Top Ad unit 728 × 90

Últimas

recent

Vale do Fim | Capítulo 3 (Parte 3)

Também disponível no Wattpad em http://goo.gl/uVVbsb
Para ler, todas as segundas, quintas e sábados


Capítulo 3Consequências do Retorno (Parte 3)
    
O dia passou num ápice. Joana estava um pouco assustada. O seu filho não dormia desde que acordara no caixão na noite anterior. Teve durante todo o dia com ele, não o deixou sozinho nem por um segundo. Ele era o seu bem mais precioso, o seu talismã. Não o queria voltar a perder agora que ele estava consigo. Recebeu uma chamada do hospital a pedir para levar o pequeno Miguel para realizarem exames e análises, mas ela ignorou esse pedido. Até mesmo quando o seu pai ligou, a implorar que fosse, porque poderia ser importante para verificar se estava tudo bem com ele, ela disse que ele não precisava. Ele esteve sempre bem. Passaram o dia a ver desenhos animados no sofá, os preferidos da sua pequena pérola. Abraçava-o com tanta força que por vezes o rapaz queixava-se e ela largava-o por poucos segundos.
    
Quando acabaram de jantar, Miguel bocejou. Estava com sono, Joana via-o pelos seus olhos. Então encaminhou-o até ao quarto dele e vestiu-lhe o pijama. De pijama vestido e deitado na cama, Miguel pediu-lhe que lesse para ele. O jovem não gostava de contos de fadas, não achava que todos tivessem o seu final feliz. Joana sempre achou que a razão para isso tinha sido o abandono precoce do pai. O ex-marido de Joana saíra de casa quando Miguel completara três primaveras. Ele sentia a sua falta e ela tentava de todas as formas ser também a figura paternal, mas por vezes tornava-se difícil. Como não gostava de histórias de encantar, Joana lia-lhe o seu livro preferido, Uma mudança repentina de Peter Lawrence. O livro chama-lhe a atenção por se centrar num rapaz que, de repente, mordido por uma cobra, ganha poderes inexplicáveis, depois de estar alguns meses em coma. Joana não gostava muito daquela história, achava-a demasiado dramática e irreal. Se alguém fosse picado por uma cobra não iria ganhar poderes. Se ela fosse poderosa o único poder que iria ter era o de servir de alimento para os bichos dentro de uma cova num cemitério. Mas o seu filho era louco pela história e ela fez-lhe a vontade.
    
- “E Michael percorria a longa estrada a uma velocidade alucinante. Era mais veloz que um carro, mais veloz que uma chita. O seu dom de camuflagem era útil na floresta em que se encontrava. Tinha de se esconder do seu maior inimigo, o trovão, aquele que queria destruir a sua cidade e todos aqueles que amava…” – Joana não precisou de continuar a ler, o rapaz adormecera rapidamente.
    
Saiu do quarto e quando estava quase a chegar à sala ouviu o seu portão a bater. Não esperava visitas, mas alguém o tinha aberto. Olhou para a janela e não viu ninguém.
    
Assustou-se quando ouviu a campainha a tocar. Do portão à porta da sua vivenda ainda é necessário percorrer alguma distância e sendo assim ela conseguiria observar quem abrira o portão. Mas desta vez, o seu visitante inexplicavelmente não lhe deu tempo para que isso acontecesse.
    
 Se me aparece aqui o Michael menino-cobra eu juro que vou desmaiar.
    
Era Raul. Vinha estranho.
   
 - Preciso de falar, preciso desabafar Joana! Algo me aconteceu. Eu não sou mais o mesmo desde o acidente. Acho que aconteceu algo a quem sobreviveu.
    
- Fala mais devagar, Raul! E o que é que eu já te disse em relação a apareceres aqui? Não quero que a vizinhança fale coisas sobre nós dois.
    
- Até isso! Sinto mais apetite, apetece-me estar sempre a fazê-lo e quando acabo estou cheio de vontade de o fazer outra vez! – Raul parecia assustado aos olhos de Joana. – Posso ver o teu filho, ver se ele se sente assim?
   
 - O meu filho acabou de adormecer, não dorme nada desde ontem à noite, o melhor seria não o acordar.
    
- Deixa-me apenas vê-lo, olhar para ele a ver como dorme, sentir a sua pulsação, para perceber se está tão acelerada como a minha!
    
Joana concordou e os dois deslocaram-se até ao quarto do pequeno Miguel. Joana achou estranho ele ter-se tapado até à cabeça. Não era normal nele, ainda por cima com o calor que se fazia sentir no quarto. Deslocaram-se os dois para a cama e destaparam-no. Assustou-se ao ver que o menino voltara a perder a cor. Estava novamente pálido como no dia do seu velório.
    
 Chama uma ambulância, Joana! Chama uma ambulância, rápido! – Gritou Artur. – Ele não tem pulsação!
 
Fim do capítulo 3

Vale do Fim - Capítulo 3 (Parte 3)
Por Ricardo Reis

Vale do Fim | Capítulo 3 (Parte 3) Reviewed by Fantastic on 20:00:00 Rating: 5

Sem comentários:

All Rights Reserved by Fantastic - Mais do que Televisão © 2014 - 2015
Powered By Blogger, Designed by Sweetheme

Formulário de Contacto

Nome

Email *

Mensagem *

Fantastic. Com tecnologia do Blogger.