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Vale do Fim | Capítulo 21 (Parte 3)

 
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Capítulo 21 - Fuga (Parte 3)

Miguel estava a ficar impaciente. Luna combinara ir ter com ele de manhã, mas não lhe respondia às mensagens há um longo período de tempo. Isso estava a deixá-lo um pouco preocupado. Luna respondia-lhe a todas as mensagens quase que imediatamente. Era isso o que mais gostava na relação deles, a cumplicidade entre os dois. Tinha fresca na memória o dia em que a pedira em namoro, cerca de três semanas depois de ela chegar a Vale do Fim e começar a sair com o seu reduzido grupo de amigos. A aldeia tinha cada vez menos adolescentes. Isso iria ser um problema, especialmente para a empregabilidade da área. Quem iria substituir as pessoas que estavam na altura de se reformar se não existia ninguém para os substituir. A ajuda tinha de vir de fora. Os pais de Luna eram exemplos disso. Tinham vindo de África em busca de uma vida melhor. O pai da rapariga era colega de Artur e a mãe também arranjara um emprego na sede de concelho.
    
Miguel voltou a olhar para o seu telemóvel. Algo se tinha passado. Ele tinha a certeza. Voltou a mandar-lhe uma mensagem. Ela não respondeu. Fez uma chamada com esperança que ela atendesse. Ela não atendeu. Lembrou-se da noite anterior. Da noite em que se sentira nervoso como nunca tinha estado até àquela altura. Os pais de Luna tinham saído, eles estavam a preparar tudo para a viagem que iriam fazer até à capital e ela convidara-o para ir ver um filme. Já eram namorados há três meses, mas quase nunca tinham estado realmente sozinhos. Falou com Artur, tinha sorte de o ter perto dele, precisava de conversar sobre algo que pensava que não teria que conversar com alguém mais velho. Precisava de falar sobre sexo. Ele conseguia controlar a força, mas o seu sistema nervoso fazia com que houvesse problemas. O seu maior medo era magoar Luna. Ele nunca lhe contara sobre as suas peculiares mutações. Nunca contara a ninguém. Tremia por todo o lado quando bateu à porta da rapariga. Ela abrira-lhe a porta e ele delirou quando a viu. A sua pele não era muito negra, tal como a dos seus pais. Tinha alisado os seus longos cabelos e trazia um vestido azul. Isso deixara Miguel petrificado, hipnotizado pelos seus olhos verdes claros.
   
Miguel estava tão nervoso que nem estava a tomar atenção ao filme. Luna percebeu isso e deu-lhe um beijo, um beijo que Miguel queria que nunca mais terminasse.
    
- Vamos até ao meu quarto! – Convidou Luna, deixando-o nervoso. Nem a conversa com Artur o tinha ajudado. E se ele a magoasse? Era a última coisa que ele queria fazer. Tinha medo de a machucar, mas também tinha medo de a perder, e se não dessem aquele passo ela podia desistir da relação. Miguel era um pouco inseguro, talvez por às vezes não saber lidar com o seu corpo. Talvez por essa razão nunca tinha tido uma namorada.
    
Subiram até ao quarto. Luna deu-lhe um beijo e atirou-o para a cama. Quando ela desapertou o seu vestido e ficou apenas de tanga e soutien Miguel ficou de boca aberta. Tinha medo que ela não gostasse daquela sua expressão, que pensasse que ele era um tarado, mas ele nunca tinha visto uma mulher nua à sua frente. Ela deve ter percebido o que estava a acontecer porque fez um sorriso ao olhar para ele. Então tirou o seu soutien branco e atirou-o à cara dele. Ele rapidamente o tirou da frente e voltou novamente a olhar para ela, já completamente nua. Aquilo ia acontecer, era inevitável.
   
- Vais ficar vestido? – Perguntou-lhe ela soltando depois umas risadas. Sentiu muito calor na sua cara e percebeu que devia estar mais vermelho que um pimento.
    Ela caminhou até ele e desapertou-lhe a braguilha das suas calças de ganga cinzentas. Ele levantou-se para que ela lhe tirasse as calças e sorriu quando percebeu que ele estava realmente excitado. Luna empurrou-o e ele ficou deitado na cama, vestido apenas da cintura para cima com uma t-shirt. Beijou-o novamente enquanto o primeiro instinto dele foi de lhe tocar nos seios. As suas mãos queriam tocar em toda a sua pele macia enquanto sentia o sabor a morango dos seus lábios carnudos.
    
Quando lhe veio à mente que a podia magoar ficou nervoso e acabou por deixar de ter controlo na sua força. Empurrou-a e ela caiu da cama. Isso deixou-o aterrado.
    
- Como fizeste isso? – Perguntou a rapariga.
    
 - Eu, eu… eu sou diferente! – Não havia como esconder. Não lhe podia esconder mais nada depois daquilo. – Em criança eu fui cobaia de um projecto, um Projecto de mutações genéticas. Eu morri, estive morto durante um dia, mas os efeitos desse Projecto no meu corpo fizeram com que os meus órgãos se regenerassem, que o meu coração voltasse a trabalhar. Descobri que sou algo que designam de semi-híbrido. Não me perguntes porquê porque não percebi bem a razão, mas eu tento não o saber. Tento esquecer tudo isso. O Artur é igual a mim, ele tem-me ajudado a controlar a minha força, a ser uma pessoa normal, mas quando fico nervoso eu não a consigo controlar.
    
Luna nada lhe disse. Voltou a subir a cama e sentou-se em cima dele. Pegou no seu membro e guiou-o até ao seu sexo, fazendo Miguel sentir algo que nunca tinha sentido. Eram um só. Artur dissera-lhe que as relações sexuais de todos aqueles que tinham sido expostos à experiencia cientifica eram maiores que o normal, mas Miguel não achou quando três minutos depois acabou por ejacular. Ela tirou-lhe o preservativo e deitou-se ao lado dele, olhando os dois para o tecto.
    
- Vês… não és diferente! És igual aos outros. Não me magoaste… foi perfeito! – Disse ela acabando por lhe dar novamente um beijo.
    
O toque da campainha fez Miguel voltar ao presente. Correu para a porta com esperança que fosse Luna. E era. Vinha completamente encharcada e a chorar. Tinha uma ferida na cabeça que ainda deitava sangue.
    
Luna abraçou-o e fê-lo temer o pior. Ouviu alguém descer as escadas atrás de si. Era Artur e o rapaz que tinha chegado agora a sua casa que dizia ser Adão. Quando Luna os viu largou Miguel de imediato e correu para as escadas em direcção a esse rapaz.
    
- Tu?! – Gritou a rapariga abraçando-o ainda com mais força do que a ele. Isso deixou-o com ciúmes.
    
- Tu conheces esta família? – Perguntou Adão à rapariga.
    
- Sim! E quem quer que tu sejas, eu só te posso agradecer. Se não fosses tu…!
    
Miguel ficou intrigado, sem nada perceber. O que teria acontecido com Luna? Como ela poderia conhecer Adão? Eles tinham muito que explicar naquele momento!
Vale do Fim | Capítulo 21 (Parte 3) Reviewed by Fantastic on 19:00:00 Rating: 5

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