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Vale do Fim | Capítulo 12 (Parte 1)

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Capítulo 12 - Olá!  (Parte 1)


Joel tinha-se mudado para a aldeia de Vale do Fim há pouco mais de uma semana. Foi fácil ambientar-se ao estilo de vida da população. Ele era uma pessoa que se adaptava facilmente a qualquer estilo de vida. Parecia estar-lhe no sangue. A sua profissão era a sua primeira prioridade, por essa razão nunca construíra uma família tradicional. Ainda não era velho para isso, como o seu pai lhe dizia, nunca se era velho para encontrar o amor, mas todos os casos que teve nunca foram mais do que isso, relações passageiras que nunca chegaram ao altar.

            A moradia que alugara estava situada junto à vivenda de Joana. Aproveitava para ir até ao café todas as manhãs. Nos últimos dias até costumava combinar com Artur se encontrarem lá para apenas um deles levar o carro. Naquela manhã não tinham combinado nada. Artur tinha saído do trabalho como tinha entrado, em silêncio. Joel ainda não o conhecia bem mas sabia que se passava algo, algo que o seu companheiro não queria contar. Como ainda não tinha grande afinidade com o colega com quem compartilhava o gabinete não lhe perguntara nada. Não tinha esse direito.

            Sentou-se na mesa mais próxima ao balcão e quando Joana o viu sorriu-lhe. Ele sorriu de volta. De seguida pediu um galão e uma torrada. Era o seu ritual desde que começara a sua profissão. Antes de trabalhar tinha de beber o seu galão e saborear a sua torrada com manteiga. Como não estavam mais clientes no café, Joana sentou-se ao seu lado.

            - O Artur não vem ter contigo hoje? – Perguntou-lhe a mulher. Gostava do cheiro que ela exalava.

            - Parece-me que não. Deve ter seguido directamente para a esquadra!

            - Ele tem andado um pouco estranho nestes últimos dias! – Constatou Joana, levando-o a ter a certeza que alguma coisa se passava. Se ele, que o conhecia à meia dúzia de dias o tinha notado, ela só viera reforçar mais a sua ideia.

            Terminada a primeira refeição do dia, era altura de seguir caminho e ir para a esquadra. Havia um crime para ser solucionado. O lobo morto na floresta tinha-os feito chegar à conclusão que o acidente do autocarro da excursão à Serra tinha tido mão criminosa. Era preciso achar um culpado, era preciso prender quem tinha causado a morte a tantas pessoas.

            Quando chegou ficou admirado. Artur não estava lá. Telefonou-lhe para ver se ele estava atrasado, mas o telefone chamava, chamava e ninguém atendia.

            - Onde anda o Artur? – Perguntou o director ao entrar no gabinete.

            Isso também eu gostava de saber, foi a ideia que passou pela cabeça de Joel ao ouvir aquela questão do seu superior, mas o que acabou por responder foi:

            - Estou a tentar falar com ele. Ele deve estar atrasado. Se ele não chegar até daqui a uma hora irei até à casa dele para ver se ele lá se encontra.

            - É bom que apareça. Vocês têm alguma papelada para ler sobre algumas teorias que podem ter causado o acidente. As caixas com os papéis encontram-se no arquivo, era bom que lessem tudo até ao fim desta semana. É importante que toda esta história acabe de uma vez. Precisamos de acalmar os ânimos da população. Consolar as famílias que foram afectadas, e para isso precisamos de prender alguém! – Concluiu o homem antes de sair apressadamente pela porta.

            Joel esperou. Aguardou mais de uma hora esperando Artur entrar pela porta do gabinete que ambos compartilhavam, mas isso não aconteceu. Decidiu então ir informar o director que ia até a casa do seu parceiro ver o que se estava a passar. Era estranho ele ter faltado sem dizer nada, alguma coisa devia ter acontecido.

            Quando chegou à vivenda onde Artur residia viu que as persianas estavam fechadas. Não era provável que estivesse em casa, mesmo assim foi bater à porta para se certificar disso. Ninguém lhe veio abrir a porta. Ele não estava lá, agora não tinha dúvidas. Telefonou-lhe novamente para saber se se tinham desencontrado pelo caminho e ele já teria chegado ao posto da polícia. Continuou sem atender, o que o estava a começar a deixar preocupado.

            Antes de se ir embora Joel deu uma volta à moradia para se certificar que estava tudo intacto. Foi então que viu o carro de Artur estacionado nas traseiras da vivenda. Agora tinha a certeza que algo não estava bem. O seu colega de trabalho tinha desaparecido. Não sabia do seu paradeiro há quase um dia. Ele parecia esconder-lhe algo, o que fez Joel pensar que alguém o tivesse levado.

            Sem chamar quem quer que fosse Joel arrombou a porta de entrada de Artur e entrou pela casa dentro. Se ele tivesse sido levado de casa poderia haver vestígios. Não havia. Tudo estava intacto. Alguma coisa não batia certo. O seu carro, o meio de transporte usado pelo seu companheiro estava parado na parte de trás da casa, isso queria dizer que se ele se tivesse deslocado sozinho estaria bem perto pois a pé não teria ido muito longe. A sua casa estava completamente normal, nada parecia fora do sítio, por isso ele fora a algum lado de livre e espontânea vontade. Se alguém o tivesse apanhado de surpresa a casa teria vestígios de luta, de Artur a tentar defender-se. Não havia nada.

            Entrou no carro e deslocou-se até ao café de Joana. A jovem mulher ficou surpresa por o ver novamente. Daquela vez ela não estava sozinha, havia uma criança no café. Joel deduziu ser o filho dela. Artur já lhe tinha falado dele. O menino que morreu e ressuscitou no dia do seu velório.

            - Por acaso o Artur não passou por aqui depois de eu ter saído pois não? – Perguntou-lhe. O café ficava a pouco mais de um quilómetro de sua casa, se ele tivesse ido a pé a algum lugar, muito provavelmente tinha sido ali.

            - Não, ele não passou por cá hoje. Passa-se alguma coisa? – Perguntou Joana. Pela sua expressão ele reparou que ela também percebera que alguma coisa não estava bem.

            - O Artur não apareceu hoje na esquadra. Fui até casa dele e ele também não se encontra por lá. O mais estranho é que o seu carro… o carro dele está lá parado. Ele não pode ter ido longe ou então foi com alguém!

            - Já tentaste falar com a Alina? Eu não sei bem onde é que ela trabalha mas acho que é na capital do concelho tal como vocês. Talvez ela saiba alguma coisa sobre o paradeiro dele.

            Alina. Como ele se poderia ter esquecido da namorada dele. Se alguém soubesse onde o encontrar seria ela. Havia só um problema. Ele não sabia, tal como Joana, onde ela trabalhava e também não tinha nenhum contacto telefónico para onde ligar. Essa pista mostrava-se então inútil naquela altura.

            Voltou para a esquadra e seguiu até ao gabinete do chefe.

            - Então mas é hoje ou amanhã que me vão para o arquivo ver se descobrem alguma coisa sobre o acidente? Encontrar um lobo morto na floresta não solucionou o caso, muito pelo contrário! – Declarou o homem carrancudo.

            - O Artur desapareceu. Temo que tenha sido algo que ele descobriu, algo relacionado com o acidente. Eu fui a casa dele e ele não está lá. Corri tudo à procura dele mas não o encontrei. Aconteceu-lhe algo.

            - Está a querer dizer-me que quem matou aquele lobo está agora a montar uma caça a quem está a investigar o caso?! Curioso. Procure-me o Artur, eu preciso dele aqui. Se ele desaparece e é encontrado morto isso vai causar um motim, nem quero imaginar tal cenário. Se isso acontecesse então sim, Vale do Fim nunca mais se levantaria. – Declarou o homem, mandando-o de seguida abandonar o gabinete e fazer tudo o que fosse possível para encontrar Artur.

Continua...
 Vale do Fim - Capítulo 12
Por Ricardo Reis

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