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Vale do Fim | Capítulo 9 (Parte 2)

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Capítulo 9 - O Regresso (Parte 2)

Artur fora o primeiro dos sobreviventes a discursar nos funerais das vítimas do acidente de autocarro. Não sabia bem o que dizer. Sempre vivera em Vale do Fim e conhecia todas aquelas pessoas que agora estavam prestes a ser sepultadas. O Senhor Martins, o primeiro a ser enterrado, e ao qual eles iam prestar homenagem, era uma pessoa muito querida para ele. Ele lembrava-se de ir à sua mercearia muitas vezes com a sua amiga Joana.
- O Senhor Martins fez parte da minha infância, da minha adolescência, da minha vida adulta. – Começou, ainda sem saber bem o rumo que o seu discurso iria seguir. Pensou em levar um escrito, para não se atrapalhar, mas achou que devia dizer o que sentia no momento, assim tudo iria ser mais emotivo. – Desde que me lembro, que os meus pais conviviam com ele. Ele passava por nossa casa e deixava alfaces e couves que tinha apanhado bem cedo e que não tinham espaço para ser vendidas no seu pequeno mas acolhedor espaço comercial. Não acredito que ninguém que esteja aqui presente não tenha trocado uma vez que seja uma palavra com este homem que teve a infelicidade de ir a uma excursão, mas nunca chegar ao seu destino. Ele ia ao pé de mim no autocarro, era ele que estava no banco ao lado do meu. Foi ele a primeira pessoa inanimada que vi naquela manhã que tento esquecer mas que sempre que fecho os olhos ela teima em me assombrar. Por isso eu tento ao máximo não os fechar, desde que tudo isto aconteceu que as horas de sono são poucas! Não quero recordar, não quero lembrar que uma tragédia destas possa ter acontecido aqui em Vale do Fim. Não foi só o Senhor Martins que se despediu de nós desta forma trágica, todos os outros que vão ser enterrados e cremados hoje merecem de todos nós esta despedida! Que sejam sempre guardados na memória de todos. Na minha jamais serão esquecidos!
Para espairecer, depois da emocionante manhã que tinham tido, Artur e Alina ficaram pelo centro do concelho. Decidiram almoçar num restaurante de um amigo dele. Desde que descobrira que Alina era mais uma das cobaias de August que a relação entre os dois estava a sofrer algumas crises. Artur não sabia mais se podia confiar na rapariga. No dia a seguir à descoberta Alina veio com a conversa de que August queria falar com os dois para que eles entendessem o que se estava a passar, mas tudo isso só fazia com que Artur tivesse mais receio em relação ao caso que ambos tinham. A rapariga podia estar com o cientista para obter mais informações sobre eles seis. No fundo eles eram todos cobaias de um projecto e Alina podia estar a inventar aquele Projecto CM para obter informações sobre os outros. Também não lhe saia da cabeça que ela poderia ser mais um peão no seu jogo. Certo, certo, era só que havia alguém mais perigoso que August à solta, o seu irmão gémeo George, que poderia estar em qualquer local, incluindo Vale do Fim. Não era só a August que ele metia medo, a Alina também. Ainda se lembra da jovem ter perguntado se ele conhecia o homem na noite em que encontrara o frasco com os comprimidos.
Alina bateu-lhe com o cardápio na mão. Artur contestou.
- Estavas longe, tinha de te trazer de volta para ao pé de mim. – Disse Alina esboçando um sorriso.
Artur ficava derretido com o sorriso dela. Era inegável que tinha uma paixão por ela e não a queria perder. A paixão que nutria por ela fazia com que até se deslocasse ao grande barracão que albergava o laboratório de August. Aquele local nunca lhe inspirou confiança, tinha sempre medo de passar por lá enquanto criança. Curiosamente o local que lhe metia mais medo durante a infância foi o local em que um conjunto de mentes elaborou um soro capaz de lhe dar poderes e tornar a sua vida virada do avesso. Talvez ele sempre tivesse razão em não gostar daquele lugar.
- Eu aceito a proposta! – Disse decidido.
- Proposta? Eu não te pedi em casamento, ou será que pedi e me esqueci disso? – Disse Alina brincando para deixar o clima menos tenso. Ela sabia bem a que é que ele se referia. – Acho que é a decisão mais acertada! – Disse depois, num tom mais sério. Acho que o August nos deve respostas. Podes não acreditar, sei que deves pensar que eu sei tudo o que se passa naquele barracão, mas eu só sei a ponta do iceberg. Eu quero saber porque razão o August quis que nos conhecêssemos, porque razão ele nos quer juntos.
- Sim acho que devíamos fazer isso, devemos entender o que vai na mente dele!
O almoço foi servido pelo empregado do restaurante e os dois começaram a comer, em silêncio. Artur tinha muito a dizer, tinha muitas questões a fazer-lhe, mas tinha receio das respostas que poderia ouvir. Poderia descobrir coisas que não estava à espera. Foi quando estavam à espera do café que finalmente a sua boca se abriu:
- Alina, eu estou a tentar, juro que estou a tentar não pensar nisto, mas é que não me sai da cabeça! Achas que foi o August que fez com que fosse provocado o acidente?
- Não, nunca! Foi o George, ele é um homem cruel, o August contou-me que ele pretendia criar um projecto que iria mudar para sempre a humanidade e iria dá-lo a uma organização da qual faz parte. Uma organização que não me recordo do nome, mas actua nas sombras! O George obrigou-me, através do controlo da mente, a fazer aquilo que eu pensei que não teria coragem para fazer, ele obrigou-me a matar! O August nunca iria fazer uma coisa dessas, ele não é um assassino. Ele é das pessoas mais humanas que eu conheci em toda a minha vida Artur! – Alina ficou magoada com a questão colocada por ele, pelo menos foi essa a impressão que lhe deu.
Não disse mais nada até ao café ser servido aos dois. Ficaram calados enquanto colocavam o pacote de açúcar na chávena e mexiam com a colher. Quando Artur estava decidido a quebrar o silêncio é interrompido pelo seu telemóvel. Atendeu a chamada e quando acabou de falar finalmente quebrara o silêncio novamente, mas falou daquilo que não era o que esperava inicialmente.
- Era da esquadra. Parece que surgiu algo novo e eles querem que eu vá até lá.
- Não era o teu dia de folga? – Questionou Alina um pouco aborrecida. Embora a conversa entre os dois não estivesse a ser a melhor ela ainda queria passar o resto do dia com ele como tinham combinado.
- Sim, mas para me ligarem é porque é algo realmente importante! Eles não me iriam chamar lá se não fosse nada de especial.
- Achas que encontraram o lobo que dizem que provocou o acidente de autocarro? Ou melhor, achas que encontraram o George?
- Não sei, mas mal saiba o que se passou eu telefono-te. Desculpa por não cumprir a minha promessa, depois recompenso-te.
Deu um beijo de despedida e deixou dinheiro em cima da mesa para pagar a conta. Depois disso saiu do estabelecimento seguiu até ao seu carro e deslocou-se o mais rápido que conseguia para o seu trabalho. Estava curioso com o que tinha acontecido. Embora não tivesse contado nada a Alina, Artur sabia que era um homem que o esperava. O seu chefe apenas lhe tinha dito isso. E sabia que esse homem não era August. O cientista não iria ser burro ao ponto de o procurar na esquadra, se eles soubessem o que ele tinha andado a fazer iria ser preso. Tinha de ser outra pessoa. Artur acreditava que era uma testemunha, alguém que o iria ajudar a solucionar o caso do acidente do autocarro da excursão.
Chegou à esquadra completamente em êxtase. Estava prestes a saber porque razão o director da esquadra o tinha chamado ao local. Foi directamente ao gabinete do director e bateu à porta. Assim que recebeu uma resposta afirmativa abriu a porta e entrou.
- Artur, ainda bem que veio! Temos algo relacionado com a sua investigação. Algo que me fez chamá-lo até aqui. Achei que seria importante ser o primeiro a saber. Não quero que seja apanhado de surpresa!
Artur não queria mais rodeios, a única coisa que queria realmente saber era o que estava a acontecer, porque ao telemóvel disse que havia um homem importante na esquadra que ele precisava de conhecer.
- O melhor mesmo é deslocarmo-nos até ao seu gabinete Artur. – Disse o homem levantando-se da sua secretária. 
Saíram do gabinete do director e rumaram até ao seu gabinete. Lá, um homem encontrava-se sentado. Quando ouviu a porta abrir-se levantou-se. Pelo seu ar pareceu a Artur ter aproximadamente a sua idade. Vestia um pólo preto e uns jeans de ganga. Era tudo menos o que Artur esperava. Ele esperava um velho parecido com August, igual a ele, como Alina tinha dito, mas já era de se esperar. Aquele homem fora lá pelo seu próprio pé, George de certeza que não o faria.
- Este é … - Começou o Director da esquadra por dizer, sendo interrompido pelo homem.
- Deixe que me apresente! – Disse chegando-se perto de Artur para lhe dar um aperto de mão. – Sou o Joel e vim da capital para investigar o caso do autocarro. A policia acha que há muito para investigar sobre esse assunto e acha que só uma pessoa é incapaz de o fazer. Por isso aqui estou eu. A partir de amanhã vamos ser parceiros.
Artur ficou desiludido, não precisava de parceiros, apenas precisava de respostas.



Continua...
 Vale do Fim - Capítulo 9 (Parte 2)
Por Ricardo Reis
Vale do Fim | Capítulo 9 (Parte 2) Reviewed by André Pereira on 19:30:00 Rating: 5

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