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Vale do Fim | Capítulo 6 (Parte 3)

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Capítulo 6 - O Clube dos Mutantes (Parte 3)
 
Edgar penetrava-a enquanto ela gemia baixinho. Havia muito barulho fora do quarto em que se encontravam. Mudaram de posição e ela sentou-se em cima dele, cavalgando desenfreadamente. Enquanto tinham relações sexuais na cama vários outros casais iam entrando e saindo do quarto. Como a cama estava ocupada por eles muitos faziam sexo no chão e outros optavam por posições em pé, encostados à parede. Edgar e a rapariga tornaram a mudar de posição. Daquela vez ele tinha subido para cima dela penetrando-a com mais força que o habitual. Enquanto a penetrava olhava em volta e via que um casal os observava. Era um casal amigo. Tal como Edgar, ninguém naquele quarto devia ter mais de dezasseis anos.
 
A rapariga pediu para Edgar parar. Estava ofegante.
 
- O que se passa contigo, passou-se uma hora desde que estamos no quarto e tu não te vens?!
 
Edgar sentou-se na ponta da cama com as mãos na cabeça. Não sabia o que se estava a passar no seu corpo. Não sabia o que lhe estava a acontecer. Sentia desejo sexual, sentia prazer, mas não conseguia ejacular a maior parte das vezes. Recordou a noite passada em que enquanto olhava para uma revista cheia de mulheres nuas se masturbava. Esteve mais de uma hora para conseguir ver sémen sair-lhe do seu órgão sexual e isso estava a deixa-lo completamente assustado. Não queria contar a ninguém o que lhe estava a acontecer, tinha vergonha de procurar ajuda por um assunto tão íntimo. Nada havia antes do acidente, antes a sua vida, tanto social como sexual era a de um rapaz normal para a sua idade. E na sua idade ele deslocava-se a festas feitas nas casas dos seus amigos, fazia sexo com amigas que às vezes conhecia há não mais que dois dias, bebia muito álcool e consumia drogas que os seus amigos lhe davam. O acidente de há uma semana arruinara-lhe toda a sua vida.
 
Sem responder à rapariga com quem estava a ter relações sexuais desprotegidas, Edgar não gostava de preservativos pois tiravam-lhe a sensibilidade, saiu do quarto. O grande corredor que tivera de percorrer até chegar às escadas que davam acesso à sala de estar onde a música tocava em alto som encontrava-se cheio de jovens como ele. Estavam a fumar, a beber e alguns casais iam-se beijando. Pegou num copo de sangria que estava no chão. Não sabia de quem era o copo, mas quem se importava com esses pormenores. Conhecia a maior parte das pessoas que se encontravam naquela casa e nenhum deles parecia ter doenças, não se preocupava com isso, a única coisa que queria era esquecer-se do que lhe estava a acontecer. Ainda tinha fresco na memória aquela reunião que tivera durante a tarde. A raiva que sentia daquele cientista que se encontrava com eles. Se não fosse ele e a sua equipa ele ainda seria um rapaz normal a fazer coisas normais.
 
À medida que se aproximava da sala a música tornava-se ensurdecedora. Sorte que não existia vizinhança perto da vivenda do seu amigo. Os pais estavam fora e como sempre acontecia quando tinham a casa só para eles convidavam as pessoas de todo o concelho para as suas casas. Amigo convidava amigo e quando davam por isso tinham a casa cheia de gente. A maior parte eram conhecidos, não havia muitos jovens em Vale do Fim, cerca de meia centena. Não se podia dizer o mesmo do resto do concelho, mas as pessoas que se deslocavam para estas festas eram praticamente todas da aldeia, e nessas, Edgar tinha a plena confiança.
 
Encontrou o anfitrião da festa junto a uma pequena mesa da sala de estar. Era seu colega de escola e um dos seus amigos, com quem passava algum tempo. Gostava de gozar com os outros tal como ele. Agora eu também posso ser gozado por eles. Sou um cromo se não jogar à bola e se não gozar com os outros, não o posso fazer se eu alterar o meu sistema nervoso vou correr tão rápido que eles vão pensar que eu sou uma rajada de vento e vão-me pôr de lado, vão pensar que sou uma aberração. E sou, mas não quero ser ignorado, não pelos meus amigos.
 
- Ah Edgar, finalmente vejo-te meu puto. Andavas onde meu? Aposto que estavas no quarto com alguma garina! Anda até aqui, vamos cheirar um pouco.
 
O seu amigo tinha cocaína com ele. Não cheirava desde a noite anterior ao acidente. Ele não era viciado, só costumava fazê-lo em festas como esta em que estava. Por isso fê-lo com o seu amigo. Mas daquela vez sentiu o seu coração bater mais rápido, mais rápido do que alguma vez tinha batido.
 
- Preciso sair daqui! – Disse para o seu amigo. – Tenho de ir lá fora.
 
Quando saiu até ao alpendre o seu coração parecia querer rebentar. Começou a andar mais depressa para sair daquela vizinhança e quando deu por si estava a correr, ultrapassando rapidamente um carro que estava à sua frente. Olhou para trás e viu o carro a tornar-se uma miniatura aos seus olhos. Chovia intensamente e Edgar corria sem rumo certo e o seu coração disparava a cada segundo que passava. Não podia ir para casa e também não queria ir ao hospital. Então correu até a um abrigo e pegou no telemóvel. Digitou um número e quando a pessoa do outro lado da linha atendeu Edgar apenas disse:
    
- Tens de vir ter comigo meu, preciso de ajuda! As mutações genéticas vão-me matar, o meu coração vai explodir. Ajuda-me.


Fim do capítulo 6
 Vale do Fim - Capítulo 6 (Parte 3)
Por Ricardo Reis
Vale do Fim | Capítulo 6 (Parte 3) Reviewed by Fantastic on 19:30:00 Rating: 5

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