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Vale do Fim | Capítulo 6 (Parte 2)

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Capítulo 6 - O Clube dos Mutantes (Parte 2)

Quatro em ponto. Nem mais minuto nem menos. Oito cadeiras juntas formavam um círculo e um grupo variado de pessoas encontrava-se sentado nelas. Além dos seis sobreviventes Joana encontrava-se sentada ao lado de Miguel e Viktor sentava-se ao lado de Eva. Quando a rapariga fora convocada e sabendo que se tratava de um assunto relacionado com o acidente achou por bem convidar o cientista para que pudesse ajudar a esclarecer alguns pormenores sobre o assunto. Artur não se opôs. Não conhecia o rapaz mas teve uma empatia por ele assim que lhe apertou a mão. Parecia ser uma boa pessoa.
   
- Podes explicar porque nos juntaste aqui? – Questionou Olívia. A Artur a mulher parecia-lhe abatida, mais que os outros que também não se encontravam em melhor estado.
Artur começou por lhes explicar tudo sobre o acidente e sobre o Projecto MG. Pelo meio Viktor complementava-o o que o fazia soltar um sorriso ao agente da polícia. À medida que iam relatando os factos conseguiu ver na cara dos restantes elementos do grupo um misto de emoções. Choque e medo era o que mais existia naquele café. Apenas um não apresentava qualquer tipo de tristeza, talvez por ser pequeno e não ter noção do que estava realmente a acontecer.
- Então isto é o nosso clube dos mutantes! – Declarou Miguel. – Estou tão contente por parecer um daqueles super-herois da televisão. É tão fixe!
Joana mandou-o calar, mas Artur disse para ela o deixar falar, sempre era um momento de descontracção naquele clima tão pesado que se vivia ali. Achou engraçada a ideia tão inocente de um menino de seis anos. Na realidade eles eram mutantes, as mutações genéticas que estavam a sofrer faziam-nos ser.
- O Miguel tem razão, isto é o nosso clube dos mutantes! – Declarou Artur. – Mas o clube tem de ficar só para nós, mais ninguém pode saber nada sobre isto Miguel, promete-me a mim e a todos os que estão presentes nesta sala que não contas nada aos teus amigos quando regressares à escola. – Miguel prometeu. – E o que estou a dizer a ele fica assente para todos, ninguém pode saber o que realmente aconteceu antes do autocarro cair da ravina. Isso ia causar o alvoroço na vila.
Os restantes elementos que se encontravam no café olhavam uns para os outros. Alguns ainda não estavam a perceber bem o que estava a acontecer com eles. Olívia era uma delas.
- Eu ainda não senti nada de anormal comigo! – Respondeu a mulher do ex-presidente.
- Isso tem uma explicação. – Declarou Viktor, levantando-se da sua cadeira. – Existem vários factores para que haja um retardamento dos sintomas do projecto MG. Um deles, e o mais importante, é as diferenças nos organismos de cada um de vocês. Nem todos regem ao vapor de veneno de cobra e crocodilo da mesma maneira. O Artur por exemplo confidenciou-me que sentiu pela primeira vez uma modificação do seu corpo no dia a seguir ao acidente, mas a Eva só sentiu alguns dias depois. Tu ainda irás sentir os efeitos do projecto MG Olívia. Um dia eles vão surgir e tu vais sentir-te feliz por senti-los.
- Feliz? Feliz por não poder ter uma vida normal? Feliz por querer ir jogar à bola com os amigos e ter medo de correr à velocidade da luz e não saber explicar-lhes o que se passou? Chamas a isso feliz meu grande cabrão. Porque não testaram em vocês próprios seus Ingleses duma figa. – Contestou Edgar.
Edgar era aquele, pelo menos era o que parecia a Artur, o mais revoltado dos seis. O rapaz cheio de vida passava agora o dia fechado no quarto. O pai dele, colega de trabalho de Artur, confidenciara-lhe que ele partira o seu quarto todo com o excesso de raiva acumulada que tinha. Embora o pai não soubesse das mudanças que o seu filho estava a ter ele sabia que ele estava a ter tempos difíceis.
- O que está feito não há forma de mudar! – Declarou Artur ao rapaz. – Tu agora corres velozmente, tenta ver isso como uma dádiva. Consegues ser ágil o suficiente para que não partas nada, consegues recuperar rapidamente de uma ferida que tenhas, isso é magnifico. Não podemos culpar o August e o resto da sua equipa por quererem evoluir o mundo, temos de culpar George por ter causado o acidente. Esse sim cometeu um crime!
    - Os dois cometeram! – Contestou Joana. – Ninguém se deve armar em Deus e espetar um soro em dezenas de inocentes. Não está certo.

- Os seis elementos que estão nesta sala são seres completamente magníficos, são a evolução da raça humana! – Declarou Viktor. – Estou orgulhoso de que tenham sobrevivido ao plano do George.
- Cala-te inglês de merda! – Gritou Edgar dirigindo-se até ao cientista.
    
Eva levantou-se e meteu-se à frente do inglês. Essa atitude da bailarina deixou Edgar completamente furioso. Artur colocou a mão no ombro do rapaz mas este tirou-a rapidamente e dirigiu-se para a porta de saída do café. Ninguém o seguiu, mas o clima ficou tenso depois do sucedido, ninguém mais tinha coragem de dizer o que quer que fosse, os ânimos estavam exaltados, então Artur deu por encerrada a primeira sessão do grupo, convocando-os a todos para a segunda sessão que se realizaria dali a uma semana.
Artur queria descontrair e, além do mais, queria voltar a ver Alina. A rapariga conseguia tirar-lhe o sono. Por essa razão voltou ao bar onde na noite anterior a conhecera. Tinha esperança que ela aparecesse e aí a pudesse conhecer melhor e pedir-lhe um contacto. Foi o seu maior erro não lhe ter pedido o número de telemóvel antes da rapariga sair. Ela estava com dores de cabeça, alguma coisa lhe podia ter acontecido antes de chegar a casa, mas não era tempo para lamúrias, o que estava feito não se devia lamentar, isso só fazia a sua mente preocupar-se. E a sua mente já tinha muito para processar sobre o que estava a acontecer nos últimos tempos.
O tempo passava e cada vez mais perdia a esperança de que a rapariga aparecesse no bar. Pediu mais uma bebida e voltou a esperar. Ainda era cedo ela ainda podia aparecer. Não sabia muito sobre a rapariga mas sabia que ela trabalhava numa clínica veterinária, podia muito bem ter de ficar até mais tarde e passar por ali para descontrair.
Desistiu. A rapariga não ia aparecer naquela noite, já passavam das onze horas. Saiu do bar e correu até ao seu carro para se proteger o mais depressa possível da chuva torrencial que caía. Já dizia o dito popular “Abril, águas mil”. Ligou o carro e acelerou. A chuva fazia com que não visse nada para além de dois metros, o que o fez travar bruscamente quando viu um vulto aproximar-se, ali no meio da estrada. Foi por um triz que não atropelou a mulher que atravessava a passadeira. Talvez não tivesse bebido aquela cerveja a mais. Saiu do carro para ver se a rapariga se encontrava bem e foi aí que se apercebeu.
- Alina?! – Ficou tão surpreendido que nem se importou com a chuva que o fazia ficar cada vez mais molhado.

Alina encontrava-se igualmente encharcada, não trazia chapéu-de-chuva. Também com o vento que se fazia sentir o utensílio não iria durar muito, as rajadas que se faziam sentir eram suficientes para o partir em segundos.

- Artur?! Não conseguia ver nada só chuva, vi que estava na passadeira e meti-me à frente do carro. Desculpa.
- Não me peças desculpas. O culpado disto tudo é o São Pedro. – Brincou Artur fazendo a rapariga rir. – Entra para o carro, eu levo-te a casa.
Alina entrou no carro aceitou a boleia do agente da judiciária, mas impôs uma condição:
- Vens beber um copo comigo lá a casa. Eu tenho de te agradecer a boleia.
    
- Tudo bem, diz-me onde moras! – Declarou Artur.


Continua...
 Vale do Fim - Capítulo 6 (Parte 2)
Por Ricardo Reis

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