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Vale do Fim | Capítulo 7 (Parte 1)

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Para ler, todas as segundas, quintas e sábados

Capítulo 7 - A Doença de Alina (Parte 1)

Edgar ficou abrigado da chuva até ver um carro na sua direcção. A chuva continuava a cair e só quando viu que era quem ele esperava é que saiu em direcção ao carro e entrou.
   
- Obrigado por vires ter comigo meu, não sabia quem chamar. Estou a passar os piores dias da minha vida. Tu deves entender-me, tu também deves estar a passar por isso também.
    
- Sabes que podes falar comigo! – Começou Artur por dizer. Não parou o carro, continuou a conduzir. – Eu percebi que não estavas bem durante a nossa reunião. Estavas muito irritado e irado. Eu sei que o que nos aconteceu não está certo mas não podemos culpar o Viktor pelo que aconteceu, ele não foi o culpado pelo que fizeram.
    
- Não foi o único queres tu dizer, mas fazia parte da pandilha que fez com que o acidente acontecesse.
     
Edgar cerrava os punhos, sentia vontade de expulsar a sua raiva, se o carro fosse seu começaria a esmurrar todo o tablier até os seus punhos lhe doerem. Tinha de a expulsar de alguma maneira e era aquela que estava à sua frente por isso fê-lo.
    
- Hey calma aí! Não me destruas o carro, preciso dele. Não és o único a sofrer com tudo isto. Achas que cada um de nós não sofre ao saber que se não arranjar uma solução para isto vai ficar para sempre assim.
    
- Estou com problemas a nível emocional, social e sexual, achas pouco? – Declarou Edgar. – Não consigo estar com uma rapariga sem se ela fartar do acto tudo porque desde o acidente eu não consigo ejacular.
    
- Interessante! – Pronunciou-se Artur. – Acontece-me o mesmo. Mas tens de ver isso por um lado positivo, consegues dar mais prazer a uma mulher, bem até ela ficar cansada. Eu sei que pode ser traumatizante isso acontecer, mas acredito que o August e a sua equipa vão arranjar forma de nos tirar o soro do organismo.
    
- Acreditas mesmo que estão a tratar de uma cura? Se nos quisessem curados não nos teriam feito isto. Eles querem alguma coisa de nós, nunca nos iriam curar antes de obter o que querem.
    
O resto da viagem decorreu em silêncio. Edgar não tinha a certeza mas acreditava que as suas últimas tinham posto Artur a pensar. Não era preciso ser muito inteligente para se entender que August e os restantes elementos do PastFuture teriam um objectivo no momento em que pretenderam atirar o soro a trinta pessoas dentro de um autocarro de uma excursão. Edgar só não entendia o quê? Para que é que pessoas com alterações genéticas interessariam a uma equipa de cientistas, não iriam curar qualquer tipo de doença, não iriam conseguir combater o crime, ele não conseguia entender o porquê de tudo aquilo.
    
Artur deixou-o à porta da sua moradia. Já era tarde, por isso os seus pais já se encontravam a dormir. Foi para o seu quarto e deitou-se na cama. Não tirou a roupa, ficou ali apenas a vislumbrar o tecto. Era branco e tinha um candeeiro azul. Não tinha a certeza de como iria ser a sua vida dali para a frente. As promessas de Artur a dizer que ia ficar tudo bem não lhe chegavam, era preciso mais do que promessas vãs para ele voltar a ser o mesmo. Lembrou-se do dia seguinte ao acidente, o dia em que foi fazer as análises e os exames ao hospital do concelho. Lembrou-se do que chamou àquele rapaz antes de Artur o advertir. Ele é um rapaz normal, não o devíamos gozar, não devíamos praticar bullying por uma pessoa normal ser diferente de nós. Se eles fazem isso a eles o que me fariam a mim se soubessem que sou uma aberração que corre mais depressa que um comboio de alta velocidade?  Edgar continuou a pensar o resto da noite. Não conseguiu dormir, fechava os olhos mas o que lhe vinha à mente eram todos os seus problemas.  

Continua...
 Vale do Fim - Capítulo 7 (Parte 1)
Por Ricardo Reis

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