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Vale do Fim | Capítulo 13 (Parte 2)


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Capítulo 13 - Um Suicídio Encomendado (Parte 2)


                 August estava frente a frente a Artur. Não sabia como começar um assunto tão delicado como aquele. Ainda por cima depois de saber que o lobo fora encontrado. Se Artur realmente morresse não iria ter ninguém de confiança para o ajudar a apanhar George.

            - O que queria falar comigo? – Perguntou Artur quando o assunto sobre o lobo na floresta parecia estar concluído.

            August mexia as mãos. Sentia-as suadas. Acontecia sempre o mesmo quando estava demasiado nervoso. Estava tão nervoso naquele momento como quando pediu aquele que fora o grande amor da sua vida em casamento. Ela aceitara mas dias depois descobrira a doença. A maldita doença que também vitimara a sua mãe. O cancro, a doença que culpava por levar as pessoas mais importantes da sua vida.

            - Artur… nós descobrimos algo. Descobrimos o que aconteceu ao Miguel. Os exames feitos foram bastante conclusivos.

            Artur ficou surpreso com aquilo e August pôde ver que tinha a total atenção por parte do investigador.

            - Descobrimos que o pequeno morreu no acidente. Alguns dos seus órgãos vitais foram danificados. Ele morreu no local.

            Artur parecia-lhe confuso, não estava a entender o que ele lhe estava a dizer. Era complicado, também ele ainda tentava assimilar o que estava a acontecer. Para ele o que estava morto não podia voltar a viver.

            - É complicado, eu sei, Artur. Fiquei tão intrigado quanto tu! Como seria possível alguém ressuscitar. Porque razão ele voltara e os outros não. Foi isso a resposta que o exame nos deu. O vapor do soro fez-lhe efeito imediato… - August prosseguiu com a explicação, dando-lhe as teorias que Viktor lhe dissera.

            O líder do PastFuture via as expressões de Artur enquanto ele lhe contava tudo. Era mesmo inacreditável. O vapor do veneno de cobra e crocodilo era algo completamente incrível e inacreditável. Conseguia fazer algo que até então parecia ser impossível. A expressão incrédula de Artur animou-o, mas o que ele tinha de dizer a seguir deixava-o aterrado.

            - Tudo isto é apenas uma teoria. Não temos certezas se o que se passou com o Miguel foi aquilo que sabemos. O que sabemos é que os resultados do pequeno Miguel naquela noite em que foi para o hospital inanimado são os mesmos que vocês têm agora. O soro alterou-o por completo no momento exacto em que ele o respirou enquanto a vocês demorou três semanas! Por isso precisava de falar contigo.

            Fez-se silêncio na sala, o que deixou ambos constrangidos. August por não encontrar as palavras certas para o que tinha a dizer e para Artur por estar a ficar impaciente para perceber o que era tão importante ele saber.

            - O que eu te tenho a pedir não é fácil. A coisa mais difícil que eu pedi a alguém. Não encontro as palavras certas para o dizer. Não as encontraria se pensasse todo o tempo de vida que ainda me resta.

            - August está-me a deixar nervoso! O que me quer pedir. – Artur já se mostrava impaciente.

            - Quero que te mates! Eu tenho venenos muito bons. Não sentes nada, apenas danificas os órgãos que, se tudo estiver como pensamos, serão restaurados pelo Projecto MG.

            Artur ficou pensativo. August compreendia-o. Como alguém poderia reagir ao ouvir aquilo que ele lhe dissera. Matar-se em prol da ciência não sabendo se depois disso poderia voltar a viver.  

            - Bem, é uma proposta aterradora! E se o Miguel for apenas um caso isolado? Um num milhão? Se os restantes cinco morrerem….

            - … isso significa que serás um homem morto! – Concluiu August quando se apercebeu que ele não era capaz de o dizer. – No sentido literal da palavra! Eu sei que é difícil estar na tua situação. Eu podia já pegar numa arma e matar-te aqui neste momento. Mas não era capaz de o fazer. Posso conhecer-te apenas há semanas mas gosto de ti meu rapaz. Não devíamos criar laços com as nossas cobaias, mas é difícil quando temos de conviver com elas tão perto. Ganhamos afinidade com elas.

            Artur continuou a ouvir o homem. August estava cada vez mais emocionado a falar com o rapaz. Alina era a única família que tinha e perder aquele homem que estava à sua frente iria causar-lhe danos psicológicos irreversíveis. Dava por si a pensar se o pedido que fizera ao investigador da polícia era o certo ou o errado. Se essa hipótese deveria ser ou não testada.

            - Eu aceito! Aceito morrer! – Disse Artur quando ele menos esperava. – Mas tenho uma condição a impor! Não quero venenos, não quero acidentes de carro, não quero que nem tu nem o Viktor me matem. Quero que seja a Alina.

            - A Alina?! – August ficou visualmente chocado. – Estás a ouvir o que me estás a pedir? Se ela te matar isso vai destrui-la por completo.

            - Essa é a única condição para me matarem. Se eu vou ter de morrer, eu quero que seja morto pela mulher que amo. Quero que seja ela a última pessoa que vou ver em vida, a última pessoa que vai fazer alguma acção contra mim! Tu podes usar o controlo da mente para ela o fazer

            - O que tu estás a pedir é um suicídio encomendado! Vais fazer-me parecer um monstro aos olhos da minha sobrinha. Como ela me vai ver depois disto? – August não sabia o que dizer da proposta que recebera. Era uma proposta completamente surreal, completamente lunática, mas se não a aceitasse tudo poderia ser em vão. Ele não o queria matar mas queria saber o que realmente acontecera a Miguel.

            - Temos acordo? – Questionou Artur. – Estas são as minhas condições. Eu acredito em vocês! As probabilidades de estarem certos em relação a isso são de noventa e cinco por cento. A Alina vai perceber quando eu acordar. Ela vai entender que vocês apenas o fizeram em prol do conhecimento.

            Quando August ia para dizer mais alguma coisa, bateram à porta.

            - Porque se calaram de repente? – Estranhou Alina.

            - Não é nada, eu estava apenas a despedir-me do August! Está na hora de irmos. – Artur esticou a mão ao líder do grupo de cientistas. – Pense na minha proposta. Confio em si! – Esboçou um sorriso.

            Quando os dois saíram August ficou com Viktor no gabinete.

            - O que ele disse!

            - Algo impensável!


Continua...
 Vale do Fim - Capítulo 13
Por Ricardo Reis


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