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Vale do Fim | Capítulo 16 (Parte 2)


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Capítulo 16 - Semi-híbridos (Parte 2)

Eva passou toda a viagem nervosa. Sentia-se igual aos dias que vivera nos últimos dez meses. A vacina parecia não ter feito o efeito que ela desejava. 

- Podem não sentir o efeito imediatamente. Tenho a certeza que aquilo está a retirar os efeitos do soro do vosso corpo! – Dizia Viktor que conduzia o carro até Lisboa. 

Mesmo com ele a tentar reconfortá-la, ela estava ansiosa na mesma. O antídoto podia demorar o seu tempo a surtir efeito, mas faltavam pouco mais de quatro 

horas para subir ao palco e mostrar a sua garra. O seu maior receio era estar a dançar e desaparecer do palco de um momento para o outro, que nem um personagem de banda desenhada. 

- Tens de pensar que tudo vai correr bem. Sabes que sentes mais os efeitos do Projecto MG quando o teu sistema nervoso é alterado. A vacina não é milagrosa, é impossível sentires melhorias imediatas. O Projecto ainda está no teu sangue. 

A conversa com o seu namorado estava a deixa-la furiosa. Se ele sabia que ela tinha uma competição tão importante para ela porque não lhe dera a vacina antes. Depois de algum tempo pensou na razão e voltou a perdoa-lo na sua mente. Ele queria o melhor para todos, principalmente para ela. Ele testara aquele antídoto vezes sem conta até ter a certeza que não lhes iria fazer algum mal. 

Aproveitaram para ir comer os pastéis de Belém, já que o café que vendia aquela iguaria ficava muito perto do local onde se ia realizar a prova. Iria ser um final de tarde e uma noite longa. Eva iria ser das últimas a entrar em palco. Isso ainda a deixava mais nervosa. Ela iria ver todos os candidatos à sua frente. Ela era uma boa dançarina, mas todos os que estavam ali atingiam o mesmo patamar de profissionalidade, alguns até seriam melhores que ela. 

Já no edifício onde se ia realizar a primeira eliminatória do campeonato, Eva dirigiu-se para o camarim. Pediu ao segurança para deixar o seu namorado entrar. Como ainda não tinha ido mais ninguém para os camarins ele deixou-o entrar, com a condição de que quando mais uma bailarina entrasse, ele saía. Eles concordaram com a condição imposta. 

O Camarim era espaçoso. Dali a algum tempo iria ter 5 bailarinas a prepararem-se para o campeonato. Naquele momento só era ocupado por eles dois. 

- Dança para mim. Concentra-te e faz aqueles passos que me mostraste da última vez que treinaste lá na escola de dança. – Pediu Viktor. 

A rapariga assim o fez. Começou a bailar. Os primeiros passos correram bem, mas quando começou a sentir um frio na barriga deu um grande passo, tão rápido que bateu na parede do camarim.

- Não! Não! – Dizia Eva desesperada. – E se o antídoto apenas faz efeito aos ratos. Se nós somos imunes a ele. Eu acabei de correr até à parede! Se me acontece no palco eu estou, além de desclassificada, nas bocas do mundo. Eu não quero ser um caso de estudo Viktor. Não quero!

- E não serás! Tenta acalmar-te. – Disse o namorado tentando acalmá-la embora ela visse o seu olhar aterrado. Ele sabia que se alguém visse aquilo quereria saber como ela o fizera. 

- Eu acho melhor desistir. Não entrar em palco. Isto é um erro! – Acabou por dizer. 

Viktor chegou-se mais perto dela e agarrou-lhe as mãos. Os seus olhos cruzaram-se. Ficaram os dois, ali a olhar um para o outro, como se nada mais existisse.
- Tu não vais desistir! Lutaste tanto para estares aqui, treinaste meses e meses sem conta para agora quereres ir embora sem tentares. Essa não é a Eva que eu conheço. A Eva que eu conheço é capaz de entrar ali e arrasar em palco, ela não é mulher de desistir. 

- Gosto quando me confortas! Fazes-me bem. É difícil subir ao palco nestas condições, mas era mais difícil de o fazer se não te tivesse aqui do meu lado, se não tivesse todo o teu apoio. Eu vou subir ao palco. Não será este Projecto que me vai deter! Eu sou mais forte que ele. 

Enquanto falavam a primeira bailarina entrou no camarim. Olhou para os dois. Ficou um pouco espantada por ver Eva chorar, mas apenas os saudou com um seco boa tarde. 

- Bem está na hora de te deixar sozinha, a preparar-te! Desejo-te a maior sorte do mundo. Tudo vai correr bem! 

Viktor deixou-a sozinha com a outra bailarina. Embora a sua oponente em palco não fosse dada a grandes conversas, ainda falaram por breves minutos. Isso fê-la aliviar um pouco dos nervos que tinha acumulados. 

Esses nervos voltaram uma hora depois, quando a primeira bailarina dos dez bailarinos profissionais subiu ao palco. Eva era a nona a apresentar a sua dança ao júri e ao público. Sabia que era aos jurados que tinha de agradar, mas queria sentir os aplausos calorosos da plateia que ali assistia. Fazia sentir-se bem saber que alguém apreciava o seu valor, que alguém que ela não conhecia valorizava o esforço que ela tinha feito durante todos aqueles meses para conseguir triunfar no campeonato nacional e, um dia, internacional. 

O momento chegara. Ouvira o apresentador a proferir o seu nome e sabia que estava na hora. Era o momento de subir ao palco. Entrou e olhou para a grande plateia. A sala estava cheia, não havia um único lugar vago naquela noite. Era um evento importante e isso fazia com que muitos curiosos e interessados na dança quisessem assistir àquele momento. 

Eva ficou petrificada. Olhava para a plateia e para as pessoas que a iam avaliar. Essas estavam sentadas na primeira fila. Eram mais de dez, nomes importantes da área, quer nacionais ou internacionais. Sentiu a mão tremer. A velocidade a que tremiam, faziam-na temer o pior. Aquilo fê-la voltar a pensar. Estava com medo de continuar. 

A música de fundo já decorria, mas ela continuava ali parada, sem saber o que fazer. Olhava para as caras da plateia, em especial para as do júri. Via-os a ficar aborrecidos e ela ali, sem coragem de continuar e apresentar o seu bailado. 

A música parou de repente. Um dos homens que estavam ali para a avaliar levantou-se. 

- É normal que esteja nervosa! Eu também ficava, estando a ser olhada por um bando de tubarões. Mas não há que ter medo, sabemos o quanto deve ter treinado para estar aqui, o quanto se esforçou para que conseguisse uma das melhores posições da noite. Não pense nisto como uma competição, pense nisto como um dos seus treinos, mas desta vez com um grande público. 

O homem tornou-se a sentar e a música voltou a tocar. Eva olhou para Viktor que estava na segunda fila, mesmo atrás do júri que a avaliava. Olhava para ela com o seu sorriso doce de sempre. Isso fê-la sentir-se menos nervosa. 

Deu o primeiro passo, o segundo, deu uma pirueta. Os nervos começaram a desaparecer. Tentava concentrar-se apenas no momento, deixar tudo o que de mau se tinha passado, deixar de pensar que a vacina para a cura do Projecto ainda não tinha resultado. Pensava apenas que estava ali para ganhar. Depois de tanto esforço que teve não podia sair dali sem o primeiro lugar, ela merecia-o. 

Quando a dança terminou ela sentiu-se feliz, tudo correra bem. O público levantou-se e aplaudiu-a, e o elemento do júri que a confortou subiu ao palco para congratula-la. 

Uma hora depois era a altura de saber as classificações. Eva ficou em quarto lugar. Não ficou triste, não ocupara o pódio mas ficara numa posição muito boa. 

Preparava-se no camarim, juntamente com mais duas raparigas que competiram com ela há momentos atrás, quando Viktor entrou. 

- Eva despacha-te, temos de ir imediatamente para Vale do Fim! – Parecia-lhe nervoso ao dizer aquilo.
Vale do Fim - Capítulo 16 
Por Ricardo Reis

Vale do Fim | Capítulo 16 (Parte 2) Reviewed by Fantastic on 19:30:00 Rating: 5

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