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Vale do Fim | Capítulo 4 (Parte 3)

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Para ler, todas as segundas, quintas e sábados


Capítulo 4À descoberta do que pode ter acontecido (Parte 3)
   
Olívia abriu uma garrafa de vinho e sentou-se no sofá. Estava sozinha a aproveitar o silêncio que a rodeava. Encheu o copo pela primeira vez. Levantou-se e foi até ao pé da sua lareira. Como era Verão, não estava acesa, mas ela não estava lá para aproveitar o seu calor. Queria apenas olhar para uma fotografia que se encontrava em cima da pedra. A fotografia retratava uma família feliz, uma mulher sorridente no meio de dois homens, um mais velho e um rapaz novo. A fotografia tinha três anos, tirada pouco tempo antes de tudo acontecer. Um tempo antes de ficar sozinha, completamente sozinha. Lourenço saiu de casa um dia, disse que ia estar fora para tratar de negócios, nunca mais voltara. Olívia mentira à população, dizendo que nunca mais soubera de nada dele, mas isso era mentira, ela tinha o seu contacto. Lourenço dizia que era perigoso retornar a Vale do Fim. Dizia estar a trabalhar para uma empresa que iria fazer história, mas que havia alguém que os queria boicotar.
 
Encheu o copo pela segunda vez. Subiu as escadas que davam acesso ao primeiro andar e foi até a um quarto. Era o quarto do seu filho. Entrou e sentou-se na cama. Encostou o seu nariz à almofada para tentar sentir o cheiro do seu menino. Ele deixara a vila um pouco depois do seu pai, mas não pelas mesmas razões. Os estudos levaram-no a deslocar-se para a capital onde se encontrava a morar há cerca de dois anos. Raramente ia a Vale do Fim. Arranjara um trabalho para pagar os estudos e só em alguns fins-de-semana é que tinha disponibilidade e rumava para perto da sua mãe. Quando soube do acidente, foi o primeiro a ligar para saber se ela se encontrava bem, mas não se deslocara até ela.
 
Encheu o copo pela terceira vez. Sentia-se só, abandonada, sozinha a maior parte do tempo. Relacionava-se pouco com os habitantes de Vale do Fim. Quando o seu marido desapareceu, refugiara-se em casa para que ninguém perguntasse o que lhe tinha acontecido. Nem ela própria sabia. Ao inicio julgara que ele a tivesse trocado por outra. Levou meses a pensar nisso, até que um número desconhecido lhe ligou. Era Lourenço a explicar-lhe o porquê de ter desaparecido. Não lhe contou muito, apenas o que a ele lhe pareceu essencial.
 
Sentada no sofá olhou para o telemóvel. Pegou nele. Depois voltou a pousá-lo. Encheu o copo pela quarta vez. Nos últimos tempos, refugiava-se na bebida para afastar os problemas da sua cabeça. Enquanto estava sob o efeito do álcool, não pensava nas amarguras da vida. Era este o seu lema de vida. Tornara-se uma rotina nos últimos tempos. Beber para esquecer, era tudo o que ela queria. Voltou a pegar no telefone. Daquela vez ganhou coragem e digitou um número. Começou a fazer a chamada.
 
- Lourenço! Eu sei que não gostas que te ligue… Sim, eu sei que pode ser perigoso para o teu trabalho, mas eu não me tenho sentido normal nos últimos dias, depois do acidente parece que não sou a mesma. Tenho-me sentido estranha… Eu sei que me avisaste para não ir! É por isso que te estou a ligar. Tu sabias que ia haver aquele acidente, não sabias? Por isso é que me disseste para não ir e quando viste que eu não ia mudar de ideias disseste para me sentar o mais atrás possível... Ninguém está em casa, ninguém está a ouvir o que estou a dizer... Diz-me no que estás metido, Lourenço! Isto vitimou muitas pessoas, algumas das pessoas com as quais tu convivias! Por favor diz-me o que se passa.
 
Lourenço desligou-lhe o telefone sem responder ao que Olívia precisava de saber.
    
Não sabia se tinha sido do vinho ou se ainda era da dor de cabeça que sentia desde que saíra do autocarro, mas sentia-se estranha. Sentiu tantas tonturas naquele momento, que não se conseguiu levantar-se do sofá para ir para a sua cama. Passou ali a noite.


Fim do capítulo 4

 Vale do Fim - Capítulo 4 (Parte 3)
Por Ricardo Reis

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