Top Ad unit 728 × 90

Vale do Fim | Capítulo 5 (Parte 2)

Também disponível no Wattpad em http://goo.gl/uVVbsb
Para ler, todas as segundas, quintas e sábados


Capítulo 5Destino (Parte 2)

Artur estava curioso e empolgado. Um homem ligara-lhe dizendo saber mais pormenores do acidente que vitimara duas dezenas e quatro pessoas e deixara os seis sobreviventes com mazelas que ele não entendia. Não entendia como podia deslocar o seu corpo tão rapidamente, nem como o filho da sua amiga Joana acordava e entrava num sono profundo de um momento para o outro. Encontrava-se num mar de perguntas sem resposta e não conseguia encontrar solução para não se afundar. Quando o homem, que disse se chamar August lhe ligou durante a manhã a esperança de que muitas dessas perguntas tivessem uma resposta tornou-se maior. Combinaram um encontro num café na capital de concelho de Vale do Fim ao inicio da tarde. Nessa manhã estava tão excitado que nem tomou o pequeno-almoço e quando a hora de almoço chegou não almoçou. Só pensava em August e no que ele lhe podia dizer. Não entendia como ele podia ser portador de respostas ao que causaram o acidente mas estava curioso com o que ele lhe tinha para dizer. Quando a hora do encontro se aproximou pegou na sua carteira, nas suas chaves e saiu.
    
Entrou no café na hora marcada, nem minuto a mais nem minuto a menos. Numa das muitas mesas do café encontrava-se um homem de cabelo grisalho que lhe levantou a mão como se o conhecesse. Era August.
    
- Pontual! Gosto disso, Artur. – Cumprimentou o homem, dando-lhe de seguida um aperto de mão.
    
Pelo sotaque Artur percebeu logo que o homem não era de nacionalidade portuguesa. Os ingleses, são os ingleses os culpados por o que está a acontecer aqui. Lá estás tu Artur com essa teoria da conspiração criada pelos vizinhos, isso não passam de histórias.
    
- Senhor August, disse-me ao telefone que sabe de coisas importantes sobre o que aconteceu no acidente do autocarro onde eu me deslocava, o que sabe na verdade? – Artur foi directo ao assunto que o assombrava e que o levava a trabalhar mesmo estando ainda afastado do seu oficio.
    
- Gosto de si Artur! É um homem directo, gosta de apressar o assunto. – Disse-lhe o homem pegando na sua chávena de café e a dar um gole. – Eu pertenço à PastFuture, uma associação de cientistas estrangeiros que se sediaram aqui na fronteira de Vale do Fim com a capital do concelho.
    
- Está-me a dizer de uma maneira simples de me dizer que provocou o acidente? Ouvem-se histórias sobre vocês.
    
- Não passam disso mesmo Artur, de histórias. Histórias bastante elaboradas e que até gosto bastante de ouvir. Fazem-nos parecer verdadeiros vilões quando na verdade somos o oposto. Não viemos aqui para destruir a aldeia, viemos aqui com um objectivo, criar uma nova raça humana.
    
Artur ficou de olhos arregalados a ouvir as últimas palavras do cientista, o que quereria ele dizer com uma nova raça humana. August contou rápida e pormenorizadamente o que acontecera antes do acidente e curiosamente Artur não ficou indignado, talvez por que o mal já estava feito não havia como voltar atrás, não podia voltar à manhã do acidente e fazer com que o condutor do autocarro não soltasse o soro. Mas havia uma coisa que ele ainda não estava a entender e era isso que o prendia ali, era a isso que queria chegar para poder dar início a uma investigação.
   
- Foi o soro que fez adormecer o condutor e atirar o autocarro da falésia? – Perguntou ao velho com medo que a resposta fosse assertiva.
   
- Não, é aí que eu queria chegar. O meu objectivo, tal como o seu é apanhar o culpado, o causador desta situação. Eu não tenho a certeza de quem colocou aquele lobo que se fala na estrada mas faço uma pequena ideia. Chama-se George e tem-me atormentado há uns anos. Ele é uma pessoa perigosa, acredito que era capaz de engendrar um plano que matasse tantas pessoas como este. Ele não tem escrúpulos, sei que o era capaz.
    
Artur pediu mais informações sobre o tal homem chamado George e August rapidamente se mostrou disponível em lhas dar. Deu-lhe descrições vagas sobre ele, coisas que não eram suficientes para o encontrar. Artur precisava de mais, mas August parecia perturbado em falar nele, apenas lhe dizia:
    
- Olha para mim!
    
- Porque quer que olhe para si? Eu pedi-lhe informações sobre esse tal de George, e você não fez mais do que divagar.
    
- Não estou a divagar! Olha para mim, é mais do que te posso dizer e basta. Agora tenho de ir! Não posso perder mais tempo aqui. – Disse, levantando-se da mesa, deixando uma nota para pagar os cafés.
    
A conversa entre os dois pode ter corrido bem, mas Artur não estava completamente satisfeito. Ele precisava de mais, além disso não tinha tocado num assunto que achava de extrema importância, haveria cura para o soro que lhes tinham administrado no autocarro? Não era dos planos de Artur e, no seu pensar, dos outros sobreviventes, continuarem assim o resto das suas vidas. Era desconfortável o que sentiam, quererem andar e correrem, sentirem o sangue do corpo a borbulhar.
    
Não sentia vontade de ir para casa, o caso que tinha entre mãos estava a deixa-lo completamente em êxtase. Queria apanhar George, saber porque razão ele colocara um lobo na estrada para matar dezenas de inocentes, que por alguma razão que August também não referiu, estavam condenados a viverem a vida em prol de uma experiência. Isso estava a encher-lhe a cabeça. Por isso deslocou-se até a um pacato bar que havia no centro do concelho. Era para lá que se deslocava quando queria descontrair um pouco. Sentou-se num dos bancos que estavam colados ao balcão e pediu um martini.
   
Enquanto bebia a sua bebida ouvia a música ambiente que um misturador de música contratado pelo bar colocava. Não conseguia tirar a história de August da cabeça. Até que uma jovem e bela mulher se sentou ao seu lado. A jovem pediu uma água mineral. Tinha a pele bastante clara e longos cabelos pretos. Tinha algumas sardas, mas só se notavam quando se olhava petrificado para ela, tal como Artur se encontrava a fazer. Pelo sotaque também não aparentava ser portuguesa, mas também não era inglesa como ele conseguiu concluir pela pronúncia.
    
- É nova por aqui? – Perguntou-lhe, para meter conversa. Estava radiante com a sua beleza estonteante.
    
A rapariga olhou para ele meio desajeitada.
    
- Desculpe! Eu conheço quase toda a gente que vive na cidade e nunca a vi por aqui. Está de passagem?
    
- Não tem importância. E não me trates por você, devemos ter provavelmente a mesma idade!
    
A rapariga sorriu-lhe, o que o fez sorrir também.
    
- Tens razão. – Esticou o braço como se a fosse cumprimentar. – Chamo-me Artur.
    
Ela levantou-se do banco e deu-lhe um beijo na cara.
    
- Alina! Estou a viver aqui há dois meses.
    
Inglesa, ela deve ser mesmo inglesa! Ela chegou na mesma altura que eles. Deve pertencer à equipa de cientistas que chegaram cá para nos fazer mutações genéticas, pensava Artur enquanto a rapariga falava.
    
- Vim há quatro meses da Roménia, arranjei um emprego aqui dois meses depois e cá estamos nós aqui.
    
Artur respirou de alívio por Alina não ser inglesa. Bastavam aqueles que tinham vindo para colocarem a vila num alvoroço. Ainda se encontrava toda a população do concelho bastante agitada com o que acontecera com Miguel. Mais nenhum dos mortos ressuscitara, mas por precaução todos os cadáveres só seriam enterrados na semana seguinte para terem a certeza que mais nenhum se colocava de pé.
    
A conversa foi correndo na perfeição. Os dois pareciam ter bastante em comum. Alina trabalhava numa clínica de animais como assistente de um veterinário e morava perto daquele bar. Tal como Artur, ela não queria ir para a solidão do seu lar. Vivia sozinha num apartamento que alugara.
    
Quando menos esperava a rapariga fez um pôs a mão na cabeça e soltou um gemido. Depois disso foi até à sua mala e tirou de lá um frasco que continha comprimidos.
    
- Estás bem? – Questionou-a.
    
- Sim, eu sofro muito com as dores de cabeça. Sorte que tenho estes amigos sempre comigo.
    
- Já pensaste em ir ao hospital? Pode não ser normal isso que tens, o melhor seria veres o que tens.
    
- Já o tenho desde miúda. – Levantou-se do banco. – Tenho de ir, está a ficar tarde e é melhor não ficar aqui. Tenho de ir para casa, tenho de ir.
    
A rapariga estava estranha, não lhe parecia a mesma que era há minutos atrás. Por essa razão Artur ofereceu-se para leva-la para casa.
    
- Não é preciso, eu moro já ali. – Disse-lhe a rapariga, beijando-o de seguida, o que o deixou completamente desnorteado.

Continua...

 Vale do Fim - Capítulo 5 (Parte 2)
Por Ricardo Reis
Vale do Fim | Capítulo 5 (Parte 2) Reviewed by Fantastic on 19:25:00 Rating: 5

Sem comentários:

All Rights Reserved by Fantastic - Mais do que Televisão © 2014 - 2015
Powered By Blogger, Designed by Sweetheme

Formulário de Contacto

Nome

Email *

Mensagem *

Fantastic. Com tecnologia do Blogger.