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Vale do Fim | Capítulo 18 (Parte 1)



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Capítulo 18 - Guernica (Parte 1)
 
Joel saiu da esquadra e foi até perto do café onde se encontrava com George quando precisava de ajuda. Sabia que aquele homem pertencia ao GDC há muitos anos mas nunca convivera muito com ele. Nem mesmo quando se mudou para Vale do Fim e trabalhava ali perto. Ia até ao estabelecimento para espairecer um pouco e ver Lígia. Nunca se falavam, apenas olhavam um para o outro. Para os outros eles eram dois estranhos, um investigador da polícia e a secretária da câmara municipal. Ninguém imaginava sequer que eles um dia tinham tido uma vida em comum. Nove anos se haviam passado desde que se cruzaram num dos muitos encontros do GDC.

As reuniões passavam ao lado da maior parte das pessoas que não faziam parte da organização. No centro de cada cidade ou localidade onde George soubesse que existia alguém pertencente à comunidade, era colocado um cartaz convidando a coisas estapafúrdias como venham festejar a chegada de lapiseiras. No dia em que conheceu Lígia estava a ir para uma dessas reuniões. Decorria o ano de dois mil e dois e, embora o GDC já tivesse um grande número de membros, em Lisboa eram poucos aqueles que tinham conhecimento daquela organização. Estavam apenas quatro pessoas naquela pequena arrecadação de um prédio velho. George escolhia os lugares que davam menos nas vistas para que ninguém os interrompesse.

Lígia sentou-se ao seu lado. Tal como ele também parecia estar nervosa. Não sabia do que se tratava aquelas reuniões.

- Achei graça ao cartaz e vim! Espero não arrepender. – Disse a rapariga ao olhar para ele.

Ele compreendia-a. Era também a segunda vez que ele ia a uma reunião marcada pelo líder do GDC. Só acontecia uma vez por ano no mesmo local. A sua primeira vez, no anterior, ele fora para saber se não se tratava de uma ilegalidade. Estava na polícia há pouco mais de seis meses e queria defender a sua região de criminosos. O que George lhe disse naquele encontro marcou-o e fê-lo manter contacto com ele todo aquele tempo.

- Não te preocupes, não te vais arrepender, o que vai ser dito aqui vai mudar a tua perspectiva de ver o mundo, vais pensar duas vezes quando olhares para as guerras, para os assassinatos em massa. Vais querer voltar ao ano passado e poder dizer que querias ter aquilo que o George pretende desenvolver e ter evitado o 11 de Setembro. Eu venho de longe, do interior do país, Vale do Fim, mais propriamente. Chamo-me Lourenço e sou um seguidor fiel de toda a doutrina que este fantástico ser

tem para nos dizer. – Esclareceu o terceiro homem que se encontrava na sala, deixando o homem mais velho, o quarto elemento que constituía o grupo, com um sorriso nos lábios.

Enquanto conversavam um quinto elemento entrou naquela arrecadação. Era o mais jovem de todos. Era ainda um adolescente. Deveria ter os seus dezasseis anos.

- Ainda bem que vieste Santiago. Estou muito feliz por te ver aqui! Sabes que gosto de passar tempo contigo e sabes que gosto de te ter a meu lado em tudo o que faço. Gosto de ter o teu apoio. – Disse George ao ver o rapaz entrar naquele sítio nauseabundo onde se encontravam.

- Sim, por isso é que me deixas a mim e a minha mãe sozinhos, tudo em prol de uma mudança da mentalidade humana. Um pai não abandona o seu filho durante meses e depois o contacta para meter macacos na sua cabeça! – Cuspiu Santiago. Há primeira vista pareceu-lhe um filho revoltado. Não o podia criticar. O George era um homem que viajava pelo mundo a angariar pessoas para a sua crença de um mundo melhor. Foi interessante ver a modificação ao longo dos anos de Santiago, agora quase com trinta anos. De um rapaz revoltado a um homem capaz de morrer pelo GDC, infiltrado na equipa de August com o único objectivo de trazer o híbrido.

Mergulhado nos seus pensamentos não demorou muito a chegar ao café onde a missão Guernica ia ter inicio. Uma grande multidão já se encontrava concentrada no café, enquanto o seu dono gritava o mais alto que podia para se fazer ouvir perante toda aquela multidão.

- Os Ingleses vieram para a nossa terra para cometer crimes hediondos. Como é possível o nosso presidente cooperar com tal escumalha, escumalha essa que fez duas dezenas de pessoas, nossos amigos e entes queridos estarem agora sepultados no pequeno cemitério de Vale do Fim. O Joaquim está preso, mas isso não chega! – Gritava o dono do café, fingindo estar a saber de tudo naquele momento quando ele sabia a verdade mesmo antes de tudo aquilo acontecer.

- Eles não podem sair impunes! – Gritou um cidadão, tendo o apoio dos restantes habitantes que ali se encontravam.

Joel não conseguia contar todos os que ali se encontravam mas poderia deduzir assim por alto que eram mais de meia centena. Todos eles traziam consigo tochas. Sabia para que é que elas serviriam. Embora fosse final de tarde e fosse noite

quando chegassem ao armazém abandonado onde August abrigava o seu laboratório, ele sabia bem que aquilo tinha outra utilidade. Sabia o que eles iam fazer.

- Está na altura de acabarmos de uma vez por todas com aquela raça que se infiltrou aqui neste pedaço de terra esquecido por Deus, atraindo a escuridão até aos seus cidadãos. Vamos até aquele barracão e queimar tudo o que há lá. Se eles lá estiverem melhor. A justiça deve ser feita pelo povo! Se os matarmos ninguém vai sentir falta! – Gritou o homem e todos os outros levantaram as tochas ainda apagadas.

Joel estava com sentimentos dúbios. Seria o correcto a fazer? Porque é que haveriam de matar aquelas pessoas. George tinha polícias, advogados em todo o mundo que cooperavam com a GDC, porque razão matar o seu irmão em vez de o meter em prisão perpétua. Lembrou-se de uma conversa que teve com ele quando soube do que ele planeava fazer, queria fazê-lo ver que ele poderia estar errado, que August ainda o podia ajudar, podiam chegar a acordo os dois, mas o velho líder tinha ideias fixas e nem sequer o quis ouvir até ao fim.

Olhou para eles a acenderem as tochas e a caminharem a pé em direcção ao laboratório. Olhou para o relógio e viu que estava quase na altura de partir para a Área X com os restantes membros da GDC que ali se encontravam, mas ainda lhe faltava fazer uma coisa em Vale do Fim. Dirigiu-se até ao seu carro e pôs a chave na ignição. Pôs o pé no acelerador em direcção ao destino que tinha em mente. 

Vale do Fim
Por Ricardo Reis

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