Header Ads

test

Vale do Fim | Capítulo 11 (Parte 3)

Também disponível no Wattpad em http://goo.gl/uVVbsb
Para ler, todas as segundas, quintas e sábados

Capítulo 11 - Mais Forte que o Amor (Parte 3)


Alina passou o dia preocupada. Não era normal Artur passar o dia todo sem lhe ligar ou mandar uma mensagem. Ele andava estranho com ela. Ela notou-o desde que saíra do laboratório de August na semana anterior. Ele andava a evitá-la, não sabia porque razão, mas andava. Sabia que havia alguma coisa que ele não lhe contava mas não sabia como descobrir. Telefonou-lhe, mas a chamada foi parar ao voice mail. Desanimada preparou o jantar. Não tinha fome, por isso fez apenas uma omeleta.
            Sentia-se só. Pela primeira vez desde que conhecera Artur sentia-se triste. Só e abandonada na solidão do seu lar. O silêncio foi quebrado com a melodia do telemóvel. Alina sorriu a pensar que era o seu amado mas entristeceu novamente ao ver que era Viktor que lhe estava a ligar.
            - Alina, preciso que venhas ter comigo ao laboratório. Eu e o August queremos que tu … testes uma coisa! – Disse-lhe o rapaz assim que ela atendeu a chamada. Ele pareceu-lhe nervoso, pelo menos era o que o seu tom de voz lhe indicava.   
            - Queres que me vá encontrar contigo a esta hora? Não achas que é muito tarde para fazer experiências?
            - Alina… não contestes, faz apenas o que eu te digo. Toma apenas o comprimido do controlo da mente e vem para aqui. É importante! – Viktor desligou a chamada de seguida.
            Aquele telefonema deixara-a constrangida. Viktor sabia tão bem quanto ela que o comprimido do controlo da mente deveria ser tomado apenas quando as dores de cabeça eram demasiado fortes, ou então para ter um controlo total da mente. Isso preocupava Alina, o que estaria August a preparar? Seria algo contra George e a sua organização? Essas perguntas pairaram na sua cabeça até chegar ao antigo armazém outrora abandonado.
            Quando parou o carro em frente ao portão, Viktor aguardava-a. Tinha vestida a sua bata branca como se ainda estivesse a trabalhar.
            - Não é tarde para ainda estares a trabalhar? O que é que se passa? Encontraram o George? – Alina bombardeou o jovem cientista com perguntas.
            - Calma Alina! Segue-me apenas. – Foi o que ele apenas se limitou a dizer. – Vais precisar disto. – Deu-lhe para a mão uma arma, fazendo-a estremecer. – Agora segue-me, sem perguntas, por favor.
            Percorreram em silêncio o laboratório até se encontrarem à entrada da sala do conhecimento. A sala que ela mais receava estava a uma porta de distância. Sentiu o seu coração mais acelerado, sentiu suores frios. Aquela grande sala redonda trazia-lhe más recordações, não queria entrar lá, não podia.
            - Entra Alina! Eu e o August vamos estar a ver-te como sempre. Estamos aqui… estamos aqui para o que for preciso. Antes de entrares só te quero dizer que o que vai ali acontecer é um mal necessário! Não odeies o August por isso, ele só está a fazer o que acha correcto.
             A expressão de Viktor estava a deixá-la ainda mais nervosa e o abraço que ele lhe deu deixou-a arrasada. O que se iria passar na sala do conhecimento para ela o odiar? Como poderia odiar o único homem que alguma vez a fez sentir como era ter um pai.
            Viktor abriu a porta ao lado da sala do conhecimento e entrou. Foi quando Alina abriu também a porta da sala do conhecimento e viu quem lá se encontrava.
            - Artur?! O que fazes aqui? – Alina estava confusa. Olhou para o vidro espelhado que dava acesso à sala onde Viktor e provavelmente August se encontravam. – O que vem a ser isto?
            - O maior teste ao controlo da mente, Alina! – Respondeu August. Ela não o via, apenas o ouvia. Mas ele observava-a, ele conseguia ver tudo quando ele não via nada. – Aponta a arma ao Artur Alina! – Ordenou-lhe.
            - Não August, não me peças isso! Peço-te mais do que qualquer coisa no mundo que pares de me dar essa ordem! – Alina esforçava-se para conseguir controlar a sua mente mas o efeito do comprimido não facilitava. August tinha o controlo total da sua mente.
            Com a arma apontada ao homem por quem sentia sentimentos tão fortes, sentimentos que não conseguia explicar a quem quer que fosse, as lágrimas começaram a correr.
            - Conta-lhe Alina! Conta-lhe o que descobriste a semana passada. Não o deixes partir sem ele saber. – Ordenou August.
            - O que tu me escondeste Alina! – Artur quebrou o silêncio pela primeira vez desde que entrara na sala. Finalmente ela vira alguma reacção nele a não ser medo.
            Sem conseguir resistir, Alina deixou a arma apontada ao homem que amava enquanto as palavras lhe custavam a sair:
            - Es…estou…estou grávida!
            Essa notícia deixou Artur de boca aberta, tal como a deixou a ela quando soube. Ela achava estranho saber que estava grávida apenas duas semanas depois de se envolver com o investigador, mas ela vira o resultado da análise que Viktor lhe fez quando ela deixara Artur e August sozinhos. Foi aí que ela entendeu que tudo aquilo se devia a um bebé. Um bebé fruto dos dois projectos. Mas porque razão August quereria um bebé? A doença doía-lhe só de pensar em tudo aquilo.
            - Carrega no gatilho! Dispara contra ele Alina. – Gritava-lhe o velho homem enquanto ela resistia. – Não resistas, o poder da mente é mais poderoso que tudo. O controlo da mente é mais poderoso que o amor!
            Alina resistiu o mais que conseguiu, mas não foi o suficiente. Apertou o gatilho uma vez, outra e outra. Com três disparos nos mais diversos pontos do corpo Artur caiu. Ela correu para perto dele. Ele ainda estava vivo. Ela agarrou-lhe na mão e suplicou para ele não adormecer. Ela chorava como nunca tinha chorado. Sentiu uma mágoa e raiva tão grande como nunca sentira. O amor da sua vida estava a morrer, ela tinha-o morto. Como poderia matar alguém que ela amava tanto, como era possível que August a tivesse obrigado a fazer aquilo.
            Quando Viktor e August entraram na sala do conhecimento Artur já estava praticamente inconsciente e Alina ajoelhada numa poça de sangue a seu lado.
            - Tinhas de o fazer! Ele cumpriu o seu objectivo! – Disse August enquanto ela continuava cabisbaixa com a mão agarrada à de Artur.
            - Não tem pulso, está morto! – Declarou Viktor.
            - Como pudeste fazer isto August? Como me pudeste fazer a última coisa que eu algum dia iria fazer. Cumpriu o seu objectivo? O objectivo dele era emprenhar-me? Era isso seu velho de merda! Eu odeio-te!
            - Mais que odeias o George? – Confrontou-a August.
            - O George obrigou-me a matar uma pessoa por quem eu não nutria qualquer carinho, tu obrigaste-me a matar a única pessoa que algum dia me fez ver que eu tinha um propósito no mundo! O que vais fazer de seguida, mandar-me matar todas as outras cobaias do projecto MG? É isso? Vou ser uma assassina em serie comandada por ti?
            - Acabou Alina! – Disse Viktor. – Eu sei que isto foi difícil para ti, mas não foi fácil para nós, achas que queríamos fazer isto? Não havia outra solução, o Artur tinha de morrer, era importante que isso acontecesse! Se foi duro teres sido tu a matá-lo? Sim foi, mas foi melhor assim do que desaparecermos com o corpo.
            Enquanto falavam, mais dois cientistas entraram na sala e levaram o corpo de Artur. Alina ficou com receio que não o levassem para o hospital, mas Viktor jurou que sim. Ela estava revoltada, não conseguia olhar para a cara de nenhum dos dois. Saiu do laboratório e enfiou-se no carro. Não queria ir para casa, então conduziu sem rumo sempre com a imagem de Artur a olhar para ela enquanto as balas seguiam até ele a grande velocidade. Isso só a fazia chorar e sentir raiva de quem a obrigara a fazer aquilo. Um dia ela iria conseguir vingar aquela morte, um dia Artur seria vingado.


 Fim do capítulo 11
 Vale do Fim - Capítulo 11
Por Ricardo Reis

Sem comentários:

Com tecnologia do Blogger.