Top Ad unit 728 × 90

Últimas

recent

Vale do Fim | Capítulo 10 (Parte 3)

Também disponível no Wattpad em http://goo.gl/uVVbsb
Para ler, todas as segundas, quintas e sábados

Capítulo 10 - Confissões (Parte 3)


Lígia fechou a porta do gabinete de Joaquim tal como ele ordenara. A expressão de medo e receio que apresentava na sala rapidamente se alterou assim que saiu dela. Quando chegou à sua secretária esboçava um sorriso enquanto pegava no seu telemóvel. Ouvia os gritos de Joana enquanto marcava um número que não estava na lista de contactos. Quando atenderam do outro lado da linha, Lígia começou a falar.
            - GDC 2012 (…) Não posso falar ao telemóvel. (…) Sim eu sei que ninguém da operadora vai dizer nada porque estão controlados por vocês mas não posso falar aqui, estou na câmara municipal, alguém pode ouvir. (…) Avise o Lourenço ou o George que preciso falar com eles. (…) Sim, no sítio do costume. (…) Lá estarei às vinte e três e quinze, não esqueça de avisar.
            Quando desligou a chamada viu August sair do gabinete, ia bastante afligido, atormentado. De certeza que não esperava aquele golpe de George o que a fez sorrir ainda mais.
            Quando chegou a hora do fim do expediente Lígia seguiu até sua casa e tomou um relaxante banho de emersão. Se tivesse champanhe, naquela altura tinha levado um copo para a banheira. Era altura para festejar, George estava um passo à frente de August. Não é que não tenha estado sempre, mas agora existiam provas visíveis. Ao sair do banho viu que tinha uma chamada não atendida do mesmo número que tinha contactado durante a manhã.
            - GDC 2012 – Disse, quando atenderam. Esse era o código dela, só ela o sabia. Ela e quem estava do outro lado da linha. – É o Lourenço então! Eu irei estar lá às vinte e três e quinze tal como disse.
            Jantou e arranjou-se. Arranjou-se como se para uma festa. Vestiu um vestido de seda azul que deixava livre as suas torneadas pernas. Lígia era uma bela mulher. Loira de olhos azuis e gostava de se maquilhar. Não fazia grandes exageros mas gostava de sair produzida, até mesmo para onde ia.
            Saiu de casa e deslocou-se até a um bar. Quando se sentou numa das mesas viu Alina e Artur. Eles seguiram até ela. Artur deslocava-se muitas vezes até à câmara para falar com Joaquim, ela conhecia-o de lá.
            - Que surpresa! – Disse quando cumprimentou Artur e Alina.
            - Gostamos de vir aqui! Sabes, foi neste bar que eu e ela nos conhecemos. – Disse Artur abraçando a namorada.
            Ela sabia, sabia tudo o que passava naquele bar. O dono era o homem que atendia as chamadas que ela fazia. Quando chegou à hora marcada Lígia foi até ao balcão e chegou até ao dono.
            - Preciso da bebida! – Era o código que a fazia ir ao encontro de Lourenço.
            Entraram numa porta que era restrita aos clientes. O bar ficava no primeiro andar do edifício, o rés-do-chão estava desocupado. Alguns não entendiam a razão para o dono do bar não utilizar o espaço já que pagava a renda, mas Lígia sabia bem. Era ali que os elementos do GDC que se encontravam em Portugal se reuniam. Existia uma porta, uma entrada bastante discreta, onde não haviam olhos para observar quem entrava e saía, era o local perfeito para Lourenço, conhecido por todos, entrar.
            - Está tudo a correr como previsto, podes dizer ao George! Foi uma jogada de mestre ele ter contado tudo à filha do Joaquim. Tudo vai começar a desabar a partir de agora. – Lígia estava cada vez mais radiante.
            - Achei isso apressado! – Declarou Lourenço.
            - Fala o roto do nu. Tu correste para a tua mulher a falar da cura. Curiosamente ela ainda não te disse nada!
            - Vai dizer, ela não é estúpida. Vamos ter os seis na nossa mão. Além disso vamos ter de esperar tantos meses para que possamos actuar que não vi qualquer interesse no facto dele revelar à Joana já. Acho que agiu um pouco sem pensar. Mas fizeste bem em me chamar aqui. Interessa-nos bem que a relação esteja fragilizada, eles assim não vão dar tanta atenção ao miúdo.
            - Nem nós queremos o miúdo. Ele vai ser um problema. Sabes o que lhe aconteceu tão bem quanto eu.
            - O August e a sua pandilha não sabem! E além do mais ele pode ser imune, não sabemos se ele vai ter a doença como os outros. Sabemos pouco mais para além daquilo que o George disse. Ele próprio não acompanhou a criança que expôs ao vapor até ao fim, não sabe o que lhe aconteceu.
            - Estamos nisto há quatro anos Lourenço e pouco sabemos!
            - Acho melhor sabermos pouco Lígia, acho melhor! – Respondeu Lourenço, saindo da sala com pouca iluminação.
 
Fim do capítulo 10
 Vale do Fim - Capítulo 10
Por Ricardo Reis
Vale do Fim | Capítulo 10 (Parte 3) Reviewed by Fantastic on 19:30:00 Rating: 5

Sem comentários:

All Rights Reserved by Fantastic - Mais do que Televisão © 2014 - 2015
Powered By Blogger, Designed by Sweetheme

Formulário de Contacto

Nome

Email *

Mensagem *

Fantastic. Com tecnologia do Blogger.