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Vale do Fim | Capítulo 11 (Parte 2)

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Capítulo 11 - Mais Forte que o Amor (Parte 2)


Havia-se passado uma semana desde que Lourenço fora a sua casa para lhe contar sobre a cura, mas aquele assunto ainda a assombrava. Parecia ter sido na noite passada que ele batera à porta para lhe falar de uma organização internacional e de um tal George, o seu criador. Mal saíra de casa depois daquilo. Não podia comentar com ninguém que aquele encontro tinha acontecido. As pessoas não podiam saber que ele tinha voltado. Era um segredo, tal como era segredo que ela mantinha contacto com ele durante os três anos em que ele esteve desaparecido.
            No entanto havia gente a quem ela não podia omitir tal revelação. Os outros cinco sobreviventes tinham o direito de saber que alguém tinha uma cura que lhes podia tirar os efeitos do soro de veneno de cobra e crocodilo. Que podiam voltar a ser os mesmos, sem mutações genéticas. Não sabia como lhes revelar aquilo, por isso esperou até à reunião que iria ter com o grupo.
            Almoçou cedo. A refeição tinha sido pequena, apenas um ovo mexido e umas batatas fritas, mas bebera meio litro de vinho. Não conseguia distanciar-se do álcool, ele era o seu novo amigo, ao menos ele fazia-lhe companhia e não a abandonava na altura em que ela mais precisava. Quando se preparava para sair olhou para a mesinha que se encontrava à beira do sofá. Em cima dela havia uma garrafa de martini. Tinha bebido quase tudo na noite anterior, mas ainda restava um pouco para beber. Queria resistir, mas a garrafa parecia estar a chamar por ela.
            Olívia és uma imprestável, uma cara bonita não faz de ti uma primeira-dama. Agora afogas as tuas mágoas no álcool sua alcoólica de merda, estas palavras ecoavam no seu ouvido. Pareciam chegar-lhe à cabeça pela voz do seu marido, embora ele nunca as tenha proferido. Lourenço sempre fora agressivo nas suas palavras mas nunca lhe iria dizer que ela era uma alcoólatra, ele não conhecia aquele seu novo hobby. Pelo menos até ao dia em que aparecera em sua casa.
            Resistiu ao vício do álcool naquele momento, não podia ir bêbeda para a reunião, tinha de ir lúcida, tinha de ser credível nas suas palavras. Eles tinham de acreditar nela. Ela sabia que Viktor teria uma opinião sobre o assunto. Queria curar-se, mesmo ainda não ter sentido nenhum dos efeitos do projecto ela não queria o vapor do soro a correr-lhe nas veias.
            Quando chegou todos os outros já se encontravam no estabelecimento. À porta estava Edgar. Tinha um cigarro na boca enquanto olhava para o extenso mato que se encontrava à sua frente. O seu ar não mentia. Estava infeliz. Tão infeliz quanto ela estava. E, embora a sua infelicidade se devesse a vários factores a dele resumia-se apenas a um. E nesse factor ela podia ter a solução.
            - Eu tenho algo a dizer! – Disse pondo-se de pé, quando todos se sentaram em círculo. – Algo que todos vocês devem saber.
            Os restantes ficaram surpresos com a iniciativa de Olívia. Ela era sempre muito reservada e pouco falava, era estranho para eles ela querer começar uma conversa, um tópico para dar inicio à reunião.
            - Eu recebi uma visita a semana passada! O … uma pessoa veio visitar-me, veio falar-me de uma coisa. Eu não posso dizer quem foi, mas ele veio apresentar uma proposta, uma proposta que nos engloba a todos. Ele diz estar ligado a uma organização que actua nas sombras da sociedade comandada por um tal de George.
            - Diz-me quem é essa pessoa! – Artur levantou-se assim que ouviu as palavras dela. – Tu conheces? Conheces a pessoa que te abordou?
            - Eu … nunca a tinha visto! – Mentiu para proteger Lourenço, o homem que a deixou sozinha quando ela mais precisava de alguém. – Mas eles sabem uma cura. Eles sabem como nos tirar o vapor que nos está a causar as mutações! Eles apenas querem um acordo.
            Todos os que se encontravam na sala ficaram surpreendidos com as palavras da mulher do ex-presidente do concelho. Todos à excepção de Artur e Viktor. Esses estavam mais receosos quanto àquilo que ouviam.
            - Olívia, se tu nunca o tinhas visto porque razão ele te procurou a ti e não procurou nenhum dos outros sobreviventes? – Rematou Viktor deixando-a um pouco desconfortável. – Foi o Lourenço não foi. Antes de chegarmos a Vale do Fim estudámos bastante esta aldeia, escolhemo-la por essa mesma razão, ter provas que um dos indivíduos desta terra tinha ligações à GDC. Soubemos mais tarde que se tratava do presidente do concelho e que ele tinha desaparecido. Passaram-se três anos sem sabermos o paradeiro dele. Foi ele que foi até tua casa não foi? – Questiono-a novamente vendo ela desconfortável.
            Olívia não conteve as lágrimas, era mais forte que ela. Estava bastante nervosa. Olhava ao seu redor para todas aquelas pessoas em especial para Viktor.
            - Como posso eu saber se não são vocês os verdadeiros vilões desta história? No fundo foram vocês que nos deitaram vapor de um soro qualquer num autocarro. Será que o tal George e a sua organização não nos querem salvar de um mal maior, o vosso grupo? – Confronto-o.
            - Eu também tenho algo a dizer! – Voltou Artur a falar. – O Viktor ou o August não são os maus da fita neste caso! E antes que me perguntes como posso eu ter tanta certeza eu vou dizer-te, vou dizer a todos que estão aqui presentes. Foi encontrado um lobo, o lobo que pessoas dizem ter provocado o acidente.
            Todos ficaram admirados, principalmente Olívia que queria acreditar que o marido e o grupo em que ele estava inserido não teria provocado o acidente.
            - O lobo foi colocado aqui! – Prosseguiu Artur. – Ele não era um lobo normal, de certeza que também foi alterado geneticamente. Não existem relatos de um lobo tão grande em território nacional, nem sei se mesmo no resto do mundo. Encontrámo-lo morto, perto do local onde o autocarro caiu. Alguém o matou e o atirou para ali não tenho dúvidas disso. Falei com o August sobre a minha descoberta para ver a sua reacção e ele ficou tão surpreso quanto nós. Ainda acreditas que ele está envolvido nisto? O August pode ter errado ao colocar o soro no autocarro, mas não nos queria matar, ele queria apenas criar uma nova sociedade.
            - Agora estás a defender aquele que te tornou numa aberração? – Olívia estava a ficar exaltada, como podia Artur defender um monstro que os meteu naquela situação. – Eu quero curar-me, eu quero voltar a ser quem eu sempre fui.
            - Tu nem tiveste nenhuma mudança Olívia. O que dirá o pequeno Miguel, ou mesmo eu? – Respondeu-lhe Artur. – Todos nós queremos as nossas vidas antigas, sem estas mutações, mas temos de ter calma. Não podemos confiar em qualquer um que apareça e nos diga que tem a cura. Ainda por cima uma pessoa que te deixou sozinha com o teu filho.
            Aquelas palavras magoaram-na. Ela sabia que eram verdade, mas a verdade às vezes custava a ouvir. Ela estava perdida e não sabia em quem confiar. Ela só queria voltar a ter uma vida normal. Uma vida com o seu marido, com o seu filho. Uma vida em que a bebida não estivesse presente. Ali naquele grupo não a julgavam, sabiam pelo que ela estava a passar, mas na rua era diferente. Os vizinhos julgavam-na, era a chacota da aldeia. A alcoólatra abandonada pelo marido e pelo filho, embora este tenha sido obrigado por ir planear o seu futuro para Lisboa. Essa era a razão principal para passar tanto tempo em casa. E quando tentou mudar isso, inscrevendo-se numa excursão com mais alguns populares aconteceu algo que mudou a vida de todos. Isso ainda a deixava mais revoltada.
            Surpreendeu-se quando viu Viktor a aproximar-se dela. O rapaz apareceu com o sorriso apaziguador que sempre apresentava quando o via. Abraçou-a. Os nervos fizeram-na chorar.
            - Chora Olívia! Alivia a tua mente. – Disse Viktor. – Hoje tudo pode mudar. Vai acontecer algo logo à noite que me tem tirado o sono, algo que não me orgulho em fazer, mas tem de ser! Eu vou descobrir a cura Olívia, eu e os meus colegas de equipa vamos descobrir a cura o mais depressa possível assim que provarmos que o Projecto MG foi um sucesso.
            - E quando vão provar isso? – Olívia queria parar de chorar mas não conseguia.
            - Espero que muito em breve! – Disse largando-a e olhando para Artur. Pareceu-lhe nervoso quando olhou para o polícia. – Acalma-te Olívia, tudo se vai recompor, eu prometo em nome de todos os que trabalham na PastFuture, eu prometo em nome do August. Não aceites nada que venha da parte do teu marido e do George. Eles não são o que dizem ser, eles estão a pegar na tua fraqueza e a tentar que leves todos do grupo contigo. É isso que eles querem, um elemento do Projecto MG para estudarem, por favor não lhes dês esse gosto!
            Olívia ficou mais calma. Enxugou as lágrimas e sentou-se, ainda não sabia em quem confiar mas Viktor parecia  uma pessoa séria e de confiança, ele poderia ajudá-la a ela e a todos os outros.

Continua...
 Vale do Fim - Capítulo 11
Por Ricardo Reis

Vale do Fim | Capítulo 11 (Parte 2) Reviewed by Fantastic on 19:30:00 Rating: 5

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