luna decidiu ir embora, deixar aquela família e ir ter com a sua. Quando chegou a casa a sua mãe estava a dormir no sofá. Ela não a acordou, deixou-a dormir. Sabia que ela ia novamente dizer que aquele rapaz tinha sido um milagre que Deus lhe pôs no seu caminho, tal como tinha dito no hospital. Os médicos e os agentes ficaram um pouco reticentes quanto à veracidade da história. Primeiro não tinham visto rapaz nenhum, depois era impossível um adolescente salvar três vidas em tão pouco tempo, estando elas enclausuradas num carro caído ao rio.
    Seguiu até ao escritório onde o seu pai devia estar. Ele passava imenso tempo no seu escritório. Sentia-se em paz, dizia ele. Luna achava que ele devia estar a descansar como a sua mãe, tinha sido uma manhã difícil e devia estar em repouso.
    Ao aproximar-se do escritório começou a ouvir a voz do seu pai. Ele estava a falar com alguém.
    - Era ele, ele está aqui! Ele chegou a Vale do Fim e salvou-me a mim e à minha família. (…) Sim, tenho a certeza que não era o Miguel, eu conheço o Miguel desde que aqui cheguei! Era o Híbrido, tenho a certeza que era ele. Era o Adão.
    - Com quem estás a falar? – Disse Luna a entrar no escritório. – O que tu sabes sobre o Adão.
    O seu pai desligou o telemóvel e pediu para que ela se sentasse. Luna sentou-se à espera que ele falasse.

Sem comentários