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Segunda Opinião | Amor Maior




A principal aposta da rentrée da SIC já chegou aos ecrãs portugueses. Amor Maior é a nova telenovela portuguesa do horário nobre da estação e prometia muito. Mas enquanto o amor é maior, a história é bastante menor do que o esperado.

O grande destaque de Amor Maior vai para o elenco que compõe a novela. Sara Matos, Victória Guerra, José Fidalgo, José Mata, João Maneira, Catarina Rebelo ou Inês Castel-Branco são alguns dos nomes que sobressaem no primeiro episódio, num elenco de luxo que conta ainda com grandes caras da representação. Apesar disso, as boas interpretações perdem-se num texto repleto de clichês e numa história que muito se aproxima das velhas novelas mexicanas.

Ação, traições, dramas familiares, amores à primeira vista, explosões, mortes repentinas, imagens de outro país em jeito de “cartão de visita” ou personagens estereotipadas foram alguns dos pontos mais cansativos desta estreia. Depois de escrever o sucesso Mar Salgado, Inês Gomes não conseguiu criar o mesmo impacto narrativo neste capítulo inicial.

As próprias sequências narrativas parecem fazer pouco sentido em alguns casos. Começamos a telenovela com uma cena passada em Alfama, nas marchas populares, onde são apresentadas várias personagens em menos de cinco minutos. Uma temática tão portuguesa e que daria vontade de explorar muito mais, acaba por ser encerrada de imediato. Logo depois, entramos no núcleo familiar da protagonista, Clara (Sara Matos), na inauguração da exposição de Eduardo (Jean-Pierre Martins). Segue-se uma cena duvidosa de ajuste de contas – com o gangue de Lobo (José Mata) a invadir o castelo de São Jorge e de uma viagem relâmpago a São Tomé que apenas serviu para matar Laura (Ana Padrão).

A primeira cena entre os protagonistas – Sara Matos e José Fidalgo – com o amor à primeira vista a dominar a relação é, igualmente, algo mais do que batido e bastante discutível. Acompanhando-a, surge o tema O Amor é Assim, que acaba por reaparecer mais à frente na segunda conversa dos protagonistas, caindo rapidamente na repetição e monotonia. Também a viagem repentina de Manuel (José Fidalgo) acaba por cair no exagero.

Tecnicamente, Amor Maior começa por convencer, sobretudo no que toca à realização e à fotografia, muito superiores ao que costumamos ver em Portugal e bem próximas do que se vê no cinema e em séries televisivas americanas. O recurso ao slow motion, que domina por completo as primeiras cenas da telenovela, acaba por ter apenas uma justificação técnica e nenhum motivo narrativo subjacente. Este é um pormenor que rapidamente cansa e que tem como único objetivo tornar a ação inicial mais espetacular.

Precisamos de ritmo, mas não em demasia. Ainda assim, tal como aconteceu com Mar Salgado, em que algumas soluções narrativas eram mais óbvias, Amor Maior poderá convencer o público, uma vez que se insere num género mais clássico de telenovela, que habitualmente faz sucesso.  Depois desta estreia, Amor Maior tem um longo caminho pela frente. Com um trabalho técnico cada vez melhor, tal como a SP Televisão já nos tem habituado em séries e telenovelas, e um elenco que promete trazer personagens interessantes e competentes, a dúvida que persiste é se o guião melhorará ou se esta será “mais uma história de amor e vingança” para ver na televisão portuguesa. 

 Segunda Opinião - Edição 63
Por André Pereira