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Duplo Clique | "As Caras da Estação"


Um dos programas mais queridos e desejados pelos portugueses regressou à antena da TVI sem a pompa e circunstância que merecia. A Tua Cara Não Me é Estranha 4 estreou a um sábado, dia 22 de outubro, e estreou à pressa, em emissão diferida, perdendo muito do brilho que o caraterizava. Os apresentadores mais espontâneos da televisão estão lá, assim como os jurados (agora sem António Sala) e os concorrentes mostraram que estão prontos para dar espetáculo. Ainda assim, parece que a verdadeira essência do famoso “programa de domingo à noite” se perdeu irremediavelmente. Até porque já nem dá ao domingo.

O formato A Tua Cara Não Me é Estranha é talvez o programa mais bem-sucedido do horário nobre de domingo da TVI nos últimos anos. Sucesso de audiências desde a estreia da primeira temporada, em 2012, nunca deixou de manter o interesse do grande público (intergeracional e familiar) e de conseguir superar-se na qualidade do entretenimento. As galas foram apostando na vertente espetacular das apresentações, a realização televisiva potenciou-o e – porque a televisão pode ser bonita, mas é mais oca sem uma verdadeira alma –, a grande essência do programa começava e acabava no talento e verdade das prestações em direto, dos apresentadores ao público.

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Durante alguns anos foi, de facto, “o programa de domingo à noite”, sinónimo de longas horas de bom entretenimento. Nem com a edição infantil e de duetos o sucesso esmoreceu. Agora, A Tua Cara Não Me é Estranha 4 provou que tem tudo para continuar a resultar nas audiências, mesmo ao sábado. A gala conquistou um milhão e 458 mil espetadores em média, segundo dados da GfK. Os portugueses mostraram que queriam o regresso do formato de imitações. Mas será que mataram saudades?

Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira dispensam quaisquer novos elogios, são uma âncora naquele programa. À mesa do júri estão agora Alexandra Lencastre, José Carlos Pereira e Luís Jardim, sem António Sala, porque alguém quis tornar o programa mais jovem (ou afastar uma audiência mais velha). O leque de concorrentes, por sua vez, não é um dos mais surpreendentes, seguindo as linhas de estilo dos antecessores, e parece não revelar ainda tanto espírito de grupo.


Televisivamente, nota-se que a dimensão de espetáculo continua a ser um ponto importante para o resultado final da emissão, sendo que o grupo de bailarinos coreografados por Cifrão é um elemento fundamental para a vivacidade e riqueza visual das atuações. Por outro lado, também a identidade visual do programa se manteve, com ligeiros e positivos ajustes audiovisuais, e o cenário, modernizado e com mais amplitude lateral, proporciona um bom palco.


Curiosa foi a decisão de gravar as galas de A Tua Cara Não Me é Estranha 4, emitindo-as em diferido. Percebe-se que é por contenção de custos (porque realizar diretos sai caro), e assim perdeu-se a componente live da competição com a votação por chamada telefónica. À sala de estar dos espectadores chega uma sensação de distância, quase emocional, como se estivéssemos a viver uma festa que já aconteceu – e se os apelos telefónicos podiam ser exaustivos, eram eles que em parte mantinham a ligação emocional do público aos concorrentes e, por conseguinte, ao programa.


O pequeno grande pormenor que continua a ser ridículo em A Tua Cara Não Me é Estranha é o mecanismo de sorteio dos artistas que os concorrentes têm de interpretar na semana seguinte. O anterior botão da roleta digital (que nunca foi credível nem funcional porque nunca esteve sequer ligado a um circuito elétrico), evoluiu agora para uma estranha alavanca que nem os concorrentes sabem usar e com o qual a produção teve dificuldade em acertar as imagens no ecrã.

Só isso mostra como A Tua Cara Não Me é Estranha é um programa de televisão, de imitações, no fundo, de brincadeira. Para o nosso “programa de sábado à noite” convencer como nas edições anteriores, a brincadeira tem de tornar-se mais divertida.

A Tua Cara Não Me é Estranha T4
, para ver aos sábados, depois do Jornal das 8, na TVI.

Duplo Clique - 85ª Edição
Por André Rosa

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