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Vale do Fim | Capítulo 12 (Parte 2)

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Para ler, todas as segundas, quintas e sábados

Capítulo 12 - Olá! (Parte 2)


Lourenço esperara até ao cair da noite para se aproximar da casa que um dia lhe pertencera. Não podia ser visto, ainda era cedo para as pessoas saberem que ele tinha regressado, ainda era cedo para ele começar a fazer grandes feitos como lhe estava destinado a fazer. Bateu à porta e, depois de um longo tempo de espera, Olívia abriu-lhe a porta que dava acesso à vivenda. A mulher estava visivelmente bêbeda. Isso não era novidade para ele, a sua mulher já tinha alguns problemas com a bebida quando estavam juntos mas agora parecia ter-se agravado. Olhou para o chão perto do sofá e viu um copo caído.

            - Olha para ti! Olha para a merda em que te tornaste?! Como é possível que um dia te tenhas casado comigo? Uma alcoólica com poderes duvidosos! – Disse Lourenço, repugnante.
            - Se vens aqui para me ofender o melhor é ires-te embora meu cabrão. Abandonaste aqui a vaca mas agora precisas de mim, não é? Precisas da puta da tua mulher para a tua organização. Achas que sou estúpida? – Gritava Olívia. Lourenço percebeu que ela estava definitivamente bêbeda. Tresandava a álcool e usava o vocabulário que apenas usava nessas ocasiões.
            - Vim apenas saber qual foi a vossa resposta final para a minha proposta, nada demais. Mas estou a ser bem recebido na minha própria casa. Só demonstra que tipo de pessoa és!
            - Para de me tratar mal. Pelo menos uma vez na vida. Chega de me humilhares. Basta!
            Lourenço percebeu que a mulher estava mesmo fora de controlo quando a viu pegar num prato e arremessar-lhe à cabeça. Por sorte conseguiu desviar-se a tempo do objecto, vendo-o de seguida cair e desfazer-se em cacos. Parecia-lhe pior do que ele realmente imaginara. Sabia que a mulher iria passar uma fase complicada quando ele saiu de casa. Ela era uma mulher frágil, pouco confiante, completamente submissa ao seu marido. Sem o seu pilar ela desmoronou tornando-se naquilo que estava à sua frente, presenciando momentos completamente caricatos.
            - Estás no bom caminho para a autodestruição! Tornaste-te numa pessoa completamente perturbada, é isso que queres ser no futuro? Aceita a proposta, mesmo que os outros não queiram tu podes ir connosco.
            - Nunca! Eu não me iria submeter a testes. Achas que nós não percebemos que a vossa vinda se resume a isso? Vocês querem levar todos os envolvidos no projecto MG para os estudar. O Viktor contou-nos tudo sobre o que vocês são. Como me pudeste enganar todos estes anos?
            - Nós somos a vanguarda do conhecimento! Já a vossa equipa amadora que trabalha numa espécie de pocilga não sabe bem o que está a fazer. Não imagina o que criaram. Eu sei, Olívia, eu sei tudo!
            Lourenço viu a mulher com quem viveu quase duas décadas e meia a perder a paciência. Sabia quando ela estava no limite, e pela sua expressão facial estava prestes a chegar lá.
            - Chega! Sai da minha casa, vai dar uma volta ao bilhar grande. Desaparece daqui e esquece esta terra. Vai com o resto da tua pandilha para bem longe daqui e deixa-nos em paz.
            Lourenço seguiu o conselho da mulher e abriu a porta de saída e saiu. Voltou para o seu carro e seguiu rumo à sede de concelho. Deslocou-se até ao café onde se encontrara com Ligia. Arrumou o carro nas traseiras do prédio que albergava o bar e pegou nas chaves que tinha no bolso. Apenas duas pessoas tinham a chave daquela cave, e a porta já não estava trancada. Ele já lá estava.
            - Eles não aceitaram a nossa ajuda, George! – Disse assim que entrou na escura cave. Apenas se via a face de George que estava perto de uma vela acesa no cimo de uma pequena mesa que não cabia no bar.
            - Então correu-nos como o esperado! – Lourenço observou o sorriso de George. Ele parecia ter previsto desde cedo que Olívia e os outros sobreviventes do acidente do autocarro iriam recusar a oferta deles.
            - Como é que tu tinhas tanta certeza que eles iriam recusar a proposta? – Questionou-lhe intrigado.
            - Porque conheço bem os humanos, eles ficam do lado daqueles que lhe dão esperanças de continuar a viver no seu mundo de ilusão. Eles não sabem da doença, não fazem a mínima ideia disso!
            - Achas mesmo que a doença existe? A Alina tem o soro do controlo da mente e ainda não adoeceu. Talvez estejas errado nesse aspecto.
            Lourenço fez um gesto com o dedo e Lourenço chegou-se perto dele. Pôde ver que ao lado da vela se encontrava um maço de folhas soltas. Olhou para uma das folhas e viu que se tratava do Projecto MG. Algumas folhas pareciam rascunhos, outras eram impressas. Uma das folhas captou a sua atenção. A folha impressa continha duas imagens. Uma delas era a estrutura normal do DNA, a outra era uma estrutura do DNA completamente alterada. Era isso que o vapor de veneno de cobra e crocodilo fazia àqueles que entrassem em contacto com ele, uma grande alteração na estrutura molecular.
            - Sabes quem falou ao August deste projecto? Fui eu! Fui eu que o projectei, fui eu quem atirou o vapor ao nosso primeiro rato de laboratório, seis meses antes dele fugir com a Alina. Ele só sabe o método de desenvolvimento do Projecto MG, o resto apenas pensa que sabe. Ele nem sabe o que aconteceu ao miúdo, quanto mais da doença. E a Alina um dia também vai sofrer a doença, ela não se manifesta tão cedo. Pode levar décadas a apresentar sintomas, mas quando surgir… bem, é melhor ela me ter ao pé dela.
            Continuaram a conversa sobre o projecto durante mais algum tempo. Já era de madrugada quando o assunto mudou.
            - Sabias que o Artur desapareceu? – Perguntou Lourenço.
            - Sim, já me tinham contado! O August deve estar metido nisso. Não me admirava que ele o fizesse. Não me admirava que o matasse!
            - Achas mesmo?
            - Sim, acredito que ele o tenha feito para se certificar... não te preocupes com isso! Vamos embora amanhã à noite. Voltaremos em nove meses para vir buscar o que é nosso! Apenas nos interessa o híbrido!
            - Não sei se vamos conseguir roubar a criança. O August nunca vai deixar sozinho o projecto que vai mudar o mundo.
            - Caro amigo, nem imaginas o que estou a preparar. Vale do Fim vai ser o palco do inicio de uma era, mas também o fim de outra! – Concluiu George levantando-se e apagando a vela. Era altura de se irem embora.
 

Continua...
 Vale do Fim - Capítulo 12
Por Ricardo Reis

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