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Vale do Fim | Capítulo 6 (Parte 1)

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Capítulo 6 - O Clube dos Mutantes (Parte 1)

Era cedo quando Joana e Miguel chegaram a casa. Passaram-se três dias desde que ocorrera o último sono profundo como os médicos retratavam o peculiar caso do menino do autocarro. Dormia e acordava como qualquer comum mortal, era de novo o seu garoto. Era bastante cedo para deixa-lo ir à escola por isso, estava melhor em casa a descansar depois de tudo o que lhe acontecera nos últimos dias. Tinham sido demasiados sobressaltos para voltar à sua rotina assim de repente. Os médicos aconselharam-na a que ele tivesse uns dias relaxados antes de retomar a sua vida. Joana queria ficar com o seu menino a ver os desenhos animados, mas não podia, tinha de abrir o café. Não estaria longe dele, apenas no andar de baixo, e iria vê-lo sempre que tivesse oportunidade.
- Ficas bem? Já sabes, se sentires alguma coisa de errado contigo desce as escadas e vem ter ao café. Eu estarei aqui sempre que conseguir para te dar uma olhadela.
- Está bem mãe. Vai descansada, eu fico bem, já não sou uma criança, sou um crescido. Só te quero pedir uma coisa, pode ser?
- O que queres? Eu faço tudo por ti sabes disso!
- Quero que me deixes despedir do meu padrinho, eu quero vê-lo antes de o enterrarem. Chega de me dizeres que está no céu, que é a estrela mais brilhante no céu estrelado. Eu sei que ele morreu, sei que não foi enterrado na esperança que acontecesse aquilo que me aconteceu a mim.
Joana ficou surpreendida com as palavras do rapaz, enquanto falava não parecia ser mais o menino de seis anos que entrou no autocarro naquela manha primaveril em que tudo acontecera. Parecia agora um jovem adolescente. Essa atitude deixou-a sem palavras.
- Não me respondes? – Perguntou-lhe.
Aproximou-se do rapaz e abraçou-o.
- É claro que deixo que te despeças do teu padrinho, mas quero que tenhas ciente uma coisa, ele não está como esperas ver. Devias lembrar-te dele alegre e brincalhão como sempre foi e não pálido e desfigurado como ele está. Mas se a tua intenção é mesmo vê-lo não sou eu quem te vai impedir, passaste por muito nesta última semana, sei que cresceste com tudo isto que aconteceu.
Desceu a escadaria que dava acesso ao café e ouviu baterem à porta. Era Artur. Ficou surpresa ao vê-lo tão cedo por ali, não era habitual. Por isso a primeira coisa que fez depois das típicas saudações foi questioná-lo sobre o motivo daquela visita repentina.
- Preciso do teu café! – Disse-lhe o seu amigo. – Todas as tardes de quinta-feira. Pode ser a meio da tarde para não perderes fregueses. E são sessões rápidas aquelas que eu espero fazer aqui.
- Calma, tens de falar num idioma que eu perceba! Precisas de fazer sessões de terapia aqui no meu café?
Artur abriu o envelope que trazia consigo e colocou os papéis numa das mesas do café. Os papéis referiam-se ao projecto MG – Mutação Genética. Explicavam em pormenor tudo aquilo em que consistia e todos os dados dos seis sobreviventes do acidente do autocarro da excursão. Joana ficou perplexa ao ver que o seu filho se encontrava no meio daquelas folhas.
- Somos uma experiência! – Revelou-lhe Artur. – E por isso precisamos de nos juntar os seis uma vez por semana para que possamos contar uns aos outros as modificações que sentimos ao longo dos dias de forma a que tudo corra pelo melhor até que consigamos arranjar uma cura.
Joana ficou chocada e furiosa com a revelação. O seu filho só tinha ficado daquela maneira por causa de um bando de lunáticos que chegaram à cidade há meia dúzia de meses e provocaram um acidente propositadamente.
- O acidente não foi provocado por eles, Joana! Foi um tal George que o tal August tem uma desavença. Eu vou apanhar o culpado do acidente, se bem que o que eles nos fizeram não foi justo. Ninguém tinha o direito de nos fazer de cobaias, mas o mal já está feito, não há como recuar atrás no tempo.
- E quem ajudou esse tal de August? De certeza que ele tinha alguém com algum poder aqui em Vale do Fim a ajudá-lo a sediar-se. O meu pai como presidente do concelho devia ter conhecimento destas coisas! – Protestava Joana.
Enquanto falavam ouviram um grande estrondo vindo do andar de cima onde Miguel se encontrava. Joana e Artur correram os dois o mais depressa que conseguiram para ver o que se tinha passado. Joana estava com receio de que o encontrasse inconsciente mais uma vez. Quando chegaram ao pé do menino ele estava a chorar, olhando para o vidro da janela partido.
- Não te zangues comigo mamã, eu só dei um chuto na bola mas ela pareceu voar em direcção à janela e …
Joana abraçou-o. Não estava zangada com ele, era uma dádiva de Deus ele estar ali ao pé de si quando vinte e quatro pessoas morreram no mesmo autocarro em que ele seguia. Enquanto abraçava o rapaz olhava para Artur que apresentava um ar reticente em relação ao que tinha acontecido naquela sala.
- Miguel, podes levantar-me esse sofá para eu ver se tem alguma coisa por baixo dele? – Pediu Artur.
- Artur?! Sabes que o miúdo não tem força para isso. – Declarou Joana.
Miguel não deu ouvidos à mãe e deslocou-se até ao sofá de três lugares que se encontrava na sala de estar e levantou-o sem o mínimo de esforço.
- Temos mesmo de fazer a reunião esta tarde! As nossas alterações não se baseiam só na corrida e na agilidade, o teu filho comprova que também podem mexer com a nossa força.


Continua...
 Vale do Fim - Capítulo 6 (Parte 1)
Por Ricardo Reis
Vale do Fim | Capítulo 6 (Parte 1) Reviewed by Fantastic on 21:49:00 Rating: 5

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